<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014</id><updated>2012-02-15T23:42:36.965-08:00</updated><category term='conto'/><category term='poesia'/><category term='teatro'/><category term='Legenda do Cidadão Miguel Lino'/><category term='cinema_manhã submersa'/><category term='miguel franco'/><category term='Entrevista com Artur Ramos'/><category term='O MOTIM_entrevista a Miguel Franco por Carlos Benigno da Cruz'/><category term='noticias'/><category term='estudo sobra a obra de M.Franco'/><category term='actor'/><category term='críticas'/><category term='&quot;o Motim&quot;_papeis'/><category term='Visita muito breve_teatro'/><category term='algumas imagens'/><category term='todas as musas'/><category term='homenagem'/><category term='O Motim'/><title type='text'>Miguel Franco</title><subtitle type='html'>Este blogue é documental e destina-se a arquivar e difundir a vida e obra de Miguel Franco não por ordem cronológica,como seria nossa vontade.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-3532224980628034741</id><published>2011-11-29T12:56:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T13:01:18.519-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudo sobra a obra de M.Franco'/><title type='text'>Um homem sem medo não morre!</title><content type='html'>&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 287px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5680525276138258802" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-xek6jaBmTVM/TtVHpFXZQXI/AAAAAAAAHWM/l-0T1dZ360o/s400/capa%2Bde%2Bo%2Bmotim.jpg" /&gt;capa da 1ª edição de "O Motim" de Miguel Franco&lt;br /&gt;com ilustração de Francisco Relógio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas eu não quis só fazer um drama, sim um drama de&lt;br /&gt;outro drama, e ressuscitar Gil Vicente a ver se ressuscitava o&lt;br /&gt;teatro” Almeida Garrett (Prefácio à primeira edição de Um&lt;br /&gt;auto de Gil Vicente)&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O Castelo de Leiria foi construído por D. Afonso Henriques como ponto estratégico na luta&lt;br /&gt;contra os mouros. Tomado pelos exércitos árabes por duas vezes, em ambas foi reconquistado de&lt;br /&gt;volta às linhas cristãs.&lt;br /&gt;Convocadas por D. Afonso III, em 1254, foram lá reunidas as cortes que, pela primeira vez,&lt;br /&gt;congregaram nobreza, clero e povo, possibilitando a participação da classe até então calada nas&lt;br /&gt;decisões reais. O advento das cortes de Leiria seria conhecido posteriormente como o momento de criação do parlamento nacional português.&lt;br /&gt;Durante o reinado de D. Dinis, o rei trovador, serviu de palácio real por diversas ocasiões e,&lt;br /&gt;em meados de 1300, acabou sendo doado, junto com toda a povoação, à rainha santa Isabel, que&lt;br /&gt;passou a morar no castelo e lá criou o herdeiro do trono, o jovem Afonso, futuro Afonso IV de&lt;br /&gt;Portugal, o Bravo, tido como o primeiro grande financiador das explorações atlânticas.&lt;br /&gt;Foi nesse espaço histórico e emblemático que, em junho de 1957, um ator representando o&lt;br /&gt;papel de Gil Vicente dirige-se à “corte” antes da encenação de sua peça A Farsa de Inês Pereira.&lt;br /&gt;Muito respeitosamente e à maneira vicentina, estando já pronto para assumir o papel de Pero&lt;br /&gt;Marques, ele explica ao público o enredo da farsa que se apresentará. Esse ator era Miguel Carlos Franco, também autor do Prólogo que a personagem recitara. Dava-se ali a estreia de um texto da&lt;br /&gt;lavra do autor. A mesma peça, também precedida pelo Prólogo[1], foi montada nos anos seguintes,&lt;br /&gt;igualmente em espaços históricos. Em 1959, esteve nos claustros do mosteiro de Alcobaça e, em&lt;br /&gt;1961, no Convento de Tomar.&lt;br /&gt;Esse tipo de montagem, de uma peça teatral em espaço histórico, apesar de ser evento muito&lt;br /&gt;frequente em terras portuguesas, parece ser representativo da trajetória da obra de Miguel Franco, pois a história de Portugal, em seus eventos e com suas personagens, são a maior fonte em que se alimenta a dramaturgia do autor. No Prólogo, ele encarna o pai do teatro português. Em sua grande obra, O Motim, é vemos a revolta do povo do Porto contra a criação da Companhia de Vinhos do Alto Douro. As personagens de A Legenda do cidadão Miguel Lino anseiam pela chegada das tropas francesas como libertadoras, durante a primeira invasão do século XVIII. Percebe-se claramente a história do país como a sua grande motivação dramática, embora haja alguns trabalhos seus fora desse domínio[2].&lt;br /&gt;Além do exposto, há outro elemento caracterizador desse dramaturgo e ator, que seria a sua&lt;br /&gt;intensa participação cultural e política.&lt;br /&gt;Grande motivador cultural da cidade de Leiria, Miguel Franco foi o fundador, em 1950, do&lt;br /&gt;Grupo de Teatro Miguel Leitão cujas atividades acabam por transcender a sua cidade natal com&lt;br /&gt;duas participações bem-sucedidas nos concursos promovidos pelo Secretariado Nacional de&lt;br /&gt;Informação. A primeira, em 21 de setembro de 1959, leva ao palco a peça Tá-Mar, de Alfredo&lt;br /&gt;Cortez, que conta a história de pescadores da Nazaré. Nessa ocasião, o Grupo consegue, além do&lt;br /&gt;prêmio de Melhor Drama ou Tragédia, o de melhor ensaiador para Miguel Franco. Dois anos&lt;br /&gt;depois, agora no Teatro da Trindade, em Lisboa, em 24 de Setembro de 1961, com a montagem da Farsa de Inês Pereira, antecedida mais uma vez pelo Prólogo do autor, alcança-se o prémio de&lt;br /&gt;melhor comédia ou farsa, além do segundo lugar para Miguel Franco novamente como melhor&lt;br /&gt;ensaiador.&lt;br /&gt;De volta a Leiria, os atores do grupo foram tratados como grandes estrelas. A conquista foi&lt;br /&gt;fortemente sentida pela sociedade leiriense, fato que pode ser tomado como um grande motivador das manifestações culturais da cidade.&lt;br /&gt;Podemos dizer que a aparição do grupo é um dos pontos altos da história do teatro de Leiria.&lt;br /&gt;Já desde o nome da trupe, que homenageia importante figura do teatro leiriense, vê-se o intuito, não de criar uma manifestação nova, mas sim de ligar-se a uma tradição regional e nacional que deveria ser, na opinião de Franco, mais arrojadamente cultivada.&lt;br /&gt;Miguel Joaquim Leitão, que dá nome ao grupo teatral fundado por Franco, nasceu em Leiria,&lt;br /&gt;em 1815, e foi diretor do Teatro São Pedro, assim como proprietário do camarote número 1 da casa&lt;br /&gt;de espetáculos. Pouca documentação existe sobre as peças que teriam sido lá encenadas e os que&lt;br /&gt;foram conservados referem-se apenas a “espetáculos de declamações”. Sabemos, por outro lado,&lt;br /&gt;que são vários os espaços dedicados à atividade. Além do já citado, havia o Teatro do Relego, o da&lt;br /&gt;Palha e do Farelo (ou do Sebo), conforme estudo de João Cabral[3] sobre o Teatro Amador em&lt;br /&gt;Leiria.&lt;br /&gt;A primeira grande intervenção de Miguel Leitão teria sido a proposta de construção do&lt;br /&gt;Teatro Dona Maria Pia, devido ao mau estado de conservação do Teatro São Pedro. Neste último, o&lt;br /&gt;que é também indicativo de uma razoável atividade teatral na cidade, desenvolveram-se as&lt;br /&gt;Sociedades Dramáticas de Leiria e a Sociedade Dramática Recreativa Leiriense.&lt;br /&gt;A partir do ano de 1897, surge o Grupo Dramático Leiriense e a ele sucedem-se diversos&lt;br /&gt;outros grupos teatrais amadores até a década de 1940.&lt;br /&gt;Até que, em 1950, como já foi dito, é fundado o Grupo que será dirigido por Miguel Franco&lt;br /&gt;e que fará, em suas primeiras encenações, mira na recuperação dos clássicos vicentinos. Franco e o grupo realizam diversas apresentações pelo país, procurando sempre os espaços abertos e/ou&lt;br /&gt;históricos para suas montagens. Miguel Franco e o grupo sentem efetivamente pela primeira vez o peso das relações do mundo artístico com o regime salazarista e sua atuação censória ao tentarem encenar a peça O Duelo, de Bernardo Santareno. Estando já com a cenografia e os figurinos completos e pronta para ir à cena, volta o requerimento de apresentação com a negativa da censura. A montagem é proibida antes de sua estreia e nunca irá ao palco com o Grupo Miguel Leitão.&lt;br /&gt;Ainda jovem, Miguel Franco assumiu cargo diretivo do Ateneu Desportivo de Leiria,&lt;br /&gt;associação a que levaria personalidades importantes da cultura e da literatura portuguesa. Nos&lt;br /&gt;eventos, chamados de “Conversas de Sexta-Feira à noite”, estiveram ministrando palestras, além de Bernardo Santareno, amigo pessoal de Franco, Rogério Paulo, Luis Francisco Rebello e Vitorino Nemésio.&lt;br /&gt;Mais tarde, já em 1972, viria a organizar também os “Festivais de Artes de Leiria”, cujo&lt;br /&gt;ponto alto seria a montagem do encenador brasileiro Luiz Tito para a tragédia de Ésquilo, Os&lt;br /&gt;Persas, mais uma vez no Castelo de Leiria.&lt;br /&gt;Enfim, resumindo o que se apresentou até aqui, um agitador cultural. Homem alegre,descontraído e espontâneo no convívio, mas rigoroso em seu trabalho, tinha uma concepção de teatro como algo que não se pode distanciar de uma atitude quase instintiva de escrever e de&lt;br /&gt;encenar. Definia-se como alheio a frases preconcebidas, alinhadas e de efeitos empolgantes. Falava de teatro como de uma necessidade, como um imperativo de todos os homens em torno da comunicação. Possivelmente, toda a experiência que tinha com as teorias teatrais, até então, vinha da prática de ator e do contato com outros encenadores por quem foi dirigido nas inúmeras&lt;br /&gt;montagens teatrais de que participou quando jovem. Não obstante isso, mais tarde, como veremos&lt;br /&gt;em momento oportuno, uma de suas obras traz uma citação do Teatro político, de Erwin Piscator.&lt;br /&gt;Concebia sua relação com o teatro como um impulso, como uma possessão.&lt;br /&gt;Dessa aptidão, que nasce para unir o teatro ao desejo de esclarecimento e de comunicação&lt;br /&gt;inerente aos homens, vem a relação também com a história. Miguel Franco tenciona a percepção do fato histórico como um acidente que deixará sempre marcas nas sociedades vindouras, no&lt;br /&gt;comportamento humano e nas instituições e, talvez por esse motivo, valha a pena ser revisitado.&lt;br /&gt;Além disso, acreditava que a arte deveria estar continuamente próxima do povo. Sempre&lt;br /&gt;insatisfeito, julgava que o teatro deveria ir à busca do público, organizando espetáculos que fossem, ao mesmo tempo, de entendimento popular, mas que também operassem como ferramenta para elevar a um outro patamar a sua percepção. Ou seja, um teatro que fosse um instrumento didático, função maior do gênero para o autor. Crítico contumaz do alargado distanciamento que se faz entre intelectuais e povo, Franco descrevia a população portuguesa como uma multidão cada vez mais distanciada e perdida daqueles que a deviam conduzir. E, ainda segundo ele, como a culpa nunca era do povo, a missão de resgate e reconciliação era dos intelectuais e dos homens da cultura.&lt;br /&gt;Como se pode perceber, um posicionamento, em relação à educação cultural do povo, muito&lt;br /&gt;semelhante à de Lênin. O líder comunista sustentava que o verdadeiro conhecimento precisa ser&lt;br /&gt;ensinado ao proletário pelos intelectuais revolucionários, ao contrário de outros pensadores&lt;br /&gt;marxistas, como Lukács por exemplo, que acreditava ser possível o aparecimento de uma&lt;br /&gt;verdadeira consciência dentro da própria trabalhadora (FREDERICO, 1997).&lt;br /&gt;Com todos esses elementos em mente, nasce a sua maior e mais controversa obra, O Motim,&lt;br /&gt;baseado nos episódios da criação da Companhia de Vinhos do Alto Douro.&lt;br /&gt;No dia 2 de dezembro de 1964, o Teatro Nacional D. Maria II[4] é consumido por um&lt;br /&gt;incêndio de grandes proporções. Inutilizado pelo fogo, o teatro é abandonado pela Companhia&lt;br /&gt;Amélia Rey Colaço–Robles Monteiro que prevê a estreia da temporada de 1965 para Fevereiro,&lt;br /&gt;agora no Teatro Avenida.&lt;br /&gt;O prédio do Avenida é reformado e recebe elogios por parte da imprensa especializada da&lt;br /&gt;época. Uma sala de espetáculos confortável e bem decorada, vigiada pelo busto de Almeida Garrett, que o incêndio do Nacional não conseguira consumir, onde se lia uma faixa com a afirmação: “O Nacional continua”.&lt;br /&gt;Escolheu-se um original português para a abertura da temporada. O primeiro aprovado pelo&lt;br /&gt;Conselho de Leitura do Teatro Nacional foi a peça tida como estreia profissional do dramaturgo&lt;br /&gt;Miguel Franco, já conhecido pelos lisboetas devido às passagens pela cidade com o teatro amador.&lt;br /&gt;Faz-se a noite de abertura em um sábado, 6 de Fevereiro de 1965. Dirigido por Pedro&lt;br /&gt;Lemos, com figurinos e cenários de José Barbosa e com os principais atores da Companhia&lt;br /&gt;Nacional, além da numerosa figuração requerida pelo texto, sobe ao palco o primeiro trabalho&lt;br /&gt;profissional de Miguel Franco nos teatros da capital do país.&lt;br /&gt;Para a estreia da temporada, estavam presentes importantes homens do governo português,&lt;br /&gt;posto que fosse este um dos grandes responsáveis pelo financiamento da reforma do Teatro&lt;br /&gt;Avenida. Via-se na plateia, além do presidente Américo Tomás[5] e sua esposa, os ministros da&lt;br /&gt;Educação Nacional e das Corporações e ainda aquele que seria, futuramente, o sucessor político de Oliveira Salazar, o professor Marcello Caetano.&lt;br /&gt;Lida a efeméride que abre o texto de Franco, a ação da peça transcorre em três atos bastante&lt;br /&gt;delimitados no que toca ao enredo. Em um primeiro, apresentam-se as personagens e os conflitos&lt;br /&gt;principais. Algumas personagens fazem a descrição do que teria sido o motim, que acabara de&lt;br /&gt;ocorrer, pelo ponto de vista das personagens das classes mais baixas e dos comerciantes do Porto. O clima é de festa, pois até o momento o povo parece ter conseguido o que queria, o fim do&lt;br /&gt;monopólio da Companhia sobre a venda dos vinhos produzidos pelos vinicultores da região.&lt;br /&gt;No segundo ato, começam as consequências pelo levante. Por ordem de Sebastião José de&lt;br /&gt;Carvalho, está instalada uma alçada no Porto para interrogatório e julgamento dos amotinados. Há uma grande centralização do poder nas mãos do cruel escrivão José Mascarenhas, filho do&lt;br /&gt;presidente do tribunal, João Pacheco Pereira Vasconcelos. Alguns acusados são interrogados de&lt;br /&gt;forma brutal e outros são mesmo torturados.&lt;br /&gt;No terceiro e último ato, os condenados aguardam a execução e o clima, lúgubre e funesto,&lt;br /&gt;em nada mais lembra os festivos homens do primeiro ato. São feitas referências a um “mundo ao&lt;br /&gt;contrário” e ao homem como “coisa com razão”, assim como ao destino dos que não se sujeitam ao poder totalitário. A peça termina com uma espécie de aforismo, que conclama a resistência: “Um homem sem medo não morre!” (FRANCO, 1965, p. 142).&lt;br /&gt;No dia posterior, os jornais fizeram extensa louvação às performances dos atores, do&lt;br /&gt;encenador e ao texto de Miguel Franco, que foi chamado ao palco e recebeu os aplausos junto com a direção da companhia, na pessoa de Amélia Rey Colaço. Entre os atores mais citados pelas&lt;br /&gt;colunas dedicadas ao teatro dos periódicos estão Raul de Carvalho, como Tomas Pinto “cheio de&lt;br /&gt;vibração e de grandeza de alma”; Varela Silva, como a “violenta personagem do Dr. José&lt;br /&gt;Mascarenhas” ; Manuel Correia, como o Profeta, “um velho ébrio cheio de humanidade”; e, o mais enaltecido, Canto e Castro, como o Advogado Nicolau Araújo, que chega a ser aplaudido em cena aberta.&lt;br /&gt;Ressalvando-se algumas críticas à “tessitura dramática” ou à encenação de Pedro Lemos, as&lt;br /&gt;expressões são uniformes em transmitir o êxito da apresentação. “Uma noite para entrar para a&lt;br /&gt;história do teatro” e “aplauso unânime”, pelo Diário da Manhã. Um evento “destinado a um&lt;br /&gt;grande êxito de bilheteria”, conforme o Diário de Lisboa. Na coluna “Teatro Português”, descrevese a apresentação como um “conjunto muito elevado”, que mereceu “muitos e demorados aplausos”. Alguns dias depois, Antonio Augusto Menano, em sua coluna “Leitura de Teatro”, no Jornal de Notícias, da cidade do Porto concede a Miguel Franco “um lugar na primeira fila dos nossos dramaturgos contemporâneos”.&lt;br /&gt;J. Reis, na coluna “Primeiras Representações”, elogia como “um espetáculo digno; (que)&lt;br /&gt;certamente vai chamar público novo ao Avenida e agradar aos habituais frequentadores”. Em outra das colunas, o jornalista divulga: “O Motim representa-se todas as noites às 21 e 45, realizando-se no sábado a primeira tarde a preços reduzidos”.&lt;br /&gt;No entanto, nem essa próxima apresentação, prometida a preços módicos, chegou a ser feita,&lt;br /&gt;nem o “novo público” teve muitas oportunidades de ver a peça, pois, quatro dias depois, as&lt;br /&gt;apresentações foram brutalmente suspensas.&lt;br /&gt;Tempos depois, um bilheteiro do teatro Avenida contaria a Miguel Franco que, ao fim do&lt;br /&gt;espetáculo, o Presidente Tomás e os ministros de estado desciam a estreita escadaria que vinha dos camarotes quando Marcello Caetano disparou: “Então agora o governo subsidia motins?!”.&lt;br /&gt;Às 14 horas do que seria o quinto dia de apresentações, sob o testemunho de atores que&lt;br /&gt;chegavam ao trabalho e de espectadores que aguardavam a abertura das bilheterias, a P.I.D.E.&lt;br /&gt;invadiu a casa de espetáculos, intimou os bilheteiros a suspenderem a abertura dos guichês, rasgou e confiscou os cartazes da peça.&lt;br /&gt;Tornava-se claro que o conflito do tempo histórico da peça acabava por desvelar outros&lt;br /&gt;conflitos que, mesmo estando parcialmente sufocados, fremiam por vir à superfície. Forçoso dizer&lt;br /&gt;que os interrogatórios conduzidos pelo desumano escrivão da alçada assemelhavam-se por demasia aos atrozes inquéritos da P.I.D.E., assim como a situação da população portuense do século XVIII, calada pelos emissários de Sebastião de Carvalho, aproximava-se muito da situação vivida pela plateia portuguesa na segunda metade do século XX.&lt;br /&gt;Já de volta a casa, Miguel Franco recebe o telefonema da empresária do Nacional que&lt;br /&gt;solicitava sua presença com urgência em Lisboa, para tentar, junto às instâncias oficiais, remediar a proibição. Porém, os mecanismos da censura estavam em desacordo. A peça, apesar de ter sido aprovada pelo Conselho de Leitura do Teatro Nacional, órgão independente da censura, estava agora proibida pela Censura Teatral e nada a faria voltar ao palco do Nacional ou do Avenida. Caia então, pela segunda vez e mais pesadamente, a repressão sobre a arte de Miguel Franco. O próprio teatro foi fechado, sob o pretexto de que faltava ainda concluir as obras, e O Motim não mais voltaria ao Avenida.&lt;br /&gt;A proibição foi profundamente sentida também pelos homens da cultura e da resistência ao&lt;br /&gt;totalitarismo salazarista. Um protesto por escrito é dirigido ao Ministro da Educação Nacional, em que, citando Almeida Garrett, afirma-se o teatro como índice do nível cultural de um povo e pede-se a “imediata abolição das restrições que pesam sobre Teatro Português” (Rebello, 1977, p. 162).&lt;br /&gt;Assinam o protesto mais de cem pessoas e entre os nomes mais conhecidos estão os de Luiz&lt;br /&gt;Francisco Rebello, Sttau Monteiro, Bernardo Santareno, José Cardoso Pires, Alves Redol, Rogério Paulo, Romeu Correia, Mário Soares, Natália Correia, Sophia de Melo Breyner Andresen, Álvaro&lt;br /&gt;Salema, Maria Teresa Horta, João Gaspar Simões, Alexandre Pinheiro Torres, Carlos de Oliveira,&lt;br /&gt;além do próprio Franco[6].&lt;br /&gt;Nesse mesmo ano, a SPA foi fechada e teve a sua sede depredada pela P.I.D.E. por atribuir a&lt;br /&gt;José Luandino Vieira escritor e ativista angolano, preso em Cabo Verde, o Prêmio Camilo Castelo&lt;br /&gt;Branco.&lt;br /&gt;Dias depois, no periódico Correio de Nisa, Ruy Miguel fala em sua crônica, não mais sobre&lt;br /&gt;a peça, mas sobre o texto de Franco. Era fato prosaico, uma peça ter a sua representação proibida,mas poder ser lida livremente[7]. Percebe-se ali uma forma de discordar da proibição d a peça por meio de uma adesão ao ilusionismo histórico proposto pela obra. Segundo o jornalista, o que se veria no texto seria apenas história, no passado, e, mesmo assim, o que ela nos diz é que um homem abusou da confiança nele depositada pelo governo. Mais elogios à “teatralização perfeita de um clima dramático”, mas apenas isso. E a peça demoraria mais vinte anos para voltar à cena.&lt;br /&gt;A partir da década de 60, Miguel Franco envereda pela carreira de ator cinematográfico e faz&lt;br /&gt;diversas participações no cinema, várias delas em adaptações de romances neorrealistas. Estão em sua filmografia os filmes Crime da Aldeia Velha (1964) e O trigo e o joio (1965), ambos de&lt;br /&gt;Manuel Guimarães; Domingo à tarde, de Antonio Macedo (1966); O cerco, de Antonio da Cunha&lt;br /&gt;Telles (1970); Lotação esgotada, de Manuel Antonio (1972); A fuga, de Luis Felipe Rocha (1976);&lt;br /&gt;O rei das berlengas (1978) e Manhã submersa (1980) ambos de Lauro Antonio e Vidas,&lt;br /&gt;novamente com Antonio da Cunha Telles (1984).&lt;br /&gt;Em 1973, Franco trabalha na publicação de A legenda do cidadão Miguel Lino, que recebe&lt;br /&gt;o Prêmio Almeida Garrett, do Ateneu Comercial do Porto. A peça é publicada pela Editora Inova,&lt;br /&gt;em uma coleção intitulada “Teatro para as Quatro Estações”, e recebe boas resenhas em periódicos e revistas, mas não chega a ver o palco. O TEP, Teatro Experimental do Porto, por duas vezes tenta a liberação da encenação, mas em vão. Amélia Rey Colaço tenta também a aprovação da peça para levá-la ao palco do Teatro Capitólio (o Avenida ruíra já em 1967, como o Nacional, sob as chamas de outro incêndio), mas nada alcança.&lt;br /&gt;A legenda do cidadão Miguel Lino, peça que havia sido composta em 1969 e publicada em&lt;br /&gt;1973, precisará esperar o 25 de Abril para subir à cena. Só em 1975, com a encenação de Herlander Peyroteo a peça será apresentada no Teatro Maria Matos[8].&lt;br /&gt;A peça, além de fazer homenagem a personagens da infância de Franco, como o tocador de&lt;br /&gt;ocarina chamado Cecílio[9], trata de um período bastante conturbado da história portuguesa, como já se disse, o das invasões francesas, no século XVIII.&lt;br /&gt;Na página de frontispício, é reproduzida uma das páginas escritas por Erwin Piscator, autor&lt;br /&gt;de Teatro Político[10] e ela delata as intenções da peça e, certamente, de todo o teatro de Miguel&lt;br /&gt;Franco:&lt;br /&gt;A missão do teatro de hoje não pode consistir apenas em relatar&lt;br /&gt;acontecimentos históricos apresentados tal e qual. Deve tirar desses&lt;br /&gt;acontecimentos lições válidas para o presente, adquirir um valor de&lt;br /&gt;advertência mostrando relações políticas e sociais fundamentalmente&lt;br /&gt;verdadeiras e, tentar assim, na medida de suas forças, intervir no curso da&lt;br /&gt;história (PISCATOR apud FRANCO, 1973, p.1).&lt;br /&gt;Piscator, diretor e produtor judeu alemão nascido em 1893, parece exercer papel&lt;br /&gt;fundamental na concepção teatral de Franco e, por conta disso, voltaremos a estudá-lo no capítulo II desse trabalho.&lt;br /&gt;Luiz Francisco Rebello, na Revista Colóquio Letras, fala da grandeza do drama composto&lt;br /&gt;por Miguel Franco, nos seguintes termos: “dos mais ricos e apaixonantes da nossa literatura&lt;br /&gt;dramática contemporânea, não só pela urgência do tema como pelas suas virtualidades cênicas”&lt;br /&gt;[11]. Mais uma vez, como já dissera o próprio Rebello, teatro para ser lido, mas, de acordo com a&lt;br /&gt;censura, impossível de ser encenado.&lt;br /&gt;Além dessas obras históricas, Franco trabalhou também em outras. Algumas delas&lt;br /&gt;terminadas outras que ficaram por finalizar, outras ainda que ficaram nos primeiros rascunhos.&lt;br /&gt;Publicada em 1974, pela Sociedade Portuguesa de Autores, temos Uma visita muito breve,&lt;br /&gt;peça de teatro em um ato, que, com a presença do autor foi encenada na Escola Secundária&lt;br /&gt;Domingos Sequeira, na cidade de Leiria, onde Franco havia estudado, a então Escola Industrial e&lt;br /&gt;Comercial de Leiria.&lt;br /&gt;Já em 1980, sai pela Moraes Editores, O capitão de navios, com o subtítulo de teatro de&lt;br /&gt;divertimento em 3 atos. É de se destacar nessa composição, a presença de um personagem&lt;br /&gt;“Narrador”, remetendo a um componente do teatro épico brechtiano. O capitão de navios mereceu menção de Carlos Porto. Apesar de já findo há anos o salazarismo, a reclamação de Porto no artigo em que procura fazer um balanço do teatro no ano de 1980, assemelha-se muito às antigas queixas: ainda que muitas peças tenham sido escritas, poucas estão sendo encenadas. Além da peça de Franco, a que chama de comédia de costumes, o autor comenta peças de Romeu Correia, Jaime Gralheiro, José Abelaira e José Cardoso Pires[12].Miguel Franco cultivou também a poesia e as narrativas curtas. Sua obra poética publicada resume-se ao volume de Quinta-Feira e outros Poemas, de 1962, publicado pela Coimbra Editora.&lt;br /&gt;Ao contrário do que poderíamos esperar, seus poemas não são panfletários ou diretamente&lt;br /&gt;políticos, embora haja alguns mais diretos, como o que poema “Estoico” que lembra as falas do&lt;br /&gt;personagem de O Motim. Nesse poema, o eu-lírico ordena: “Não chores nunca, rapaz! / Se a ferida é funda, aguenta / Que o chorar só acrescenta / E aumenta / A fraqueza que isso faz!”[13]. Hátambém poemas do cotidiano, de desilusão amorosa e metapoemas, que comentaremos no próximo subcapítulo, dedicado a um panorama da obra de Miguel Franco.&lt;br /&gt;Mas a vida de O Motim ainda não estava encerrada. Em, pelo menos, três grandes ocasiões&lt;br /&gt;ainda voltar-se-ia a fazer reverência à coragem do texto de Franco.&lt;br /&gt;Após o 25 de Abril, os jornais de Lisboa publicam integralmente um comunicado de Amélia&lt;br /&gt;Rey Colaço, em que ela anuncia a participação da Companhia em um movimento de “renascer do&lt;br /&gt;Teatro Português das cinzas da censura”. Essa participação se materializaria por meio de um&lt;br /&gt;“desagravo” dirigido a todos os atores que, durante os anos de ditadura, passaram pela companhia e&lt;br /&gt;foram prejudicados pelo autoritarismo do governo, à própria Companhia Rey Colaço – Robles&lt;br /&gt;Monteiro, aos homens que oficialmente haviam autorizado a encenação de uma peça, depois&lt;br /&gt;retirada brutalmente de cartaz, e, principalmente, ao autor da uma peça, de “valor incontestável” injustamente perseguido e censurado.&lt;br /&gt;Amélia Rey Colaço cita no comunicado uma dezena de peças para as quais propusera&lt;br /&gt;sistematicamente a montagem, mas sempre lhe fora negada a possibilidade. Entre as proibidas, ela destaca duas de Brecht, duas de Bernardo Santareno, além de outras de Stau Monteiro e Natália Correia. Porém, nesse momento de abertura política, em que assumia a direção do país a Junta de Salvação Nacional, a Companhia escolhe levar ao palco a emblemática voz daqueles que se recusaram a calar diante dos arbítrios do poder totalitário. Pouco mais de um mês após a Revolução dos Cravos, voltava ao palco O Motim, de Miguel Franco.&lt;br /&gt;Em Agosto de 1975, um segundo projeto leva a peça de Franco a um público muito mais&lt;br /&gt;amplo que o do teatro. A divisão de Teatro da RTP do Norte, nas mãos do realizador e membro do Teatro Experimental do Porto, Correia Alves, encena um teleteatro com o texto de O Motim. A escolha do texto de Franco se deu por duas razões, segundo o diretor. Primeiro, por ser assunto do Porto, segundo por ser “muito atual, pois sendo uma coisa que se passou há duzentos anos, é um assunto que ainda não está resolvido (...) é um grito do povo contra as coisas estabelecidas e que estão erradas” [14].&lt;br /&gt;E, por fim, em 15 de julho de 1985, quase vinte anos depois dos vergonhosos&lt;br /&gt;acontecimentos que sucederam a estreia de O Motim, no Teatro Avenida, a peça volta a ser&lt;br /&gt;encenada por ocasião das homenagens prestadas a Miguel Franco, em Leiria.&lt;br /&gt;A Câmara Municipal, considerando justa a homenagem a um homem que prestou grandes&lt;br /&gt;serviços à cultura da cidade, planeja uma série de eventos ligados à vida, à obra e às contribuições de Franco à cultura leiriense e portuguesa.&lt;br /&gt;Entre os dias 7 e 31 de julho de 1985, no teatro José Lúcio da Silva, com entradas francas,&lt;br /&gt;sempre às 18h e 30 min, são projetados os filmes dos quais Franco participara como ator. São&lt;br /&gt;apresentados os filmes Domingo à tarde, O cerco, O rei das Berlengas, Manhã submersa, A&lt;br /&gt;culpa e Vidas. Uma exposição sobre as relações de Franco com a sua cidade é organizada no átrio&lt;br /&gt;do mesmo teatro.&lt;br /&gt;Já na sala de conferências da Região de Turismo de Leiria, são apresentadas várias palestras&lt;br /&gt;que versam sobre Miguel Franco. Os diretores dos filmes acima referidos, Antonio Cunha Telles,&lt;br /&gt;Antonio Campos e Lauro Antonio realizam uma conferência sobre O cinema português&lt;br /&gt;contemporâneo, tendo João Guerreiro como moderador.&lt;br /&gt;Com a participação do crítico, dramaturgo e tradutor teatral, Carlos Porto; do crítico,&lt;br /&gt;escritor, encenador e professor Jorge Listopad e do ator Mario Jacques, membro da Companhia doTeatro Nacional que encenara O Motim, no Avenida, em 1965 uma outra conferência tratava dopapel de Miguel Franco na dramaturgia portuguesa.&lt;br /&gt;Por fim, relevantes nomes do teatro português amador e profissional conferenciaram sobre o&lt;br /&gt;papel de Franco como animador cultural. O próprio dramaturgo participou dessa última conferência.&lt;br /&gt;Mesmo o Jornal de Leiria dedicou uma edição única e especial aos eventos de julho de&lt;br /&gt;1985, em que se destacam comunicados de Luiz Francisco Rebello, Jorge Listopad, José Valentim&lt;br /&gt;Lemos, além de uma entrevista que Franco concedeu a João Guerreiro e os relatos de Carlos&lt;br /&gt;Fragateiro sobre a encenação de O Motim.&lt;br /&gt;Em 1985, como num eterno retorno, um texto de Miguel Franco volta ao mesmo espaço da&lt;br /&gt;Igreja da Pena, no Castelo de Leiria. Esse seria, sem dúvida, o ponto alto das homenagens ao&lt;br /&gt;dramaturgo leiriense. Em montagem do TELA, Teatro Experimental de Leiria, sob a direção&lt;br /&gt;artística de Carlos Fragateiro, que viria a ser diretor do D. Maria II e é atualmente professor da&lt;br /&gt;Universidade de Aveiro, O Motim volta ao palco, dessa vez na cidade natal de seu autor. Interessa ressaltar que a menção de Fragateiro ao texto, no Jornal de Leiria, traz mais uma vez, a questão da história como elemento didático e representativo do presente, pois, diz o diretor que, hoje, “novos Mascarenhas constroem, custe a quem custar, novas teias” semelhantes às construídas no passado.&lt;br /&gt;Assim como o teatro de Franco voltava a Leiria, o enredo da sua mais importante peça&lt;br /&gt;voltava a assumir novos significados, ainda que à revelia de seu autor. Perceber esse “eterno&lt;br /&gt;retorno” é, como que, uma maneira de aprender com o passado, e essa é uma das propostas do&lt;br /&gt;teatro de Miguel Franco.&lt;br /&gt;Nessa última montagem, assiste-se, em derradeira oportunidade, a participação de Miguel&lt;br /&gt;Franco como a personagem José Fernandes da Silva, o Juiz do Povo, alcunhado de “Lisboa”.&lt;br /&gt;Completava-se assim parte da história desse leiriense, nascido em 14 de abril de 1918.&lt;br /&gt;Trajetória repleta de ação cultural, mas também de participação política, por certo, em muitas&lt;br /&gt;oportunidades, elementos indissociáveis.&lt;br /&gt;Irmão mais novo de um membro do núcleo clandestino de implantação da república, Franco&lt;br /&gt;fez parte do Grupo de Apoio ao Partido Comunista, organização estruturada de combate clandestino ao regime salazarista. Foi membro também da SEDES (Associação para o Desenvolvimento Econômico e Social), esperando que Marcelo Caetano tivesse a força necessária para, formando um governo de centro, acabar com o fascismo. Porém, com o desgosto da guerra colonial, rapidamente se desencantou com a organização. Participou ainda do Movimento Democrático Português, ligado ao Partido Comunista e, depois da revolução, ao Partido Socialista.&lt;br /&gt;Além disso, um humanista, no sentido de um homem voltado ao espírito literário e&lt;br /&gt;democrático que auto intitulava-se “ateu militante de combate”, apesar de privar de excelentes&lt;br /&gt;relações com o clero de Leiria, a quem dizia que “no dia em que começasse a ser crente, era o&lt;br /&gt;‘sinal’ da existência de Deus”.&lt;br /&gt;Franco veio a falecer em 19 de Fevereiro de 1988, em Queluz. Em 2003, ao equipamento&lt;br /&gt;cultural construído na cidade de Leiria é dado o nome de Teatro Miguel Franco.&lt;br /&gt;Nessas anotações biográficas, estão resumidos os motes que impulsionam a vida de Franco,&lt;br /&gt;não só como dramaturgo e ator, mas também como cidadão: a cultura é parte integrante e&lt;br /&gt;indispensável na vida de um país, mas que ela seja, sempre, motivada e pautada pela realidade&lt;br /&gt;social e histórica, que nela encontre o seu ponto de partida, mas que a ela volte e lá interfira e,&lt;br /&gt;assim, contribua com a sua evolução. Sem dúvida um homem de teatro, talvez não na acepção&lt;br /&gt;ordinária do termo, designando um profissional da categoria ou estudioso da dramaturgia. Mas sim um homem que não conseguia se ver sem o teatro, nem conseguiria reconhecer um país sem ele, embora tenha sofrido, como que parafraseando Garrett, a ausência de civilização necessária ao seu desenvolvimento.&lt;br /&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;FRANCO, Miguel. Quinta-Feira e outros poemas. Coimbra: Editora Coimbra, 1962.&lt;br /&gt;FRANCO, Miguel. O Motim. 2º edição. Lisboa: Europa-América, 1965.&lt;br /&gt;FREDERICO, Celso. Lukács, um clássico do século XX. São Paulo: Moderna, 1997.&lt;br /&gt;PORTO, Carlos. O teatro desde a presença. In.: LOPES, Oscar; MARINHO, Maria de Fátima (dir.).&lt;br /&gt;História da Literatura Portuguesa. Lisboa: Alfa, 2002, v. 7, p. 556 a 573.&lt;br /&gt;PORTO, Carlos. “Balanço do ano literário de 1980 em Portugal / O texto teatral”. In: Revista&lt;br /&gt;Colóquio/Letras. Balanço, n.º 60, Mar. 1981, p. 46-51.&lt;br /&gt;REBELLO. Luis Francisco. Combate por um teatro de combate. Lisboa: Seara Nova, 1977.&lt;br /&gt;REBELLO, Luiz Francisco. “Recensão crítica a Legenda do Cidadão Miguel Lino, de Miguel&lt;br /&gt;Franco” In: Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 16, Nov. 1973, p. 83-84.&lt;br /&gt;REBELLO, Luiz Francisco. 100 anos de Teatro Português (1880-1980). Porto: Brasília Editora,&lt;br /&gt;1984.&lt;br /&gt;FONTES:&lt;br /&gt;Todas as informações sobre Miguel Franco foram conseguidas por meio de entrevista com Maria João Franco e nos recortes dos jornais abaixo (alguns de difícil identificação), pertencentes ao espólio do autor, guardado por sua filha, além do sítio virtual&lt;br /&gt;http://miguel-lino.blogspot.com/ gerenciado também por Maria João Franco.&lt;br /&gt;Havendo concordância, a entrevista e os recortes deverão compor os anexos da tese.&lt;br /&gt;Jornal de Leiria (Julho de 1985)&lt;br /&gt;Entrevista a Carlos Benigno da Cruz (23 de Maio de 1974)&lt;br /&gt;Diário de Lisboa (16 de Setembro de 1975)&lt;br /&gt;Diário de Notícias (1985)&lt;br /&gt;Região de Leiria (Julho de 1985)&lt;br /&gt;Jornal de Artes e Letras (31 de Março de 1965)&lt;br /&gt;Comércio do Porto (Março de 1965)&lt;br /&gt;Tele-semana de Lisboa (22 de agosto de 1975)&lt;br /&gt;Diário de Lisboa (17 de fevereiro de 1972)&lt;br /&gt;Vida Ribatejana (Maio de 1973)&lt;br /&gt;Região de Leiria (Maio de 1973)&lt;br /&gt;Correio de Nisa (15 de maio de 1965)&lt;br /&gt;Região de Leiria (21 de setembro de 1990)&lt;br /&gt;Diário da Manhã (Fevereiro de 1965)&lt;br /&gt;Diário da Manhã (7 de Fevereiro de 1965)&lt;br /&gt;Jornal de Notícias do Porto (01 de Maio de 1965)&lt;br /&gt;Diário de Lisboa (7 de Fevereiro de 1965)&lt;br /&gt;Diário Popular (3 de Fevereiro de 1972)&lt;br /&gt;Diário do Ribatejo (1 de Maio de 1973)&lt;br /&gt;Diário de Lisboa (1965)&lt;br /&gt;[1] Esse prólogo foi intitulado “Fala de Gil Vicente a El-rey Dom João III e a Rainha Dona Caterina&lt;br /&gt;sua esposa em prólogo da representaçam da sua farsa de folgar Inês Pereira estando a corte em&lt;br /&gt;Leiria no verão de 1526”.&lt;br /&gt;[2] Uma apresentação mais detida das obras de Miguel Franco será feita no próximo subcapítulo.&lt;br /&gt;[3] CABRAL, João. O teatro amador em Leiria. Leiria: Assembléia distrital, 1980.&lt;br /&gt;[4] Por muito tempo, “o Teatro Nacional foi gerido por sociedades de artistas que, por concurso, se habilitavam à sua gestão. A mais duradoura foi a de Amélia Rey Colaço / Robles Monteiro que&lt;br /&gt;permaneceu no teatro de 1929 a 1964. Em 1964, o Teatro Nacional foi ‘palco’ de um brutal incêndio que apenas poupou as paredes exteriores. O edifício que hoje conhecemos, e que respeita o original estilo neoclássico, foi totalmente reconstruído e só em 1978 reabriu as suas portas.”&lt;br /&gt;(http://www.teatro-dmaria.pt/Teatro/Historia.aspx)&lt;br /&gt;[5] Américo de Deus Rodrigues Tomás, da União Nacional, foi o último presidente (chefe de&lt;br /&gt;Estado) do Estado Novo Português, derrubado pela Revolução de 25 de Abril de 1974.&lt;br /&gt;[6] Voltaremos a mencionar esse protesto no subcapítulo seguinte, assim como a atuação da Sociedade Portuguesa de Autores na luta contra a censura em Portugal.&lt;br /&gt;[7] Esse fato é mencionado por Rebello (1977, p. 21): “todos os anos se publicam (...) peças de alto&lt;br /&gt;nível artístico, às quais é todavia sistematicamente recusado o acesso ao palco”.&lt;br /&gt;[8] A construção do Teatro decorreu entre 1963 e 1969, com um projeto da autoria do Arquiteto&lt;br /&gt;Barros da Fonseca e abriu as suas portas a 22 de Outubro de 1969. Em 1982, o teatro foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa. (http://www.teatromariamatos.pt/gca/?id=21)&lt;br /&gt;[9] Referência ao Cecílio Flor, que aparece nos contos inéditos e não datados do autor.&lt;br /&gt;[10] Publicado no Brasil pela Civilização Brasileira em 1968.&lt;br /&gt;[11] REBELLO, Luiz Francisco. “Recensão crítica a Legenda do Cidadão Miguel Lino, de Miguel&lt;br /&gt;Franco” In: Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 16, Nov. 1973, p. 83-84.&lt;br /&gt;[12] PORTO, Carlos. “Balanço do ano literário de 1980 em Portugal / O texto teatral”. In: Revista&lt;br /&gt;Colóquio/Letras. Balanço, n.º 60, Mar. 1981, p. 46-51.&lt;br /&gt;[13] FRANCO, Miguel. Quinta-Feira e outros poemas. Editora Coimbra, Coimbra: 1962, p. 50.&lt;br /&gt;[14] Entrevista de Correia Alves a A.S. do periódico Tele-Semana, de 22 de agosto de 1975.&lt;br /&gt;Do “real” ao “ficcional”: O motim de Miguel Franco&lt;br /&gt;From “real” to the “fictional”: O motim by Miguel Franco&lt;br /&gt;Graça Maria Teixeira&lt;br /&gt;Resumo: Através do drama-histórico O motim, Miguel Franco, dramaturgo português, entretece&lt;br /&gt;o factual e o ficcional, criando uma parábola que, pela sua mensagem, seria alvo da censura do&lt;br /&gt;Estado Novo, só subindo aos palcos livremente após a Revolução de 1974. Neste artigo,&lt;br /&gt;analisamos a presença da História nesta ficção e o significado desta no Portugal dos anos 60.&lt;br /&gt;Palavras-Chave: Teatro português, drama-histórico, censura.&lt;br /&gt;Abstract: In The Riot, an historical drama written by Miguel Franco, this Portuguese writer&lt;br /&gt;combines facts and fiction by creating a parable forbidden by censorship in the 60s and only&lt;br /&gt;acted after the Revolution of 1974.In this article, we analyze the presence of the historical facts&lt;br /&gt;in this play as well as its meaning in the Portuguese society of the 60s.&lt;br /&gt;Keywords: Portuguese Theatre, historical drama, censorship.&lt;br /&gt;Na história da dramaturgia portuguesa podemos constatar que vários&lt;br /&gt;foram os autores que visando passar uma mensagem política, social, religiosa&lt;br /&gt;ou de qualquer outra natureza, o fizeram recorrendo ao chamado “drama&lt;br /&gt;histórico”. Porém este conceito encerra um certo paradoxo, ao remeter para&lt;br /&gt;áreas tão diferentes quanto o ficcional (drama) e o factual (histórico). Como&lt;br /&gt;Ana Vasconcelos refere, esta situação dúbia “resulta da confluência de duas&lt;br /&gt;componentes – História e Literatura – que, à partida, parecem situar-se em&lt;br /&gt;esferas, se não opostas, pelo menos de difícil articulação” (2002: 101). Tal não&lt;br /&gt;nos parece ter sido o caso da obra que iremos focar neste nosso trabalho. O&lt;br /&gt;autor em questão, e sobre o qual nos iremos debruçar, soube, com mestria,&lt;br /&gt;articular o factual e o ficcional, (re)criando um acontecimento histórico, que, no&lt;br /&gt;Portugal de 60, marcaria a diferença pela consciencialização política e social&lt;br /&gt;de que se fez mensageiro.&lt;br /&gt;Comecemos por fixar alguns detalhes biográficos de Miguel Carlos&lt;br /&gt;Franco, mais conhecido por Miguel Franco (1918-1987). Nascido em Leiria,&lt;br /&gt;então uma pequena cidade de província, nela exerceria a sua profissão de&lt;br /&gt;gerente comercial, a par das suas atividades de homem de cultura, contista,&lt;br /&gt;ensaiador, dramaturgo, ator, e diretor artístico. Desde cedo se distinguiu nas&lt;br /&gt;letras e, ainda aluno da Escola Comercial e Industrial de Leiria, já se fazia&lt;br /&gt;notar pelos seus dotes de escrita. Mas foi logo em criança que, nos largos da&lt;br /&gt;sua cidade, assistindo aos espetáculos circenses de companhias ambulantes,&lt;br /&gt;o gosto pelo palco se manifestou. A sua rua era o cenário ideal para a&lt;br /&gt;companhia que aos oito ou nove anos de idade já criara, recorrendo aos&lt;br /&gt;amigos para com eles “apresentar” números de teatro, fantoches e circo. Em&lt;br /&gt;adolescente, e tendo-lhe sido reconhecidas características que fariam dele um&lt;br /&gt;“homem de teatro”, foi levado a ingressar num grupo amador existente num&lt;br /&gt;bairro periférico da cidade, onde desde logo se revelou como ator, chegando a&lt;br /&gt;diretor artístico.&lt;br /&gt;A atividade na área do teatro viria pois a consolidar-se em Leiria,&lt;br /&gt;através da entrada para o Grupo Dramático Miguel Joaquim Leitão e, mais&lt;br /&gt;tarde, para o Grupo de Teatro Miguel Leitão (ambos de teatro amador), no qual&lt;br /&gt;colabora durante trinta anos, arrecadando vários prémios.&lt;br /&gt;Numa cidade de cariz provinciano, muito fechada, onde ainda se&lt;br /&gt;respirava muito do ambiente descrito por Eça n‘O Crime do Padre Amaro,&lt;br /&gt;Miguel Franco toma a seu cargo a dinamização de várias iniciativas culturais,&lt;br /&gt;devendo-lhe Leiria muito dos seus períodos áureos de atividade teatral.&lt;br /&gt;Destacamos, como exemplo, em 1972 os Festivais de Arte de Leiria. No seu&lt;br /&gt;âmbito, conseguiu levar à cena a peça de Ésquilo, Os Persas, tendo por&lt;br /&gt;cenário o magnífico castelo medieval da urbe, um dos mais belos da Europa&lt;br /&gt;(nesse local, levaria, mais tarde, com grande sucesso, uma peça vicentina).&lt;br /&gt;Em 1973, já no espaço do novíssimo Teatro José Lúcio da Silva, edifício&lt;br /&gt;oferecido ao município por este benemérito comendador leiriense, emigrado no&lt;br /&gt;Brasil. Miguel Franco apresentou então, a partir de uma peça de Strindberg,&lt;br /&gt;remodelada e atualizada, o texto A Dança da Morte em Doze Assaltos. Em&lt;br /&gt;1974, dirigiu a companhia Os Bonecreiros – Teatro Laboratório de Lisboa na&lt;br /&gt;peça A Mosqueta, do italiano Ruzanté. Em Maio desse mesmo ano, seria a vez&lt;br /&gt;de apresentar História do Jardim Zoológico de Edward Albee, e já após Abril de&lt;br /&gt;74, faria subir ao palco a peça de B. Brecht, O Terror e a Miséria do III Reich,&lt;br /&gt;resultado da sua colaboração na companhia do Teatro da Cornucópia, uma&lt;br /&gt;companhia de teatro experimental de Lisboa. Para além do teatro, muitas&lt;br /&gt;foram as atividades culturais promovidas por Miguel Franco a bem da sua&lt;br /&gt;cidade. Lembramo-nos, por exemplo, de um notável ciclo de “Conversas”, para&lt;br /&gt;o qual convidou nomes bem conhecidos: Vitorino Nemésio, David Mourão&lt;br /&gt;Ferreira, José Augusto-França, entre outros.&lt;br /&gt;O apelo da sétima arte também se fez sentir e, em 1963, estreia-se&lt;br /&gt;em duas curtas-metragens onde ensaia os seus dotes de ator cinamatográfico.&lt;br /&gt;Após essa “experiência”, iniciou uma série de presenças em filmes nacionais e&lt;br /&gt;estrangeiros, dos quais citamos apenas alguns: 1963, O Crime da Aldeia Velha&lt;br /&gt;de Manuel de Guimarães; em 1964, Triângulo Circular de Pierre Kast; em&lt;br /&gt;1965, Domingo à Tarde de António Macedo (filme levado ao Festival de&lt;br /&gt;Berlim); em 1966, Uma Abelha na Chuva de Fernando Lopes; em 1970, O&lt;br /&gt;Cerco de António da Cunha Telles (filme presente a concurso nos festivais de&lt;br /&gt;Cannes e de San Sebastian, com Miguel Franco no principal papel masculino);&lt;br /&gt;em 1978/9, Manhã Submersa de Lauro António (da obra homónima de Vergílio&lt;br /&gt;Ferreira); em 1983, Vidas de A. Cunha Telles.&lt;br /&gt;Vivendo em Leiria procurava frequentemente Lisboa, onde se&lt;br /&gt;encontrava com pessoas de renome ligadas às letras – Bernardo Santareno,&lt;br /&gt;Luís Francisco Rebello, Romeu Correia, Urbano Tavares Rodrigues, e muitos&lt;br /&gt;outros. Acompanhava-os em palestras e mesas-redondas, falando,&lt;br /&gt;naturalmente, de teatro. Em março de 1970 está presente na reunião para a&lt;br /&gt;elaboração do projeto dos estatutos de uma futura associação portuguesa de&lt;br /&gt;escritores, junto com o escritor e jornalista Sousa Tavares, o romancista Carlos&lt;br /&gt;Oliveira, o intelectual António Quadros, sob a presidência de Luís Francisco&lt;br /&gt;Rebello, acompanhado do futuro Nobel José Saramago, e do académico Óscar&lt;br /&gt;Lopes. Mais tarde, em janeiro de 1974, entra para a Comissão Cultural&lt;br /&gt;Literária, já como elemento ativo da SPA – Sociedade Portuguesa de Autores.&lt;br /&gt;Da obra de Miguel Franco temos notícia de uma comédia regional&lt;br /&gt;inédita, datada de 1948, intitulada Rosa Benedita. Já em 1957, escreve um&lt;br /&gt;texto “em redondilha de sabor vicentino” que o autor denominaria de Prólogo, e&lt;br /&gt;que antecedia as representações da Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente,&lt;br /&gt;incluída no repertório do Grupo de Teatro Miguel Leitão. Aliás, o fundador do&lt;br /&gt;teatro português inspiraria Miguel Franco e levá-lo-ia, nas suas próprias&lt;br /&gt;palavras, a procurar “essa resina que escorre, seivosa e corada, dos&lt;br /&gt;saborosos autos de Gil Vicente”. Em 1962 faz uma incursão pela poesia, tendo&lt;br /&gt;chegado até nós o livro Quinta feira e outros poemas, em edição do autor, cuja&lt;br /&gt;temática remetia em grande parte para o mar, a mulher e a cidade. Seria, no&lt;br /&gt;entanto, em 1963, com a publicação da obra a que adiante nos referiremos&lt;br /&gt;com mais detalhe, O motim, que alcançaria uma projeção nacional,&lt;br /&gt;consolidada, dois anos mais tarde, com a peça Legenda do Cidadão Miguel&lt;br /&gt;Lino, objeto do prémio Almeida Garrett, atribuído pelo Ateneu Comercial do&lt;br /&gt;Porto. Nela volta a uma temática de cariz histórico, pouco trabalhada na nossa&lt;br /&gt;dramaturgia nacional: as invasões francesas.&lt;br /&gt;Publicou, em 1974, Visita muito breve, peça em um ato, difundida pela&lt;br /&gt;então Emissora Nacional que versava a problemática da emigração. Inédita&lt;br /&gt;permanece ainda a sua peça Capitão Durand e, de uma encomenda da&lt;br /&gt;Secretaria de Estado da Cultura viria a resultar, nos inícios de 1979, e ainda&lt;br /&gt;para a Rádio, a peça O Capitão de Navios, considerando-a Miguel Franco&lt;br /&gt;apenas “uma peça para divertimento”. Como contista, deixou-nos o livro&lt;br /&gt;Passeio do Reno, onde inclui o conto “Cecílio Flor”, baseado num pobre cego,&lt;br /&gt;seu conhecido, tocador de ocarina nas ruas da cidade, e que, mais tarde, em A&lt;br /&gt;Legenda, aproveitaria para dar corpo à personagem “Cecílio”.&lt;br /&gt;Portugal, anos 60 - o papel da censura&lt;br /&gt;A abordagem ao texto dramático O motim, e o que viria a acontecer&lt;br /&gt;imediatamente após as primeiras representações desta peça, não ficariam&lt;br /&gt;claros sem uma referência ao Portugal dos anos 60. Década de profundas&lt;br /&gt;mudanças, verificar-se-ia logo no início da mesma uma lenta viragem à&lt;br /&gt;Europa, e novos “ventos” viriam influenciar os quadrantes da sociedade e da&lt;br /&gt;cultura. Procurado por milhares de turistas, há, claramente, no país, uma&lt;br /&gt;aculturação que se intensifica com o fenómeno da emigração. Com a saída em&lt;br /&gt;massa de mão de obra masculina, o mercado de trabalho abre-se às mulheres,&lt;br /&gt;dando-se uma feminização da força laboral, o que em muito contribuiu para&lt;br /&gt;uma mudança de mentalidades na visão do papel das mulheres na sociedade,&lt;br /&gt;começando estas a ganhar voz. Marcante foi também a movimentação de&lt;br /&gt;milhares e milhares de jovens que, por via da vida militar ou escolar,&lt;br /&gt;entreteceram e fomentaram uma forte rede de hábitos e costumes, abrindo-se,&lt;br /&gt;por sua vez, a novas ideias e ideais.&lt;br /&gt;Ainda em 60, e na educação, registou-se um acréscimo significativo da&lt;br /&gt;população escolar desde o básico ao superior, embora não fosse o suficiente&lt;br /&gt;para se alcançar a situação sócio-cultural (e económica) de quase todos os&lt;br /&gt;países da Europa Ocidental. No entanto, a classe média aspirava já a outros&lt;br /&gt;níveis de oferta, quer no que respeita à área social, quer à cultural, verificandose,&lt;br /&gt;nesta década, um aumento acentuado no número de museus e bibliotecas,&lt;br /&gt;com uma duplicação no número de leitores. O mesmo aconteceu com a&lt;br /&gt;imprensa escrita: o número de jornais e publicações disparou, num país em&lt;br /&gt;que os hábitos de leitura se fixavam abaixo do desejável. Quanto ao&lt;br /&gt;audiovisual, a década de 60 viu aparecer a televisão, que rapidamente se&lt;br /&gt;impôs no dia a dia dos portugueses, alterando os seus hábitos sociais e&lt;br /&gt;familiares. Agora, dentro dos lares, outras realidades surgiam, despertando&lt;br /&gt;outros interesses e necessidades.&lt;br /&gt;Não poderíamos falar desta década sem mencionar a situação políticomilitar&lt;br /&gt;que o país vivia, desde 1961, com o eclodir da chamada “guerra&lt;br /&gt;colonial”. Iniciada em Angola e rapidamente alargada a todas as outras&lt;br /&gt;“províncias ultramarinas”, esta realidade condiciona toda a vida dos&lt;br /&gt;portugueses e será ainda motivo de um fortalecimento da censura em todas as&lt;br /&gt;áreas.&lt;br /&gt;Esta presença censória, após um alívio sentido no período do pósguerra,&lt;br /&gt;com a derrota do nazismo-fascismo e a subsequente crítica aos&lt;br /&gt;poderes ditatoriais, volta a acentuar-se na vida cultural, e, muito&lt;br /&gt;principalmente, sobre a produção dramática, fazendo-se sentir na recorrente&lt;br /&gt;proibição de peças. Em 1962, por exemplo, o dramaturgo Luís de Sttau&lt;br /&gt;Monteiro viu proibida a sua peça Felizmente Há Luar!, e a própria tipografia,&lt;br /&gt;onde a segunda edição se compunha, foi completamente queimada e&lt;br /&gt;vandalizada, tendo-se mesmo concretizado a detenção dos tipógrafos. Nem a&lt;br /&gt;“primavera marcelista”, com o seu Exame Prévio, traria a liberalização tão&lt;br /&gt;ansiada sobre o que se escrevia ou o que se dizia.&lt;br /&gt;Apesar de tudo, bem a meio da década, em março de 1965, o ano&lt;br /&gt;parecia apresentar bons auspícios: o reaparecimento da Companhia Nacional&lt;br /&gt;a trabalhar no Teatro da Trindade, duas novas companhias teatrais, a abertura&lt;br /&gt;de mais uma casa de teatro (o Teatro Villaret, em homenagem a esse grande&lt;br /&gt;homem da palavra, João Villaret) e novos espetáculos. Até a companhia de&lt;br /&gt;Amélia Rey-Colaço, por força do terrível incêndio de 2 de dezembro do ano&lt;br /&gt;anterior (1964), o qual arrasou o espaço que ocupava, o Teatro Nacional D.&lt;br /&gt;Maria II, voltava a trabalhar, instalada agora no recém-recuperado Teatro&lt;br /&gt;Avenida. E, bem conscientes da força interventiva do teatro, surgem várias&lt;br /&gt;companhias dramáticas formadas por gente jovem com vontade de fazer teatro&lt;br /&gt;de autor e teatro de encenador, isto é, um teatro alternativo ao meramente&lt;br /&gt;comercial e para um público mais exigente, embora muito centrado na capital.&lt;br /&gt;No resto do país, salvo algumas digressões de companhias sedeadas em&lt;br /&gt;Lisboa, apenas graça a grupos de teatro amador, entre os quais o já referido&lt;br /&gt;Grupo de Teatro Miguel Leitão, se ia mantendo viva a presença do teatro em&lt;br /&gt;cidades e vilas.&lt;br /&gt;Desde sempre o teatro se mostrou como um meio de revelar angústias,&lt;br /&gt;medos, ansiedades, alegrias e revoltas. Em vários países e em várias épocas,&lt;br /&gt;a censura sempre atuou sobre a capacidade que este tem de fazer agir, ou de&lt;br /&gt;se fazer eco da sociedade, possibilitando um pensar coletivo. Consciente disto,&lt;br /&gt;em Portugal, e através da censura, o regime mantinha proibidos de serem&lt;br /&gt;representados nomes como o de Bertold Brecht, Peter Weiss, Jean Paul&lt;br /&gt;Sartre, Arthur Miller; mas também obras de Moliére, B. Shaw, Shakespeare, e&lt;br /&gt;até mesmo de Gil Vicente foram impedidas de subirem ao palco.&lt;br /&gt;Seria, pois, difícil escapar O motim à força desta ação censória.&lt;br /&gt;Escolhida para abrir a época de 65, da reputada companhia Amélia Rey&lt;br /&gt;Colaço – Robles Monteiro, após a catástrofe a que já aludimos, ver-se-ia a&lt;br /&gt;mesma, ao fim de cinco dias de representação, banida do repertório e o nome&lt;br /&gt;de Miguel Franco proibido de aparecer em toda e qualquer publicação nacional&lt;br /&gt;(na verdade, já não viria nesse ano a ser mencionado num artigo intitulado&lt;br /&gt;“Balanço do Ano Teatral”). Procuradas as causas para tal arbitrariedade,&lt;br /&gt;percebeu-se que o censor teria considerado que a mesma continha uma forte&lt;br /&gt;instigação à revolta popular; sabemos, porém, que também as ligações e&lt;br /&gt;ideologias políticas seguidas pelos autores eram razão suficiente para que os&lt;br /&gt;mesmos fossem impedidos de verem concretizadas em palco as suas obras.&lt;br /&gt;Contra esta absurda decisão, reagiram com veemência os intelectuais&lt;br /&gt;da época, enviando ao então chefe do governo, Prof. Marcelo Caetano, o&lt;br /&gt;manifesto “Protesto contra a proibição da peça O motim”, lembrando, entre&lt;br /&gt;outros considerandos, os malefícios que outrora a censura inquisitorial trouxera&lt;br /&gt;à arte dramática. Porém, sem quaisquer resultados (Miguel Franco veria,&lt;br /&gt;também, a sua peça Legenda do Cidadão Miguel Lino ser alvo da mesma&lt;br /&gt;censura; esta só seria representada após Abril de 74).&lt;br /&gt;Voltando a O motim, os claros paralelismos que a peça apresentava&lt;br /&gt;foram, sem dúvida, a razão principal de tão radical banimento. Miguel Franco&lt;br /&gt;tinha “ousado” colocar o público perante duas leituras possíveis da sua obra: a&lt;br /&gt;da própria História e a da revolta de um povo contra o poder totalitário.&lt;br /&gt;Porto, 1757 - o motim&lt;br /&gt;Terá sido a partir de uma efeméride lida num jornal, que Miguel Franco&lt;br /&gt;trabalhou a ideia que viria a resultar nesta sua obra O motim. Numa conversa&lt;br /&gt;com o seu amigo, o dramaturgo Bernardo Santareno, pediu-lhe que fosse ele a&lt;br /&gt;pegar no tema; porém, consciente das potencialidades de Miguel Franco,&lt;br /&gt;Santareno logo o entusiasmou a concretizar, ele mesmo, a sua escrita.&lt;br /&gt;Mergulhou então numa procura de documentos coevos e testemunhos&lt;br /&gt;literários (por exemplo, Um motim há cem anos, do escritor Arnaldo Gama),&lt;br /&gt;que o levassem a perceber os acontecimentos de 1757, passados no Porto,&lt;br /&gt;cidade já então conhecida pelo seu indomável espírito liberal.&lt;br /&gt;É fundamental referir que a tradição económica desta região assentava&lt;br /&gt;há muito na produção vinícola e no comércio e profissões que se desenvolviam&lt;br /&gt;à sua volta: armazenistas, tanoeiros, vinhateiros, taberneiros, mercadores,&lt;br /&gt;exportadores, barqueiros, e até corporações religiosas. Em meados do século&lt;br /&gt;XVIII já estas actividades tinham alcançado um forte desenvolvimento com as&lt;br /&gt;exportações do vinho do Porto, muito principalmente para Inglaterra. No&lt;br /&gt;entanto, a pressa na obtenção de lucros fáceis resultou numa crescente&lt;br /&gt;adulteração da qualidade deste produto, o que levou a que os principais&lt;br /&gt;clientes, os ingleses, o tivessem considerado prejudicial para a saúde; em&lt;br /&gt;consequência, rapidamente os preços baixaram, as exportações diminuíram,&lt;br /&gt;resultando num descalabro económico para toda a região, o que viria a agravar&lt;br /&gt;as vicissitudes já sentidas em anos vinícolas anteriores. A vulnerabilidade&lt;br /&gt;reconhecida a uma área que devia ser protegida e o quase monopólio&lt;br /&gt;mercantil exercido pelas feitorias inglesas levaram a que fosse solicitada a&lt;br /&gt;intervenção do próprio rei, D. José I, e do seu Secretário de Estado, Sebastião&lt;br /&gt;José de Carvalho e Melo, mais tarde Marquês de Pombal. A Lisboa chegou&lt;br /&gt;então Frei João de Mansilha, o qual expôs a necessidade de se criar uma&lt;br /&gt;Companhia Geral que fizesse face à crise que se vinha abatendo na produção&lt;br /&gt;e comércio do vinho da região. Foi de imediato aceite esta pretensão, e em 31&lt;br /&gt;de Agosto de 1756 instituía-se a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas&lt;br /&gt;do Alto Douro, à qual foram conferidos desde logo poderes majestáticos.&lt;br /&gt;Não passaria muito tempo até que se fizessem sentir as primeiras&lt;br /&gt;manifestações de todos os que se sentiam lesados pela atuação da&lt;br /&gt;Companhia, quando esta quebrou com hábitos antigos de relação com o vinho&lt;br /&gt;e os privilégios detidos até então - na senda dos princípios mercantilistas de&lt;br /&gt;proteção e monopólio que caracterizaram a gestão de Pombal. Os interesses&lt;br /&gt;instalados foram fortemente lesados: na cidade, a Companhia fechou nove em&lt;br /&gt;cada dez tabernas, (havia cerca de 600 a 1.000 tabernas por essa altura)&lt;br /&gt;apropriando-se do monopólio da comercialização e exportação de todos os&lt;br /&gt;vinhos; só ela podia vender vinho a retalho na cidade e arredores, só ela podia&lt;br /&gt;exportar para o Brasil as aguardentes, os vinhos e o vinagre.&lt;br /&gt;O mau estar instalado era propício a revoltas contra a situação&lt;br /&gt;imposta, pois as medidas tomadas tinham, em pouco tempo, arruinado os&lt;br /&gt;pequenos proprietários e os seus empregados. Querendo afirmar o seu&lt;br /&gt;protesto contra este estado de coisas, e aproveitando o clima de euforia que se&lt;br /&gt;tinha vivido nos anteriores dias de Entrudo, o povo da cidade juntou-se em&lt;br /&gt;bandos, nessa quarta-feira de Cinzas, 23 de Fevereiro do ano de 1757.&lt;br /&gt;Mulheres, rapazio e, segundo o historiador Lúcio de Azevedo (1990:131),&lt;br /&gt;“vadios, soldados, colarejas, meretrizes, escravos, a ralé da cidade”&lt;br /&gt;deslocaram-se até à casa do Juiz do Povo, o alfaiate e taberneiro José&lt;br /&gt;Fernandes da Silva, a fim de afirmarem o seu protesto. Para a História ficaram&lt;br /&gt;os seus nomes, que dão bem a imagem das suas profissões e do seu estatuto&lt;br /&gt;social: “Negres”, “Maria Pinta”, “Carinha de Meio-Tostão”, “Estrelada”, “Cheta”,&lt;br /&gt;“Brejeira” e tantos outros.&lt;br /&gt;Embora contrariado, o Juiz seguiu “em cadeirinha” para casa do&lt;br /&gt;Chanceler Bernardo Duarte de Figueiredo, a fim de lhe ser apresentado um&lt;br /&gt;requerimento, anteriormente elaborado, e que pedia a extinção oficial da&lt;br /&gt;Companhia. Amedrontado com a multidão e a fim de acalmar os ânimos, este&lt;br /&gt;anuiu, decretando o retorno à situação que vigorava antes da fundação da&lt;br /&gt;mesma. Seguiu então o povo para casa do Provedor da Companhia, Beleza de&lt;br /&gt;Andrade, a qual, no excesso da euforia, foi assaltada, tendo sido alvo de&lt;br /&gt;avultados prejuízos. Deu-lhes porém resposta um criado, atirando uns tiros de&lt;br /&gt;bacamarte, o que exaltou a multidão que vandalizaria os próprios escritórios da&lt;br /&gt;Companhia, enquanto era chamado o Corpo da Guarda, para dominar a situação.&lt;br /&gt;Assim aconteceu e pelas quinze horas já tudo se mostrava calmo,&lt;br /&gt;saindo à rua as tradicionais procissões de Quarta-Feira de Cinzas. Tudo&lt;br /&gt;parecia ter voltado ao normal, mas para Lisboa seguiria o relato de tudo o que&lt;br /&gt;se passara, em carta assinada pelo Senado da Câmara do Porto. Dias depois,&lt;br /&gt;e perante o espanto geral da população, Carvalho e Melo fez deslocar para a&lt;br /&gt;cidade um Juiz da Alçada com “ilimitada jurisdição” (cf. Sentença: 2), a fim de&lt;br /&gt;proceder à devassa sobre os tumultos, ou arruaça, como muitos lhe&lt;br /&gt;chamaram. O escolhido foi o Desembargador João Pacheco Pereira de&lt;br /&gt;Vasconcelos, homem dos mais ricos da região do Douro e que detinha no&lt;br /&gt;Porto vários cargos de nomeada; para escrivão, viria seu filho, José de&lt;br /&gt;Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo, membro reconhecido de várias&lt;br /&gt;academias e associações literárias e científicas, embora tivesse passado à&lt;br /&gt;História como um homem cruel, de poucos ou mesmo nenhuns escrúpulos, e&lt;br /&gt;de grande ambição. O que não passara de uma “arruada” fora visto como um&lt;br /&gt;verdadeiro motim e D. José I emitiria mesmo uma carta, referindo que&lt;br /&gt;quaisquer impedimentos à execução das ordens régias seriam considerados&lt;br /&gt;delito de lesa-majestade.&lt;br /&gt;A chamada “revolta do vinho” ou “revolta dos borrachos” (cf. Azevedo,&lt;br /&gt;1990:131), onde segundo alguns elementos afetos a Pombal estaria mão de&lt;br /&gt;jesuítas ou de grandes negociantes ingleses e portugueses, resultou num&lt;br /&gt;processo que sentenciou 424 homens e 54 mulheres do povo, por crime de&lt;br /&gt;alta traição e de lesa-majestade da primeira cabeça. Foi um ato absolutamente&lt;br /&gt;desproporcionado, que atingiu “gentalha esfrangalhada e piranga” (Camilo&lt;br /&gt;Castelo Branco, 1982:136), a qual foi submetida à tortura, despojada dos seus&lt;br /&gt;bens, separada de filhos e cônjuges, tendo muitos sido açoitados, enviados&lt;br /&gt;para o degredo ou mesmo mortos na forca. A sentença da Alçada foi publicada&lt;br /&gt;no dia 12 de Outubro desse mesmo ano e dois dias depois tinham sido&lt;br /&gt;enforcados treze homens (latoeiros, tanoeiros, criados…) e quatro mulheres&lt;br /&gt;(uma que se encontrava grávida, seria executada logo após o nascimento da&lt;br /&gt;criança).&lt;br /&gt;A cidade, também ela condenada, suportou pesadas penas que se&lt;br /&gt;traduziram em largos meses de sofrimento, uma vez que, para que ficasse de&lt;br /&gt;exemplo a todos os que ousassem opor-se à vontade de Sebastião José de&lt;br /&gt;Carvalho e Melo, foi ordenado que se expusessem as cabeças decepadas e os&lt;br /&gt;corpos esquartejados dos enforcados por toda a cidade, mas, muito&lt;br /&gt;principalmente, nas ruas onde se julgava ter tido início o “motim”. Algum tempo&lt;br /&gt;depois, e por questões de saúde pública, transferiram-se os mastros para as&lt;br /&gt;entradas da cidade onde ficariam durante todo o inverno. Também durante&lt;br /&gt;cinco longos meses a população mais desfavorecida teve de dar aboletamento&lt;br /&gt;a cerca de 2.300 homens dos batalhões deslocados para a cidade, com todos&lt;br /&gt;os prejuízos que daí advinham.&lt;br /&gt;O motim&lt;br /&gt;Foi, como já referimos, da leitura desta efeméride que Miguel Franco&lt;br /&gt;partiu para a escrita de O motim. O autor encontrou, claramente, paralelismos&lt;br /&gt;entre a prepotência exercida sobre o povo na centúria de setecentos e a que&lt;br /&gt;subjugava Portugal, na década de 60, em pleno século XX. Procurando uma&lt;br /&gt;certa distanciação temporal, a fim de a peça ultrapassar as apertadas malhas&lt;br /&gt;da censura, Miguel Franco aspirava porém que o público reconhecesse uma&lt;br /&gt;forte analogia presente no enredo: o exercício de um despotismo pela força&lt;br /&gt;das armas e a subjugação de um povo por imposição de um enclausuramento&lt;br /&gt;económico, cultural e ideológico.&lt;br /&gt;Foi este paralelismo entre o poder absolutista de Carvalho e Melo e a&lt;br /&gt;ditadura do Estado Novo que levou a que a peça fosse retirada e proibida.&lt;br /&gt;Mário Castrim, cronista e crítico de teatro, escreveria em 1975 que O motim&lt;br /&gt;teria sido “uma carta com endereço bem legível e que não enganava ninguém”.&lt;br /&gt;Na verdade, partindo dos referentes históricos que suportam as figuras&lt;br /&gt;dramáticas e demais elementos que as contextualizam, Miguel Franco&lt;br /&gt;(re)constrói nesta sua obra dramática os acontecimentos vividos em 1757,&lt;br /&gt;orientando o público para a leitura da sua “parábola”.&lt;br /&gt;Na estrutura externa deste texto dramático deparamos, logo no seu&lt;br /&gt;início, com a transcrição da notícia da efeméride já por nós referida, e lida por&lt;br /&gt;Miguel Franco no jornal Primeiro de Janeiro, bem como uma passagem da&lt;br /&gt;obra Recordações, do viajante e cronista Jacome Ratton, na qual este se&lt;br /&gt;reporta aos acontecimentos de 1757, segundo o que “pessoas de crédito” lhe&lt;br /&gt;teriam narrado no final desse ano, aquando da sua passagem pelo Porto. Uma&lt;br /&gt;marca espácio-temporal, no final da nomeação das personagens, refere:&lt;br /&gt;“CIDADE DO PORTO, Ano de 1757”, anulando qualquer dúvida sobre o&lt;br /&gt;espaço e o tempo que irão iniciar o processo comunicativo.&lt;br /&gt;A peça organiza-se em três atos. Em palco, “uma adega atabernada”,&lt;br /&gt;a taberna do Justino (remetendo para homem justo) que irá servir também de&lt;br /&gt;cenário ao Tribunal da Alçada, remetendo para a importância do comércio do&lt;br /&gt;vinho em todo este processo. A inclusão de figuras significadoras, apoiando as&lt;br /&gt;figuras representadoras (estas de cariz histórico e factual), é fundamental para&lt;br /&gt;o reconhecimento dos factos, do clima que se vivia e da mensagem a passar.&lt;br /&gt;O primeiro personagem a entrar em cena é o Profeta, que, tal como o nome&lt;br /&gt;indica, deixará antever, ao longo das suas falas, a tragédia que se prefigura.&lt;br /&gt;PROFETA – Então eu vou cantar…às desgraças do Porto!...&lt;br /&gt;VOZES – Acabaram-se as desgraças! […]&lt;br /&gt;PROFETA (olhos tristes) – Acabaram-se?!&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;PROFETA (mais profundo) - …Acabaram-se!&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;TOMÁS PINTO (dando com o Profeta) – Então vossemecê fica por&lt;br /&gt;aí?&lt;br /&gt;PROFETA (levantando lentamente os olhos) – Eu fui o primeiro a&lt;br /&gt;cair!&lt;br /&gt;Os paralelismos presentes na obra comprovavam-se na escolha das&lt;br /&gt;personagens, nas marcas de tempo, de espaço e na própria ação. Atentemos&lt;br /&gt;em alguns:&lt;br /&gt;Personagens d’ O motim Registos na Cópia da Sentença&lt;br /&gt;Estrelada Custódia Maria a Estrelada&lt;br /&gt;Negres António de Sousa de alcunha o Negres&lt;br /&gt;Cheta – “moinante, embrcado” José Ribeiro Oleiro, e Mariheiro, de&lt;br /&gt;alcunha o Cheta.&lt;br /&gt;Maria Pinta, mulher do Negres Maria Pinta, […] casada com […] António&lt;br /&gt;de Sousa o Negres.&lt;br /&gt;Advogado Nicolau Araújo Bacharel Nicolau da Costa Araújo&lt;br /&gt;Luís Beleza de Andrade, Vereador da&lt;br /&gt;Câmara do Porto e Provedor da Companhia&lt;br /&gt;Provedor […] Luís Beleza de Andrade&lt;br /&gt;José Fernandes da Silva, Juiz do Povo, o&lt;br /&gt;“Lisboa&lt;br /&gt;José Fernandes da Silva de alcunha o&lt;br /&gt;Lisboa&lt;br /&gt;Curioso, e como se de uma homenagem se tratasse, é o facto de&lt;br /&gt;Miguel Franco ter tido a preocupação de lembrar muitos outros nomes dos que&lt;br /&gt;foram sentenciados e que, não participando enquanto personagens, são por&lt;br /&gt;estas nomeados. Mas continuemos com mais alguns paralelismos,&lt;br /&gt;consubstanciados a partir das didascálias explícitas e implícitas (sublinhados&lt;br /&gt;nossos):&lt;br /&gt;Paralelismo de tempo:&lt;br /&gt;Da Carta do Senado da Câmara do Porto ao Rei: “…dia em que concorre toda a&lt;br /&gt;vizinhança desta cidade a ver a procissão dos Terceiros de S. Francisco…”.&lt;br /&gt;N’ O motim (1.º Ato, p. 34, 35):&lt;br /&gt;JUSTINO – […] Depois da procissão, …&lt;br /&gt;(Ouve-se um sino, concitando os fiéis para a procissão de S. Francisco).&lt;br /&gt;Paralelismo de espaço:&lt;br /&gt;Da Carta do Senado da Câmara do Porto ao Rei de 25 de Fevereiro de 1757: “… à&lt;br /&gt;porta do mesmo Chanceler que serve de Governador fizeram diliga para lha entrarem&lt;br /&gt;nas casas,…”.&lt;br /&gt;N’ O motim (1.º Ato, p. 20):&lt;br /&gt;JUSTINO (indo à porta) – Estes estavam a dizer que está tudo à porta do&lt;br /&gt;Governador…&lt;br /&gt;Paralelismo de factos ou acontecimentos:&lt;br /&gt;Da Carta do Senado da Câmara do Porto ao Rei: “…ele [o Juiz do Povo] se lhes&lt;br /&gt;escusou, com o pretexto de doente, e lhe mandaram buscar uma cadeirinha e&lt;br /&gt;metendo-o nela continuaram com maiores alaridos…”&lt;br /&gt;N’ O motim (1.º Ato, p. 21):&lt;br /&gt;(O povoléu abre alas para deixar passar o grupo que traz numa cadeirinha o Juiz do&lt;br /&gt;Povo, …”)&lt;br /&gt;Da Carta do Senado da Câmara do Porto ao Rei: “…chegados à sua porta […]&lt;br /&gt;romperam no excesso […], fazendo forma para lhes entrarem na mesma casa, e&lt;br /&gt;disparando-se de dentro dois, ou três tiros […]”.&lt;br /&gt;N’ O motim (1.º Ato, p. 31, 32):&lt;br /&gt;CAETANO […] – Já há tiros! Já há tiros!&lt;br /&gt;CAETANO (continuando) - …Estava o povo em frente da Companhia, a clamar e aos&lt;br /&gt;vivas…; de repente abre-se uma janela do Provedor, […] e dois vultos de bacamarte&lt;br /&gt;apontado, dispararam contra a gente!&lt;br /&gt;Na procura de um plasmar da situação que o marcou tão&lt;br /&gt;profundamente, Miguel Franco vai ao ponto de incluir no seu texto a&lt;br /&gt;transcrição de passagens da própria Sentença, tendo escolhido a descrição&lt;br /&gt;das punições aos considerados “cabecilhas”.&lt;br /&gt;A presença de tão grande número de paralelismos factuais leva-nos a&lt;br /&gt;pensar na possibilidade de ter sido Miguel Franco influenciado pelo chamado&lt;br /&gt;“teatro-documento”, uma vez que se apoiou no uso documental da História,&lt;br /&gt;tendo, como atrás dissemos, transcrito para a fala do “Oficial de Justiça”, no 3.º&lt;br /&gt;ato, parte do texto da Sentença sem qualquer modificação.&lt;br /&gt;Estamos pois em presença de um “drama histórico”, uma construção&lt;br /&gt;ficcional apoiada em situações que a memória coletiva registou, e que&lt;br /&gt;compromete, restringe ou limita o que à partida seria essencialmente da esfera&lt;br /&gt;da imaginação. Concordamos com Eugénia Vasques, quando esta refere ser&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;119&lt;br /&gt;teatro histórico o que procura relacionar ”de modo inovadoramente dialéctico,&lt;br /&gt;uma verdade histórica com uma verdade dramática, havendo, neste caso, a&lt;br /&gt;necessidade de uma investigação rigorosamente documentada” (1998:82).&lt;br /&gt;Por outro lado, em Combate por um Teatro de Combate, Luís&lt;br /&gt;Francisco Rebello data de 1963, 1964 e 1965 (ano da representação de O&lt;br /&gt;motim) as primeiras peças alemãs a que se convencionou designar por “teatrodocumento”,&lt;br /&gt;isto é, peças documentais (cf. 1977:112). Weiss, ainda citado por&lt;br /&gt;Rebello, propôs para o teatro-documento, a “capacidade de construir, a partir&lt;br /&gt;de fragmentos da realidade, um exemplo utilizável” (1977:114). Pensamos que&lt;br /&gt;Miguel Franco superou o conceito, indo mais além da própria realidade; utilizou&lt;br /&gt;um documento histórico não como um mero dado documental, mas como&lt;br /&gt;matéria teatral, transformando-o em algo de artisticamente poético.&lt;br /&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;AZEVEDO, Cândido. Mutiladas e Proibidas: para a História da Censura&lt;br /&gt;Literária em Portugal no Tempo do Estado Novo. Lisboa:&lt;br /&gt;Caminho,1997.&lt;br /&gt;Carta da Câmara do Porto ao Rei, de 25 de Fevereiro 1757.&lt;br /&gt;CASTRIM, Mário. O Fascismo não gostou deste motim. Diário de Lisboa.&lt;br /&gt;Lisboa, 16 Setembro 1975, p.15.&lt;br /&gt;FRANCO, Miguel. O motim. Coimbra: edição do autor, 1963.&lt;br /&gt;FRANCO, Miguel. Legenda do cidadão Miguel Lino. Porto: Editorial Nova,&lt;br /&gt;1973.&lt;br /&gt;GAMA, Arnaldo. Um motim há cem anos. Porto: Livraria Tavares Martins,&lt;br /&gt;1935.&lt;br /&gt;REBELLO, Luís Francisco. Combate por um teatro de combate. Lisboa:&lt;br /&gt;Seara Nova, 1977.&lt;br /&gt;Sentença da Alçada, que El Rey Nosso Senhor mandou conhecer da&lt;br /&gt;Rebellião sucedida na Cidade do Porto em 1757. Lisboa: Oficina de António&lt;br /&gt;Rodrigues Galhardo, Impressor da Real Mesa Censória, 1786.&lt;br /&gt;VASCONCELOS, Ana Isabel. O drama histórico: entre Clio e Tália. Actas&lt;br /&gt;Colóquio Literatura e História – para uma prática interdisciplinar. Lisboa:&lt;br /&gt;Graça Maria Teixeira- Mestre em Estudos Portugueses Interdisciplinares pela Universidade Aberta - Lisboa&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;120&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.todasasmusas.org/"&gt;www.todasasmusas.org&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-3532224980628034741?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/3532224980628034741/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=3532224980628034741' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/3532224980628034741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/3532224980628034741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2011/11/um-homem-sem-medo-nao-morre.html' title='Um homem sem medo não morre!'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-xek6jaBmTVM/TtVHpFXZQXI/AAAAAAAAHWM/l-0T1dZ360o/s72-c/capa%2Bde%2Bo%2Bmotim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-2415161277883840385</id><published>2011-08-13T09:09:00.000-07:00</published><updated>2011-08-13T09:39:14.737-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='todas as musas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homenagem'/><title type='text'>Um homem sem medo não morre: homenagem a Miguel Franco /Todas as Musas _  Prof Dr Flávio Botton e Dra Graça Teixeira</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5640380821720496210" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-V2AqZ6jJ5tA/TkaoeSyTeFI/AAAAAAAAGFo/oIno3iqCyYE/s400/musas05-copy.png" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Do Castelo de Leiria ao Teatro Avenida: a trajetória de Miguel Franco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;From Leiria Castle to the Avenida theater: the trajectory of Miguel Franco Flavio Felicio Botton1 Resumo: Este trabalho pretende expor a carreira do dramaturgo que é considerado um dos grandes nomes do teatro histórico português do século XX, Miguel Franco, desde a sua estreia no teatro amador de Leiria até o momento em que recebe as homenagens de sua cidade natal, passando pela encenação de sua obra-prima, O Motim, em Lisboa. O delineamento dessa trajetória tem por objetivo perceber as motivações da obra dramática e histórica do autor. Palavras-Chave: Miguel Franco; teatro português; teatro histórico Abstract: This paper aims to expose the career of the playwright who is considered one of the greatest names of the Portuguese historical drama of the twentieth century, Miguel Franco, since his debut in amateur theater of Leiria until the moment it receives the homage of his hometown, through staging of his masterpiece, O Motim, in Lisbon. The design of this course aims at understanding the motivations of historical and dramatic work of the author. Keywords: Miguel Franco ; Portuguese theater, historical drama “Mas eu não quis só fazer um drama, sim um drama de outro drama, e ressuscitar Gil Vicente a ver se ressuscitava o teatro” Almeida Garrett (Prefácio à primeira edição de Um auto de Gil Vicente). O Castelo de Leiria foi construído por D. Afonso Henriques como ponto estratégico na luta contra os mouros. Tomado pelos exércitos árabes por duas vezes, em ambas foi reconquistado de volta às linhas cristãs. Convocadas por D. Afonso III, em 1254, foram lá reunidas as cortes que, pela primeira vez, congregaram nobreza, clero e povo, possibilitando a participação da classe até então calada nas decisões reais. O advento das cortes de Leiria seria conhecido posteriormente como o momento de criação do parlamento nacional português. 1 Professor de Literatura Portuguesa e de História da Arte da Universidade do Grande ABC. Doutorando em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, desenvolve tese sobre a obra de Miguel Franco. Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 91 Durante o reinado de D. Dinis, o rei trovador, serviu de palácio real por diversas ocasiões e, em meados de 1300, acabou sendo doado, junto com toda a povoação, à rainha santa Isabel, que passou a morar no castelo e lá criou o herdeiro do trono, o jovem Afonso, futuro Afonso IV de Portugal, o Bravo, tido como o primeiro grande financiador das explorações atlânticas. Foi nesse espaço histórico e emblemático que, em junho de 1957, um ator, representando o papel de Gil Vicente, dirige-se à “corte” antes da encenação de sua peça A Farsa de Inês Pereira. Muito respeitosamente e à maneira vicentina, estando já pronto para assumir o papel de Pero Marques, ele explica ao público o enredo da farsa que se apresentará. Esse ator era Miguel Carlos Franco (14-04-1918 19-02-1988), também autor do Prólogo que a personagem recitara. Dava-se ali a estreia de um texto da lavra do autor. A mesma peça, também precedida pelo Prólogo2, foi montada nos anos seguintes, igualmente em espaços históricos. Em 1959, esteve nos claustros do mosteiro de Alcobaça e, em 1961, no Convento de Tomar. Esse tipo de montagem, de uma peça teatral em espaço histórico, apesar de ser evento muito frequente em terras portuguesas, parece ser representativo da trajetória da obra de Miguel Franco, pois a história de Portugal, em seus eventos e com suas personagens, são a maior fonte em que se alimenta a dramaturgia do autor. No Prólogo, ele encarna o pai do teatro português. Em sua grande obra, O Motim, temos a revolta do povo do Porto contra a criação da Companhia de Vinhos do Alto Douro. As personagens de A Legenda do cidadão Miguel Lino anseiam pela chegada das tropas francesas como libertadoras, durante a primeira invasão do século XVIII. Percebe-se então, claramente, a história do país como a sua grande motivação dramática, embora haja alguns trabalhos seus fora desse domínio. Além do exposto, há outro elemento caracterizador desse dramaturgo e ator, que seria a sua intensa participação cultural e política. Grande motivador cultural da cidade de Leiria, Miguel Franco foi o fundador, em 1950, do Grupo de Teatro Miguel Leitão cujas atividades acabam por transcender a sua cidade 2 Esse prólogo foi intitulado “Fala de Gil Vicente a El-rey Dom João III e a Rainha Dona Caterina sua esposa em prólogo da representaçam da sua farsa de folgar Inês Pereira estando a corte em Leiria no verão de 1526”. Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 92 natal com duas participações bem-sucedidas nos concursos promovidos pelo Secretariado Nacional de Informação. A primeira, em 21 de setembro de 1959, leva ao palco a peça Tá-Mar, de Alfredo Cortez, que conta a história de pescadores da Nazaré. Nessa ocasião, o Grupo consegue, além do prêmio de Melhor Drama ou Tragédia, o de melhor ensaiador para Miguel Franco. Dois anos depois, agora no Teatro da Trindade, em Lisboa, em 24 de setembro de 1961, com a montagem da Farsa de Inês Pereira, antecedida mais uma vez pelo Prólogo do autor, o grupo alcança o prêmio de melhor comédia ou farsa, além do segundo lugar para Miguel Franco novamente como melhor ensaiador. De volta a Leiria, os atores do grupo foram tratados como grandes estrelas. A conquista foi fortemente sentida pela sociedade leiriense, fato que pode ser tomado como um grande motivador das manifestações culturais da cidade. Podemos dizer que a aparição do grupo é um dos pontos altos da história do teatro de Leiria. Já desde o nome da trupe, que homenageia importante figura do teatro leiriense, vê-se o intuito, não de criar uma manifestação nova, mas sim de ligar-se a uma tradição regional e nacional que deveria ser, na opinião de Franco, mais arrojadamente cultivada. Miguel Joaquim Leitão, que dá nome ao grupo teatral fundado por Franco, nasceu em Leiria, em 1815, e foi diretor do Teatro São Pedro, assim como proprietário do camarote número 1 da casa de espetáculos. Pouca documentação existe sobre as peças que teriam sido lá encenadas e as que foram conservadas referem-se apenas a “espetáculos de declamações”. Sabemos, por outro lado, que, na cidade de Leiria, são vários os espaços dedicados à atividade. Além do já citado, havia o Teatro do Relego, o da Palha e do Farelo (ou do Sebo), conforme estudo de João Cabral (1980), sobre o Teatro Amador em Leiria. A primeira grande intervenção de Miguel Leitão teria sido a proposta de construção do Teatro Dona Maria Pia, devido ao mau estado de conservação do Teatro São Pedro. Neste último, o que é também indicativo de uma razoável atividade teatral na cidade, desenvolveram-se as Sociedades Dramáticas de Leiria e a Sociedade Dramática Recreativa Leiriense. Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 93 A partir do ano de 1897, surge o Grupo Dramático Leiriense e a ele sucedem-se outras trupes teatrais amadoras até a década de 1940. Até que, em 1950, como já foi dito, é fundado o Grupo que será dirigido por Miguel Franco e que fará, em suas primeiras encenações, mira na recuperação dos clássicos vicentinos. Franco e o grupo realizam diversas apresentações pelo país, procurando sempre os espaços abertos e/ou históricos para suas montagens. Miguel Franco e o grupo sentem efetivamente pela primeira vez o peso das relações do mundo artístico com o regime salazarista e sua atuação censória ao tentarem encenar a peça O Duelo, de Bernardo Santareno. Estando já com a cenografia e os figurinos completos e pronta para ir à cena, volta o requerimento de apresentação com a negativa da censura. A montagem é proibida antes de sua estreia e nunca irá ao palco com o Grupo Miguel Leitão. Ainda jovem, Miguel Franco assumiu cargo diretivo no Ateneu Desportivo de Leiria, associação a que levaria personalidades importantes da cultura e da literatura portuguesa. Nos eventos, chamados de “Conversas de sexta-feira à noite”, estiveram ministrando palestras, além de Bernardo Santareno, amigo pessoal de Franco, Rogério Paulo, Luís Francisco Rebello e Vitorino Nemésio. Mais tarde, já em 1972, viria a organizar também os “Festivais de Artes de Leiria”, cujo ponto alto seria a montagem do encenador brasileiro Luiz Tito para a tragédia de Ésquilo, Os Persas, mais uma vez no Castelo de Leiria. Enfim, resumindo o que se apresentou até aqui, um agitador cultural. Homem alegre, descontraído e espontâneo no convívio, mas rigoroso em seu trabalho, tinha uma concepção de teatro como algo que não se pode distanciar de uma atitude quase instintiva de escrever e de encenar. Definia-se como alheio a frases preconcebidas, alinhadas e de efeitos empolgantes. Falava de teatro como de uma necessidade, como um imperativo de todos os homens em torno da comunicação. Possivelmente, toda a experiência que tinha com as teorias teatrais, até então, vinha da prática de ator e do contato com outros Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 94 encenadores por quem foi dirigido nas inúmeras montagens teatrais de que participou quando jovem. Dessa aptidão, que nasce para unir o teatro ao desejo de esclarecimento e de comunicação inerente aos homens, vem a relação também com a história. Miguel Franco possui a percepção do fato histórico como um acidente que deixará sempre marcas nas sociedades vindouras, no comportamento humano e nas instituições e, talvez por esse motivo, valha a pena ser revisitado. Além disso, Franco acreditava que a arte deveria estar continuamente próxima do povo. Sempre insatisfeito, julgava que o teatro deveria ir à busca do público, organizando espetáculos que fossem, ao mesmo tempo, de entendimento popular, mas que também operassem como ferramenta para elevar a um outro patamar a sua percepção. Ou seja, um teatro que fosse um instrumento didático, função maior do gênero para o autor. Crítico contumaz do alargado distanciamento que se faz entre intelectuais e povo, Franco descrevia a população portuguesa como uma multidão cada vez mais distanciada e perdida daqueles que a deviam conduzir. E, ainda segundo ele, como a culpa nunca era do povo, a missão de resgate e reconciliação era dos intelectuais e dos homens da cultura. Como se pode perceber, um posicionamento, em relação à educação cultural do povo, muito semelhante à de Lênin. O líder comunista sustentava que o verdadeiro conhecimento precisa ser ensinado ao proletário pelos intelectuais revolucionários, ao contrário de outros pensadores marxistas, como Lukács, por exemplo, que acreditava ser possível o aparecimento de uma verdadeira consciência dentro da própria classe trabalhadora (FREDERICO, 1997). Com todos esses elementos em mente, nasce a sua maior e mais controversa obra, O Motim, baseado nos episódios da criação da Companhia de Vinhos do Alto Douro. Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 95 No dia 2 de dezembro de 1964, o Teatro Nacional D. Maria II3 é consumido por um incêndio de grandes proporções. Inutilizado pelo fogo, o teatro é abandonado pela Companhia Amélia Rey Colaço–Robles Monteiro que prevê a estreia da temporada de 1965 para fevereiro, agora no Teatro Avenida. O prédio do Avenida é reformado e recebe elogios por parte da imprensa especializada da época. Uma sala de espetáculos confortável e bem decorada, vigiada pelo busto de Almeida Garrett, que o incêndio do Nacional não conseguira consumir, onde se lia uma faixa com a afirmação: “O Nacional continua”. Escolheu-se um original português para a abertura da temporada. O primeiro aprovado pelo Conselho de Leitura do Teatro Nacional foi a peça tida como estreia profissional do dramaturgo Miguel Franco, já conhecido pelos lisboetas devido às passagens pela cidade com o teatro amador. Faz-se a noite de abertura em um sábado, 6 de fevereiro de 1965. Dirigido por Pedro Lemos, com figurinos e cenários de José Barbosa e com os principais atores da Companhia Nacional, além da numerosa figuração requerida pelo texto, sobe ao palco o primeiro trabalho profissional de Miguel Franco nos teatros da capital do país. Para a estreia da temporada, estavam presentes importantes homens do governo português, posto que fosse este um dos grandes responsáveis pelo financiamento da reforma do Teatro Avenida. Via-se na plateia, além do presidente Américo Tomás4 e sua esposa, os ministros da Educação Nacional e das Corporações e ainda aquele que seria, futuramente, o sucessor político de Oliveira Salazar, o professor Marcello Caetano. Lida a efeméride que abre o texto de Franco, a ação da peça transcorre em três atos bastante delimitados no que toca ao enredo. Em um primeiro, apresentam-se as personagens e os conflitos principais. Algumas personagens 3 Por muito tempo, “o Teatro Nacional foi gerido por sociedades de artistas que, por concurso, se habilitavam à sua gestão. A mais duradoura foi a de Amélia Rey Colaço / Robles Monteiro que permaneceu no teatro de 1929 a 1964. Em 1964, o Teatro Nacional foi ‘palco’ de um brutal incêndio que apenas poupou as paredes exteriores. O edifício que hoje conhecemos, e que respeita o original estilo neoclássico, foi totalmente reconstruído e só em 1978 reabriu as suas portas.” (http://www.teatro-dmaria.pt/Teatro/Historia.aspx) 4 Américo de Deus Rodrigues Tomás, da União Nacional, foi o último presidente (chefe de Estado) do Estado Novo Português, derrubado pela Revolução de 25 de Abril de 1974. Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 96 fazem a descrição do que teria sido o motim, que acabara de ocorrer, pelo ponto de vista das personagens das classes mais baixas e dos comerciantes do Porto. O clima é de festa, pois até o momento o povo parece ter conseguido o que queria, o fim do monopólio da Companhia sobre a venda dos vinhos produzidos pelos vinicultores da região. No segundo ato, começam as consequências do levante. Por ordem de Sebastião José de Carvalho, está instalada uma alçada no Porto para interrogatório e julgamento dos amotinados. Há uma grande centralização do poder nas mãos do cruel escrivão José Mascarenhas, filho do presidente do tribunal, João Pacheco Pereira Vasconcelos. Alguns acusados são interrogados de forma brutal e outros são mesmo torturados. No terceiro e último ato, os condenados aguardam a execução e o clima, lúgubre e funesto, em nada mais lembra os festivos homens do primeiro ato. São feitas referências a um “mundo ao contrário” e ao homem como “coisa com razão”, assim como ao destino dos que não se sujeitam ao poder totalitário. A peça termina com uma espécie de aforismo, que conclama a resistência: “Um homem sem medo não morre!” (FRANCO, 1965, p. 142). No dia posterior, os jornais fizeram extensa louvação às performances dos atores, do encenador e ao texto de Miguel Franco, que foi chamado ao palco e recebeu os aplausos junto com a direção da companhia, na pessoa de Amélia Rey Colaço. Entre os atores mais citados pelas colunas dos periódicos dedicadas ao teatro estão Raul de Carvalho, como Tomas Pinto “cheio de vibração e de grandeza de alma”; Varela Silva, como a “violenta personagem do Dr. José Mascarenhas” ; Manuel Correia, como o Profeta, “um velho ébrio cheio de humanidade”; e, o mais enaltecido, Canto e Castro, como o Advogado Nicolau Araújo, que chega a ser aplaudido em cena aberta. Ressalvando-se algumas críticas à “tessitura dramática” ou à encenação de Pedro Lemos, as expressões são uniformes em transmitir o êxito da apresentação. “Uma noite para entrar para a história do teatro” e “aplauso unânime”, pelo Diário da Manhã. Um evento “destinado a um grande êxito de bilheteria”, conforme o Diário de Lisboa. Na coluna “Teatro Português”, do mesmo periódico, descreve-se a apresentação como um “conjunto muito Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 97 elevado”, que mereceu “muitos e demorados aplausos”. Alguns dias depois, Antonio Augusto Menano, em sua “Leitura de Teatro”, do Jornal de Notícias, da cidade do Porto, concede a Miguel Franco “um lugar na primeira fila dos nossos dramaturgos contemporâneos”. J. Reis, na coluna “Primeiras Representações”, elogia como “um espetáculo digno, (que) certamente vai chamar público novo ao Avenida e agradar aos habituais frequentadores”. Em outra seção, o jornalista divulga: “O Motim representa-se todas as noites às 21 e 45, realizando-se no sábado a primeira tarde a preços reduzidos”. No entanto, nem essa próxima apresentação, prometida a preços módicos, chegou a ser realizada, nem o “novo público” teve muitas oportunidades de ver a peça, pois, quatro dias depois, as apresentações foram brutalmente suspensas. Tempos depois, um bilheteiro do Teatro Avenida contaria a Miguel Franco que, ao fim do espetáculo de estreia, o Presidente Tomás e os ministros de estado desciam a estreita escadaria que vinha dos camarotes quando Marcello Caetano disparou: “Então agora o governo subsidia motins?!”. Às 14 horas do que seria o quinto dia de apresentações, sob o testemunho de atores que chegavam ao trabalho e de espectadores que aguardavam a abertura das bilheterias, a P.I.D.E. invadiu a casa de espetáculos, intimou os bilheteiros a suspenderem a abertura dos guichês, rasgou e confiscou os cartazes da peça. Tornava-se claro que o conflito do tempo histórico da peça acabava por desvelar outros conflitos que, mesmo estando parcialmente sufocados, fremiam por vir à superfície. Forçoso dizer que os interrogatórios conduzidos pelo desumano escrivão da alçada assemelhavam-se por demasia aos atrozes inquéritos da P.I.D.E, assim como a situação da população portuense do século XVIII, calada pelos emissários de Sebastião José de Carvalho, aproximava-se muito da situação vivida pela plateia portuguesa na segunda metade do século XX. Já de volta a casa, Miguel Franco recebe o telefonema da empresária do Nacional que solicitava sua presença com urgência em Lisboa, para tentar, Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 98 junto às instâncias oficiais, remediar a proibição. Porém, os mecanismos da censura estavam em desacordo. A peça, apesar de ter sido aprovada pelo Conselho de Leitura do Teatro Nacional, órgão independente da censura, estava agora proibida pela Censura Teatral e nada a faria voltar ao palco do Nacional ou do Avenida. Desabava então, pela segunda vez e mais pesadamente, a repressão sobre a arte de Miguel Franco. O próprio teatro foi fechado, sob o pretexto de que faltava ainda concluir as obras, e O Motim não mais voltaria ao Avenida. A proibição foi profundamente sentida também pelos homens da cultura e da resistência ao regime salazarista. Num protesto, escrito e dirigido ao Ministro da Educação Nacional, citando Almeida Garrett, afirma-se que o teatro é índice do nível cultural de um povo e pede-se a “imediata abolição das restrições que pesam sobre Teatro Português” (Rebello, 1977, p. 162). Assinam o protesto mais de cem pessoas e, entre os nomes mais conhecidos, estão os de Luiz Francisco Rebello, Sttau Monteiro, Bernardo Santareno, José Cardoso Pires, Alves Redol, Rogério Paulo, Romeu Correia, Mario Soares, Natália Correia, Sophia de Melo Breyner Andresen, Álvaro Salema, Maria Teresa Horta, João Gaspar Simões, Alexandre Pinheiro Torres, Carlos de Oliveira, além do próprio Franco. Nesse mesmo ano, a S.P.A., Sociedade Portuguesa de Autores, foi fechada e teve a sua sede depredada pela P.I.D.E por atribuir a José Luandino Vieira, escritor e ativista angolano, preso em Cabo Verde, o Prêmio Camilo Castelo Branco. Dias depois, no periódico Correio de Nisa, Ruy Miguel fala em sua crônica, não mais sobre a peça, mas sobre o texto de Franco. Era comum uma peça ter a sua representação proibida, mas poder ser lida livremente5. Percebe-se ali uma forma de discordar da proibição da peça por meio de uma adesão ao ilusionismo histórico6 proposto pela obra. Segundo o jornalista, o que se veria no texto seria apenas história, no passado, e, mesmo assim, o que ela nos diz é que um homem abusou da confiança nele depositada pelo 5 Esse fato é mencionado por Rebello (1977, p. 21): “todos os anos se publicam (...) peças de alto nível artístico, às quais é todavia sistematicamente recusado o acesso ao palco”. 6 Usa-se aqui a classificação proposta por Spang (1988). Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 99 governo. Mais elogios à “teatralização perfeita de um clima dramático”, mas apenas isso. E a peça demoraria mais vinte anos para voltar à cena. A partir da década de 60, Miguel Franco envereda pela carreira de ator cinematográfico e faz diversas participações no cinema, várias delas em adaptações de romances neorrealistas. Estão em sua filmografia os filmes Crime da Aldeia Velha (1964) e O trigo e o joio (1965), ambos de Manuel Guimarães; Domingo à tarde, de Antonio Macedo (1966); O cerco, de Antonio da Cunha Telles (1970); Lotação esgotada, de Manuel Antonio (1972); A fuga, de Luis Felipe Rocha (1976); O rei das berlengas (1978) e Manhã submersa (1980), ambos de Lauro Antônio e Vidas, novamente com Antonio da Cunha Telles (1984). Em 1973, Franco trabalha na publicação de A legenda do cidadão Miguel Lino, que recebe o Prêmio Almeida Garrett, do Ateneu Comercial do Porto. A peça é publicada pela Editora Inova, em uma coleção intitulada “Teatro para as Quatro Estações”, e recebe boas resenhas em periódicos e revistas, mas não chega a ver o palco. O TEP, Teatro Experimental do Porto, por duas vezes tenta a liberação da encenação, mas em vão. Amélia Rey Colaço tenta também a aprovação da peça para levá-la ao palco do Teatro Capitólio (o Avenida ruíra já em 1967, como o Nacional, sob as chamas de outro incêndio), mas nada alcança. A legenda do cidadão Miguel Lino, peça que havia sido composta em 1969 e publicada em 1973, precisará esperar o 25 de abril para subir à cena. Só em 1975, com a encenação de Herlander Peyroteo a peça será apresentada no Teatro Maria Matos7. A peça, além de fazer homenagem a personagens da infância de Franco, como o tocador de ocarina chamado Cecílio8, trata de um período bastante conturbado da história portuguesa, o das invasões francesas, no século XVIII. 7 A construção do Teatro decorreu entre 1963 e 1969, com um projeto da autoria do Arquiteto Barros da Fonseca e abriu as suas portas a 22 de Outubro de 1969. Em 1982, o teatro foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa. (http://www.teatromariamatos.pt/gca/?id=21) 8 Referência ao Cecílio Flor, que aparece nos contos inéditos e não datados do autor. Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 100 No frontispício, é reproduzida uma das páginas escritas por Erwin Piscator, autor de Teatro Político9. Ela delata as intenções da peça e, certamente, de todo o teatro de Miguel Franco: A missão do teatro de hoje não pode consistir apenas em relatar acontecimentos históricos apresentados tal e qual. Deve tirar desses acontecimentos lições válidas para o presente, adquirir um valor de advertência mostrando relações políticas e sociais fundamentalmente verdadeiras e, tentar assim, na medida de suas forças, intervir no curso da história (PISCATOR apud FRANCO, 1973, p.1). Piscator, diretor e produtor judeu alemão nascido em 1893, parece exercer papel importante na concepção teatral de Franco. Luiz Francisco Rebello (1973), na Revista Colóquio Letras, fala da grandeza do drama composto por Miguel Franco, nos seguintes termos: “dos mais ricos e apaixonantes da nossa literatura dramática contemporânea, não só pela urgência do tema como pelas suas virtualidades cênicas”. Mais uma vez, como já dissera o próprio Rebello, teatro para ser lido, mas, de acordo com a censura, impossível de ser encenado. Franco trabalhou também em obras além das históricas. Algumas delas terminadas, outras que ficaram por finalizar, outras ainda que ficaram nos primeiros rascunhos. Publicada em 1974, pela Sociedade Portuguesa de Autores, temos Uma visita muito breve, peça de teatro em um ato, que, com a presença do autor foi encenada na Escola Secundária Domingos Sequeira, na cidade de Leiria, onde Franco havia estudado, a então Escola Industrial e Comercial de Leiria. Já em 1980, sai pela Moraes Editores, O capitão de navios, com o subtítulo de teatro de divertimento em 3 atos. É de se destacar nessa composição, a presença de um personagem “Narrador”, remetendo a um componente do teatro épico. O capitão de navios mereceu menção de Carlos Porto (1981). Apesar de já findo há anos o salazarismo, a reclamação de Porto no artigo em que procura fazer um balanço do teatro no ano de 1980, 9 Teatro Político foi publicado no Brasil pela Civilização Brasileira em 1968. Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 101 assemelha-se muito às antigas queixas: ainda que muitas peças tenham sido escritas, poucas estão sendo encenadas. Além da de Franco, a que chama de comédia de costumes, o autor comenta peças de Romeu Correia, Jaime Gralheiro, José Abelaira e José Cardoso Pires. Miguel Franco cultivou também a poesia e as narrativas curtas. Sua obra poética publicada resume-se ao volume de Quinta-Feira e outros Poemas, de 1962, publicado pela Coimbra Editora. Ao contrário do que poderíamos esperar, seus poemas não são panfletários ou diretamente políticos, embora haja alguns mais diretos, como o “Estoico” cujos versos lembram as falas de personagens de O Motim. No poema, o eu-lírico ordena: “Não chores nunca, rapaz! / Se a ferida é funda, aguenta / Que o chorar só acrescenta / E aumenta / A fraqueza que isso faz!” (FRANCO, 1962, p. 50). Há também poemas do cotidiano, de desilusão amorosa e metapoemas. Mas a vida de O Motim ainda não estava encerrada. Em, pelo menos, três grandes ocasiões ainda voltar-se-ia a fazer reverência à coragem do texto de Franco. Após o 25 de abril, os jornais de Lisboa publicam integralmente um comunicado de Amélia Rey Colaço, em que ela anuncia a participação da Companhia em um movimento de “renascer do Teatro Português das cinzas da censura”. Essa participação se materializaria por meio de um “desagravo” dirigido a todos os atores que, durante os anos de ditadura, passaram pela companhia e foram prejudicados pelo autoritarismo do governo, à própria Companhia Rey Colaço – Robles Monteiro, aos homens que oficialmente haviam autorizado a encenação de uma peça, depois retirada brutalmente de cartaz, e, principalmente, ao autor da uma peça, de “valor incontestável” injustamente perseguido e censurado. Amélia Rey Colaço cita no comunicado uma dezena de peças para as quais propusera sistematicamente a montagem, mas sempre lhe fora negada a possibilidade. Entre as proibidas, ela destaca duas de Brecht, duas de Bernardo Santareno, além de outras de Stau Monteiro e Natália Correia. Porém, nesse momento de abertura política, em que assumia a direção do país Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 102 a Junta de Salvação Nacional, a Companhia escolhe levar ao palco a emblemática voz daqueles que se recusaram a calar diante dos arbítrios do poder totalitário. Pouco mais de um mês após a Revolução dos Cravos, voltava ao palco O Motim, de Miguel Franco. Em agosto de 1975, um segundo projeto leva a peça de Franco a um público muito mais amplo que o do teatro. A divisão de Teatro da RTP do Norte, nas mãos do realizador e membro do Teatro Experimental do Porto, Correia Alves, encena um teleteatro com o texto de O Motim. A escolha da obra de Franco se deu por duas razões, segundo o diretor. Primeiro, por ser assunto do Porto, segundo por ser “muito atual, pois sendo uma coisa que se passou há duzentos anos, é um assunto que ainda não está resolvido (...) é um grito do povo contra as coisas estabelecidas e que estão erradas” 10. E, por fim, em 15 de julho de 1985, quase vinte anos depois dos vergonhosos acontecimentos que sucederam a estreia de O Motim, no Teatro Avenida, a peça volta a ser encenada por ocasião das homenagens prestadas a Miguel Franco, em Leiria. A Câmara Municipal, considerando justa a homenagem a um homem que prestou grandes serviços à cultura da cidade, planeja uma série de eventos ligados à vida, à obra e às contribuições de Franco à cultura leiriense e portuguesa. Entre os dias 7 e 31 de julho de 1985, no teatro José Lúcio da Silva, com entradas francas, são projetados os filmes dos quais Franco participara como ator. São apresentados Domingo à tarde, O cerco, O rei das Berlengas, Manhã submersa, A culpa e Vidas. Uma exposição sobre as relações de Franco com a sua cidade é organizada no átrio do mesmo teatro. Já na sala de conferências da Região de Turismo de Leiria, são apresentadas várias palestras que têm o trabalho de Miguel Franco como objeto. Os diretores dos filmes acima referidos, Antonio Cunha Telles, Antonio Campos e Lauro Antonio realizam a conferência O cinema português contemporâneo, tendo João Guerreiro como moderador. 10 Entrevista de Correia Alves a A.S. do periódico Tele-Semana, de 22 de agosto de 1975. Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 103 Com a participação do crítico, dramaturgo e tradutor teatral, Carlos Porto, do crítico, escritor, encenador e professor Jorge Listopad e do ator Mario Jacques, membro da Companhia do Teatro Nacional que encenara O Motim, no Avenida, em 1965, uma outra conferência tratava do papel de Miguel Franco na dramaturgia portuguesa. Por fim, relevantes nomes do teatro português amador e profissional trataram do papel de Franco como animador cultural. O próprio dramaturgo participou desse último evento. O Jornal de Leiria dedicou uma edição única e especial aos eventos de julho de 1985, em que se destacam comunicados de Luiz Francisco Rebello, Jorge Listopad, José Valentim Lemos, além de uma entrevista que Franco concedeu a João Guerreiro e os relatos de Carlos Fragateiro sobre os acontecimentos que envolveram a encenação de O Motim. Em 1985, como num eterno retorno, um texto de Miguel Franco volta ao mesmo espaço da Igreja da Pena, no Castelo de Leiria. Esse seria, sem dúvida, o ponto alto das homenagens ao dramaturgo leiriense. Em montagem do TELA, Teatro Experimental de Leiria, sob a direção artística de Carlos Fragateiro, que viria a ser diretor do D. Maria II e professor da Universidade de Aveiro, O Motim volta ao palco, dessa vez na cidade natal de seu autor. Interessa ressaltar que a menção de Fragateiro ao texto, no Jornal de Leiria, traz mais uma vez, a questão da história como elemento didático e representativo do presente, pois, diz o diretor que, hoje, “novos Mascarenhas constroem, custe a quem custar, novas teias” semelhantes às construídas no passado. Assim como o teatro de Franco voltava a Leiria, o enredo da sua mais importante peça voltava a assumir novos significados, ainda que à revelia de seu autor. Perceber esse “eterno retorno” é, como que, uma maneira de aprender com o passado. Apesar de a história não se repetir literalmente, os conflitos humanos e sociais voltam a ocorrer por motivos, às vezes, semelhantes. Assim, o entendimento dos eventos do presente pode ser alcançado por meio da reflexão proporcionada pelo teatro histórico. Essa é uma das propostas do teatro de Miguel Franco Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 104 Nessa última montagem, assiste-se, em derradeira oportunidade, a participação de Miguel Franco como a personagem José Fernandes da Silva, o Juiz do Povo, alcunhado de “Lisboa”. Completava-se assim parte da história desse leiriense, nascido em 14 de abril de 1918. Trajetória repleta de ação cultural, mas também de participação política, por certo, em muitas oportunidades, elementos indissociáveis. Irmão mais novo de um membro do núcleo clandestino de implantação da república, Franco fez parte do Grupo de Apoio ao Partido Comunista, organização estruturada de combate clandestino ao regime salazarista. Foi membro também da SEDES (Associação para o Desenvolvimento Econômico e Social), esperando que Marcelo Caetano tivesse a força necessária para formar um governo de centro e acabar com o fascismo. Porém, com o desgosto da guerra colonial, rapidamente se desencantou com a organização. Participou ainda do Movimento Democrático Português, ligado ao Partido Comunista e, depois da revolução, ao Partido Socialista. Além disso, um humanista, no sentido de um homem voltado ao espírito literário e democrático. Intitulava-se “ateu militante de combate”, apesar de privar de excelentes relações com o clero de Leiria, a quem dizia que “no dia em que começasse a ser crente, era o ‘sinal’ da existência de Deus”. Franco veio a falecer em 19 de fevereiro de 1988, em Queluz. Em 2003, ao centro cultural construído na cidade de Leiria é dado o nome de Teatro Miguel Franco. Nessas anotações biográficas, estão resumidos os motes que impulsionam a vida de Franco, não só como dramaturgo e ator, mas também como cidadão: a cultura é parte integrante e indispensável na vida de um país, mas que ela seja, sempre, motivada e pautada pela realidade social e histórica, que nela encontre o seu ponto de partida, mas que a ela volte e lá interfira e, assim, contribua com a sua evolução. Sem dúvida um homem de teatro, talvez não na acepção ordinária do termo, designando um profissional da categoria ou estudioso da dramaturgia. Mas sim um homem que não conseguia se ver sem o teatro, nem conseguiria reconhecer um país sem ele, embora tenha sofrido, Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011 105 como que parafraseando Garrett, a ausência de civilização necessária ao seu desenvolvimento. Bibliografia FRANCO, Miguel. Quinta-Feira e outros poemas. Coimbra: Editora Coimbra, 1962. FRANCO, Miguel. O Motim. 2º edição. Lisboa: Europa-América, 1965. FREDERICO, Celso. Lukács, um clássico do século XX. São Paulo: Moderna, 1997. PORTO, Carlos. O teatro desde a presença. In.: LOPES, Oscar; MARINHO, Maria de Fátima (dir.). História da Literatura Portuguesa. Lisboa: Alfa, 2002, v. 7, p. 556 a 573. PORTO, Carlos. “Balanço do ano literário de 1980 em Portugal / O texto teatral”. In: Revista Colóquio/Letras. Balanço, n.º 60, Mar. 1981, p. 46-51. REBELLO. Luis Francisco. Combate por um teatro de combate. Lisboa: Seara Nova, 1977. REBELLO, Luiz Francisco. “Recensão crítica a Legenda do Cidadão Miguel Lino, de Miguel Franco” In: Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 16, Nov. 1973, p. 83-84. REBELLO, Luiz Francisco. 100 anos de Teatro Português (1880-1980). Porto: Brasília Editora, 1984. SPANG, Kurtis (ed.). El drama histórico. Pamplona: Ediciones Universidad de Navarra S.A., 1998. http://miguel-lino.blogspot.com/ Recebido em: 31-mai Aprovado em: 30-jun&lt;br /&gt;in&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.todasasmusas.org/"&gt;http://www.todasasmusas.org/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ano 03 - Número 01 (Jul - Dez 2011) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Do “real” ao “ficcional”: O motim de Miguel Franco&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;From “real” to the “fictional”: O motim by Miguel Franco&lt;br /&gt;Graça Maria Teixeira1&lt;br /&gt;Resumo: Através do drama-histórico O motim, Miguel Franco, dramaturgo português, entretece&lt;br /&gt;o factual e o ficcional, criando uma parábola que, pela sua mensagem, seria alvo da censura do&lt;br /&gt;Estado Novo, só subindo aos palcos livremente após a Revolução de 1974. Neste artigo,&lt;br /&gt;analisamos a presença da História nesta ficção e o significado desta no Portugal dos anos 60.&lt;br /&gt;Palavras-Chave: Teatro português, drama-histórico, censura.&lt;br /&gt;Abstract: In The Riot, an historical drama written by Miguel Franco, this Portuguese writer&lt;br /&gt;combines facts and fiction by creating a parable forbidden by censorship in the 60s and only&lt;br /&gt;acted after the Revolution of 1974.In this article, we analyze the presence of the historical facts&lt;br /&gt;in this play as well as its meaning in the Portuguese society of the 60s.&lt;br /&gt;Keywords: Portuguese Theatre, historical drama, censorship.&lt;br /&gt;Na história da dramaturgia portuguesa podemos constatar que vários&lt;br /&gt;foram os autores que visando passar uma mensagem política, social, religiosa&lt;br /&gt;ou de qualquer outra natureza, o fizeram recorrendo ao chamado “drama&lt;br /&gt;histórico”. Porém este conceito encerra um certo paradoxo, ao remeter para&lt;br /&gt;áreas tão diferentes quanto o ficcional (drama) e o factual (histórico). Como&lt;br /&gt;Ana Vasconcelos refere, esta situação dúbia “resulta da confluência de duas&lt;br /&gt;componentes – História e Literatura – que, à partida, parecem situar-se em&lt;br /&gt;esferas, se não opostas, pelo menos de difícil articulação” (2002: 101). Tal não&lt;br /&gt;nos parece ter sido o caso da obra que iremos focar neste nosso trabalho. O&lt;br /&gt;autor em questão, e sobre o qual nos iremos debruçar, soube, com mestria,&lt;br /&gt;articular o factual e o ficcional, (re)criando um acontecimento histórico, que, no&lt;br /&gt;Portugal de 60, marcaria a diferença pela consciencialização política e social&lt;br /&gt;de que se fez mensageiro.&lt;br /&gt;Comecemos por fixar alguns detalhes biográficos de Miguel Carlos&lt;br /&gt;Franco, mais conhecido por Miguel Franco (1918-1987). Nascido em Leiria,&lt;br /&gt;1 Mestre em Estudos Portugueses Interdisciplinares pela Universidade Aberta - Lisboa&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;107&lt;br /&gt;então uma pequena cidade de província, nela exerceria a sua profissão de&lt;br /&gt;gerente comercial, a par das suas atividades de homem de cultura, contista,&lt;br /&gt;ensaiador, dramaturgo, ator, e diretor artístico. Desde cedo se distinguiu nas&lt;br /&gt;letras e, ainda aluno da Escola Comercial e Industrial de Leiria, já se fazia&lt;br /&gt;notar pelos seus dotes de escrita. Mas foi logo em criança que, nos largos da&lt;br /&gt;sua cidade, assistindo aos espetáculos circenses de companhias ambulantes,&lt;br /&gt;o gosto pelo palco se manifestou. A sua rua era o cenário ideal para a&lt;br /&gt;companhia que aos oito ou nove anos de idade já criara, recorrendo aos&lt;br /&gt;amigos para com eles “apresentar” números de teatro, fantoches e circo. Em&lt;br /&gt;adolescente, e tendo-lhe sido reconhecidas características que fariam dele um&lt;br /&gt;“homem de teatro”, foi levado a ingressar num grupo amador existente num&lt;br /&gt;bairro periférico da cidade, onde desde logo se revelou como ator, chegando a&lt;br /&gt;diretor artístico.&lt;br /&gt;A atividade na área do teatro viria pois a consolidar-se em Leiria,&lt;br /&gt;através da entrada para o Grupo Dramático Miguel Joaquim Leitão e, mais&lt;br /&gt;tarde, para o Grupo de Teatro Miguel Leitão (ambos de teatro amador), no qual&lt;br /&gt;colabora durante trinta anos, arrecadando vários prémios.&lt;br /&gt;Numa cidade de cariz provinciano, muito fechada, onde ainda se&lt;br /&gt;respirava muito do ambiente descrito por Eça n‘O Crime do Padre Amaro,&lt;br /&gt;Miguel Franco toma a seu cargo a dinamização de várias iniciativas culturais,&lt;br /&gt;devendo-lhe Leiria muito dos seus períodos áureos de atividade teatral.&lt;br /&gt;Destacamos, como exemplo, em 1972 os Festivais de Arte de Leiria. No seu&lt;br /&gt;âmbito, conseguiu levar à cena a peça de Ésquilo, Os Persas, tendo por&lt;br /&gt;cenário o magnífico castelo medieval da urbe, um dos mais belos da Europa&lt;br /&gt;(nesse local, levaria, mais tarde, com grande sucesso, uma peça vicentina).&lt;br /&gt;Em 1973, já no espaço do novíssimo Teatro José Lúcio da Silva, edifício&lt;br /&gt;oferecido ao município por este benemérito comendador leiriense, emigrado no&lt;br /&gt;Brasil. Miguel Franco apresentou então, a partir de uma peça de Strindberg,&lt;br /&gt;remodelada e atualizada, o texto A Dança da Morte em Doze Assaltos. Em&lt;br /&gt;1974, dirigiu a companhia Os Bonecreiros – Teatro Laboratório de Lisboa na&lt;br /&gt;peça A Mosqueta, do italiano Ruzanté. Em Maio desse mesmo ano, seria a vez&lt;br /&gt;de apresentar História do Jardim Zoológico de Edward Albee, e já após Abril de&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;108&lt;br /&gt;74, faria subir ao palco a peça de B. Brecht, O Terror e a Miséria do III Reich,&lt;br /&gt;resultado da sua colaboração na companhia do Teatro da Cornucópia, uma&lt;br /&gt;companhia de teatro experimental de Lisboa. Para além do teatro, muitas&lt;br /&gt;foram as atividades culturais promovidas por Miguel Franco a bem da sua&lt;br /&gt;cidade. Lembramo-nos, por exemplo, de um notável ciclo de “Conversas”, para&lt;br /&gt;o qual convidou nomes bem conhecidos: Vitorino Nemésio, David Mourão&lt;br /&gt;Ferreira, José Augusto-França, entre outros.&lt;br /&gt;O apelo da sétima arte também se fez sentir e, em 1963, estreia-se&lt;br /&gt;em duas curtas-metragens onde ensaia os seus dotes de ator cinamatográfico.&lt;br /&gt;Após essa “experiência”, iniciou uma série de presenças em filmes nacionais e&lt;br /&gt;estrangeiros, dos quais citamos apenas alguns: 1963, O Crime da Aldeia Velha&lt;br /&gt;de Manuel de Guimarães; em 1964, Triângulo Circular de Pierre Kast; em&lt;br /&gt;1965, Domingo à Tarde de António Macedo (filme levado ao Festival de&lt;br /&gt;Berlim); em 1966, Uma Abelha na Chuva de Fernando Lopes; em 1970, O&lt;br /&gt;Cerco de António da Cunha Telles (filme presente a concurso nos festivais de&lt;br /&gt;Cannes e de San Sebastian, com Miguel Franco no principal papel masculino);&lt;br /&gt;em 1978/9, Manhã Submersa de Lauro António (da obra homónima de Vergílio&lt;br /&gt;Ferreira); em 1983, Vidas de A. Cunha Telles.&lt;br /&gt;Vivendo em Leiria procurava frequentemente Lisboa, onde se&lt;br /&gt;encontrava com pessoas de renome ligadas às letras – Bernardo Santareno,&lt;br /&gt;Luís Francisco Rebello, Romeu Correia, Urbano Tavares Rodrigues, e muitos&lt;br /&gt;outros. Acompanhava-os em palestras e mesas-redondas, falando,&lt;br /&gt;naturalmente, de teatro. Em março de 1970 está presente na reunião para a&lt;br /&gt;elaboração do projeto dos estatutos de uma futura associação portuguesa de&lt;br /&gt;escritores, junto com o escritor e jornalista Sousa Tavares, o romancista Carlos&lt;br /&gt;Oliveira, o intelectual António Quadros, sob a presidência de Luís Francisco&lt;br /&gt;Rebello, acompanhado do futuro Nobel José Saramago, e do académico Óscar&lt;br /&gt;Lopes. Mais tarde, em janeiro de 1974, entra para a Comissão Cultural&lt;br /&gt;Literária, já como elemento ativo da SPA – Sociedade Portuguesa de Autores.&lt;br /&gt;Da obra de Miguel Franco temos notícia de uma comédia regional&lt;br /&gt;inédita, datada de 1948, intitulada Rosa Benedita. Já em 1957, escreve um&lt;br /&gt;texto “em redondilha de sabor vicentino” que o autor denominaria de Prólogo, e&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;109&lt;br /&gt;que antecedia as representações da Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente,&lt;br /&gt;incluída no repertório do Grupo de Teatro Miguel Leitão. Aliás, o fundador do&lt;br /&gt;teatro português inspiraria Miguel Franco e levá-lo-ia, nas suas próprias&lt;br /&gt;palavras, a procurar “essa resina que escorre, seivosa e corada, dos&lt;br /&gt;saborosos autos de Gil Vicente”. Em 1962 faz uma incursão pela poesia, tendo&lt;br /&gt;chegado até nós o livro Quinta feira e outros poemas, em edição do autor, cuja&lt;br /&gt;temática remetia em grande parte para o mar, a mulher e a cidade. Seria, no&lt;br /&gt;entanto, em 1963, com a publicação da obra a que adiante nos referiremos&lt;br /&gt;com mais detalhe, O motim, que alcançaria uma projeção nacional,&lt;br /&gt;consolidada, dois anos mais tarde, com a peça Legenda do Cidadão Miguel&lt;br /&gt;Lino, objeto do prémio Almeida Garrett, atribuído pelo Ateneu Comercial do&lt;br /&gt;Porto. Nela volta a uma temática de cariz histórico, pouco trabalhada na nossa&lt;br /&gt;dramaturgia nacional: as invasões francesas.&lt;br /&gt;Publicou, em 1974, Visita muito breve, peça em um ato, difundida pela&lt;br /&gt;então Emissora Nacional que versava a problemática da emigração. Inédita&lt;br /&gt;permanece ainda a sua peça Capitão Durand e, de uma encomenda da&lt;br /&gt;Secretaria de Estado da Cultura viria a resultar, nos inícios de 1979, e ainda&lt;br /&gt;para a Rádio, a peça O Capitão de Navios, considerando-a Miguel Franco&lt;br /&gt;apenas “uma peça para divertimento”. Como contista, deixou-nos o livro&lt;br /&gt;Passeio do Reno, onde inclui o conto “Cecílio Flor”, baseado num pobre cego,&lt;br /&gt;seu conhecido, tocador de ocarina nas ruas da cidade, e que, mais tarde, em A&lt;br /&gt;Legenda, aproveitaria para dar corpo à personagem “Cecílio”.&lt;br /&gt;Portugal, anos 60 - o papel da censura&lt;br /&gt;A abordagem ao texto dramático O motim, e o que viria a acontecer&lt;br /&gt;imediatamente após as primeiras representações desta peça, não ficariam&lt;br /&gt;claros sem uma referência ao Portugal dos anos 60. Década de profundas&lt;br /&gt;mudanças, verificar-se-ia logo no início da mesma uma lenta viragem à&lt;br /&gt;Europa, e novos “ventos” viriam influenciar os quadrantes da sociedade e da&lt;br /&gt;cultura. Procurado por milhares de turistas, há, claramente, no país, uma&lt;br /&gt;aculturação que se intensifica com o fenómeno da emigração. Com a saída em&lt;br /&gt;massa de mão de obra masculina, o mercado de trabalho abre-se às mulheres,&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;110&lt;br /&gt;dando-se uma feminização da força laboral, o que em muito contribuiu para&lt;br /&gt;uma mudança de mentalidades na visão do papel das mulheres na sociedade,&lt;br /&gt;começando estas a ganhar voz. Marcante foi também a movimentação de&lt;br /&gt;milhares e milhares de jovens que, por via da vida militar ou escolar,&lt;br /&gt;entreteceram e fomentaram uma forte rede de hábitos e costumes, abrindo-se,&lt;br /&gt;por sua vez, a novas ideias e ideais.&lt;br /&gt;Ainda em 60, e na educação, registou-se um acréscimo significativo da&lt;br /&gt;população escolar desde o básico ao superior, embora não fosse o suficiente&lt;br /&gt;para se alcançar a situação sócio-cultural (e económica) de quase todos os&lt;br /&gt;países da Europa Ocidental. No entanto, a classe média aspirava já a outros&lt;br /&gt;níveis de oferta, quer no que respeita à área social, quer à cultural, verificandose,&lt;br /&gt;nesta década, um aumento acentuado no número de museus e bibliotecas,&lt;br /&gt;com uma duplicação no número de leitores. O mesmo aconteceu com a&lt;br /&gt;imprensa escrita: o número de jornais e publicações disparou, num país em&lt;br /&gt;que os hábitos de leitura se fixavam abaixo do desejável. Quanto ao&lt;br /&gt;audiovisual, a década de 60 viu aparecer a televisão, que rapidamente se&lt;br /&gt;impôs no dia a dia dos portugueses, alterando os seus hábitos sociais e&lt;br /&gt;familiares. Agora, dentro dos lares, outras realidades surgiam, despertando&lt;br /&gt;outros interesses e necessidades.&lt;br /&gt;Não poderíamos falar desta década sem mencionar a situação políticomilitar&lt;br /&gt;que o país vivia, desde 1961, com o eclodir da chamada “guerra&lt;br /&gt;colonial”. Iniciada em Angola e rapidamente alargada a todas as outras&lt;br /&gt;“províncias ultramarinas”, esta realidade condiciona toda a vida dos&lt;br /&gt;portugueses e será ainda motivo de um fortalecimento da censura em todas as&lt;br /&gt;áreas.&lt;br /&gt;Esta presença censória, após um alívio sentido no período do pósguerra,&lt;br /&gt;com a derrota do nazismo-fascismo e a subsequente crítica aos&lt;br /&gt;poderes ditatoriais, volta a acentuar-se na vida cultural, e, muito&lt;br /&gt;principalmente, sobre a produção dramática, fazendo-se sentir na recorrente&lt;br /&gt;proibição de peças. Em 1962, por exemplo, o dramaturgo Luís de Sttau&lt;br /&gt;Monteiro viu proibida a sua peça Felizmente Há Luar!, e a própria tipografia,&lt;br /&gt;onde a segunda edição se compunha, foi completamente queimada e&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;111&lt;br /&gt;vandalizada, tendo-se mesmo concretizado a detenção dos tipógrafos. Nem a&lt;br /&gt;“primavera marcelista”, com o seu Exame Prévio, traria a liberalização tão&lt;br /&gt;ansiada sobre o que se escrevia ou o que se dizia.&lt;br /&gt;Apesar de tudo, bem a meio da década, em março de 1965, o ano&lt;br /&gt;parecia apresentar bons auspícios: o reaparecimento da Companhia Nacional&lt;br /&gt;a trabalhar no Teatro da Trindade, duas novas companhias teatrais, a abertura&lt;br /&gt;de mais uma casa de teatro (o Teatro Villaret, em homenagem a esse grande&lt;br /&gt;homem da palavra, João Villaret) e novos espetáculos. Até a companhia de&lt;br /&gt;Amélia Rey-Colaço, por força do terrível incêndio de 2 de dezembro do ano&lt;br /&gt;anterior (1964), o qual arrasou o espaço que ocupava, o Teatro Nacional D.&lt;br /&gt;Maria II, voltava a trabalhar, instalada agora no recém-recuperado Teatro&lt;br /&gt;Avenida. E, bem conscientes da força interventiva do teatro, surgem várias&lt;br /&gt;companhias dramáticas formadas por gente jovem com vontade de fazer teatro&lt;br /&gt;de autor e teatro de encenador, isto é, um teatro alternativo ao meramente&lt;br /&gt;comercial e para um público mais exigente, embora muito centrado na capital.&lt;br /&gt;No resto do país, salvo algumas digressões de companhias sedeadas em&lt;br /&gt;Lisboa, apenas graça a grupos de teatro amador, entre os quais o já referido&lt;br /&gt;Grupo de Teatro Miguel Leitão, se ia mantendo viva a presença do teatro em&lt;br /&gt;cidades e vilas.&lt;br /&gt;Desde sempre o teatro se mostrou como um meio de revelar angústias,&lt;br /&gt;medos, ansiedades, alegrias e revoltas. Em vários países e em várias épocas,&lt;br /&gt;a censura sempre atuou sobre a capacidade que este tem de fazer agir, ou de&lt;br /&gt;se fazer eco da sociedade, possibilitando um pensar coletivo. Consciente disto,&lt;br /&gt;em Portugal, e através da censura, o regime mantinha proibidos de serem&lt;br /&gt;representados nomes como o de Bertold Brecht, Peter Weiss, Jean Paul&lt;br /&gt;Sartre, Arthur Miller; mas também obras de Moliére, B. Shaw, Shakespeare, e&lt;br /&gt;até mesmo de Gil Vicente foram impedidas de subirem ao palco.&lt;br /&gt;Seria, pois, difícil escapar O motim à força desta ação censória.&lt;br /&gt;Escolhida para abrir a época de 65, da reputada companhia Amélia Rey&lt;br /&gt;Colaço – Robles Monteiro, após a catástrofe a que já aludimos, ver-se-ia a&lt;br /&gt;mesma, ao fim de cinco dias de representação, banida do repertório e o nome&lt;br /&gt;de Miguel Franco proibido de aparecer em toda e qualquer publicação nacional&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;112&lt;br /&gt;(na verdade, já não viria nesse ano a ser mencionado num artigo intitulado&lt;br /&gt;“Balanço do Ano Teatral”). Procuradas as causas para tal arbitrariedade,&lt;br /&gt;percebeu-se que o censor teria considerado que a mesma continha uma forte&lt;br /&gt;instigação à revolta popular; sabemos, porém, que também as ligações e&lt;br /&gt;ideologias políticas seguidas pelos autores eram razão suficiente para que os&lt;br /&gt;mesmos fossem impedidos de verem concretizadas em palco as suas obras.&lt;br /&gt;Contra esta absurda decisão, reagiram com veemência os intelectuais&lt;br /&gt;da época, enviando ao então chefe do governo, Prof. Marcelo Caetano, o&lt;br /&gt;manifesto “Protesto contra a proibição da peça O motim”, lembrando, entre&lt;br /&gt;outros considerandos, os malefícios que outrora a censura inquisitorial trouxera&lt;br /&gt;à arte dramática. Porém, sem quaisquer resultados (Miguel Franco veria,&lt;br /&gt;também, a sua peça Legenda do Cidadão Miguel Lino ser alvo da mesma&lt;br /&gt;censura; esta só seria representada após Abril de 74).&lt;br /&gt;Voltando a O motim, os claros paralelismos que a peça apresentava&lt;br /&gt;foram, sem dúvida, a razão principal de tão radical banimento. Miguel Franco&lt;br /&gt;tinha “ousado” colocar o público perante duas leituras possíveis da sua obra: a&lt;br /&gt;da própria História e a da revolta de um povo contra o poder totalitário.&lt;br /&gt;Porto, 1757 - o motim&lt;br /&gt;Terá sido a partir de uma efeméride lida num jornal, que Miguel Franco&lt;br /&gt;trabalhou a ideia que viria a resultar nesta sua obra O motim. Numa conversa&lt;br /&gt;com o seu amigo, o dramaturgo Bernardo Santareno, pediu-lhe que fosse ele a&lt;br /&gt;pegar no tema; porém, consciente das potencialidades de Miguel Franco,&lt;br /&gt;Santareno logo o entusiasmou a concretizar, ele mesmo, a sua escrita.&lt;br /&gt;Mergulhou então numa procura de documentos coevos e testemunhos&lt;br /&gt;literários (por exemplo, Um motim há cem anos, do escritor Arnaldo Gama),&lt;br /&gt;que o levassem a perceber os acontecimentos de 1757, passados no Porto,&lt;br /&gt;cidade já então conhecida pelo seu indomável espírito liberal.&lt;br /&gt;É fundamental referir que a tradição económica desta região assentava&lt;br /&gt;há muito na produção vinícola e no comércio e profissões que se desenvolviam&lt;br /&gt;à sua volta: armazenistas, tanoeiros, vinhateiros, taberneiros, mercadores,&lt;br /&gt;exportadores, barqueiros, e até corporações religiosas. Em meados do século&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;113&lt;br /&gt;XVIII já estas atividades tinham alcançado um forte desenvolvimento com as&lt;br /&gt;exportações do vinho do Porto, muito principalmente para Inglaterra. No&lt;br /&gt;entanto, a pressa na obtenção de lucros fáceis resultou numa crescente&lt;br /&gt;adulteração da qualidade deste produto, o que levou a que os principais&lt;br /&gt;clientes, os ingleses, o tivessem considerado prejudicial para a saúde; em&lt;br /&gt;consequência, rapidamente os preços baixaram, as exportações diminuíram,&lt;br /&gt;resultando num descalabro económico para toda a região, o que viria a agravar&lt;br /&gt;as vicissitudes já sentidas em anos vinícolas anteriores. A vulnerabilidade&lt;br /&gt;reconhecida a uma área que devia ser protegida e o quase monopólio&lt;br /&gt;mercantil exercido pelas feitorias inglesas levaram a que fosse solicitada a&lt;br /&gt;intervenção do próprio rei, D. José I, e do seu Secretário de Estado, Sebastião&lt;br /&gt;José de Carvalho e Melo, mais tarde Marquês de Pombal. A Lisboa chegou&lt;br /&gt;então Frei João de Mansilha, o qual expôs a necessidade de se criar uma&lt;br /&gt;Companhia Geral que fizesse face à crise que se vinha abatendo na produção&lt;br /&gt;e comércio do vinho da região. Foi de imediato aceite esta pretensão, e em 31&lt;br /&gt;de Agosto de 1756 instituía-se a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas&lt;br /&gt;do Alto Douro, à qual foram conferidos desde logo poderes majestáticos.&lt;br /&gt;Não passaria muito tempo até que se fizessem sentir as primeiras&lt;br /&gt;manifestações de todos os que se sentiam lesados pela atuação da&lt;br /&gt;Companhia, quando esta quebrou com hábitos antigos de relação com o vinho&lt;br /&gt;e os privilégios detidos até então - na senda dos princípios mercantilistas de&lt;br /&gt;proteção e monopólio que caracterizaram a gestão de Pombal. Os interesses&lt;br /&gt;instalados foram fortemente lesados: na cidade, a Companhia fechou nove em&lt;br /&gt;cada dez tabernas, (havia cerca de 600 a 1.000 tabernas por essa altura)&lt;br /&gt;apropriando-se do monopólio da comercialização e exportação de todos os&lt;br /&gt;vinhos; só ela podia vender vinho a retalho na cidade e arredores, só ela podia&lt;br /&gt;exportar para o Brasil as aguardentes, os vinhos e o vinagre.&lt;br /&gt;O mau estar instalado era propício a revoltas contra a situação&lt;br /&gt;imposta, pois as medidas tomadas tinham, em pouco tempo, arruinado os&lt;br /&gt;pequenos proprietários e os seus empregados. Querendo afirmar o seu&lt;br /&gt;protesto contra este estado de coisas, e aproveitando o clima de euforia que se&lt;br /&gt;tinha vivido nos anteriores dias de Entrudo, o povo da cidade juntou-se em&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;114&lt;br /&gt;bandos, nessa quarta-feira de Cinzas, 23 de Fevereiro do ano de 1757.&lt;br /&gt;Mulheres, rapazio e, segundo o historiador Lúcio de Azevedo (1990:131),&lt;br /&gt;“vadios, soldados, colarejas, meretrizes, escravos, a ralé da cidade”&lt;br /&gt;deslocaram-se até à casa do Juiz do Povo, o alfaiate e taberneiro José&lt;br /&gt;Fernandes da Silva, a fim de afirmarem o seu protesto. Para a História ficaram&lt;br /&gt;os seus nomes, que dão bem a imagem das suas profissões e do seu estatuto&lt;br /&gt;social: “Negres”, “Maria Pinta”, “Carinha de Meio-Tostão”, “Estrelada”, “Cheta”,&lt;br /&gt;“Brejeira” e tantos outros.&lt;br /&gt;Embora contrariado, o Juiz seguiu “em cadeirinha” para casa do&lt;br /&gt;Chanceler Bernardo Duarte de Figueiredo, a fim de lhe ser apresentado um&lt;br /&gt;requerimento, anteriormente elaborado, e que pedia a extinção oficial da&lt;br /&gt;Companhia. Amedrontado com a multidão e a fim de acalmar os ânimos, este&lt;br /&gt;anuiu, decretando o retorno à situação que vigorava antes da fundação da&lt;br /&gt;mesma. Seguiu então o povo para casa do Provedor da Companhia, Beleza de&lt;br /&gt;Andrade, a qual, no excesso da euforia, foi assaltada, tendo sido alvo de&lt;br /&gt;avultados prejuízos. Deu-lhes porém resposta um criado, atirando uns tiros de&lt;br /&gt;bacamarte, o que exaltou a multidão que vandalizaria os próprios escritórios da&lt;br /&gt;Companhia, enquanto era chamado o Corpo da Guarda, para dominar a&lt;br /&gt;situação.&lt;br /&gt;Assim aconteceu e pelas quinze horas já tudo se mostrava calmo,&lt;br /&gt;saindo à rua as tradicionais procissões de Quarta-Feira de Cinzas. Tudo&lt;br /&gt;parecia ter voltado ao normal, mas para Lisboa seguiria o relato de tudo o que&lt;br /&gt;se passara, em carta assinada pelo Senado da Câmara do Porto. Dias depois,&lt;br /&gt;e perante o espanto geral da população, Carvalho e Melo fez deslocar para a&lt;br /&gt;cidade um Juiz da Alçada com “ilimitada jurisdição” (cf. Sentença: 2), a fim de&lt;br /&gt;proceder à devassa sobre os tumultos, ou arruaça, como muitos lhe&lt;br /&gt;chamaram. O escolhido foi o Desembargador João Pacheco Pereira de&lt;br /&gt;Vasconcelos, homem dos mais ricos da região do Douro e que detinha no&lt;br /&gt;Porto vários cargos de nomeada; para escrivão, viria seu filho, José de&lt;br /&gt;Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo, membro reconhecido de várias&lt;br /&gt;academias e associações literárias e científicas, embora tivesse passado à&lt;br /&gt;História como um homem cruel, de poucos ou mesmo nenhuns escrúpulos, e&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;115&lt;br /&gt;de grande ambição. O que não passara de uma “assuada” fora visto como um&lt;br /&gt;verdadeiro motim e D. José I emitiria mesmo uma carta, referindo que&lt;br /&gt;quaisquer impedimentos à execução das ordens régias seriam considerados&lt;br /&gt;delito de lesa-majestade.&lt;br /&gt;A chamada “revolta do vinho” ou “revolta dos borrachos” (cf. Azevedo,&lt;br /&gt;1990:131), onde segundo alguns elementos afetos a Pombal estaria mão de&lt;br /&gt;jesuítas ou de grandes negociantes ingleses e portugueses, resultou num&lt;br /&gt;processo que sentenciou 424 homens e 54 mulheres do povo, por crime de&lt;br /&gt;alta traição e de lesa-majestade da primeira cabeça. Foi um ato absolutamente&lt;br /&gt;desproporcionado, que atingiu “gentalha esfrangalhada e piranga” (Camilo&lt;br /&gt;Castelo Branco, 1982:136), a qual foi submetida à tortura, despojada dos seus&lt;br /&gt;bens, separada de filhos e cônjuges, tendo muitos sido açoitados, enviados&lt;br /&gt;para o degredo ou mesmo mortos na forca. A sentença da Alçada foi publicada&lt;br /&gt;no dia 12 de Outubro desse mesmo ano e dois dias depois tinham sido&lt;br /&gt;enforcados treze homens (latoeiros, tanoeiros, criados…) e quatro mulheres&lt;br /&gt;(uma que se encontrava grávida, seria executada logo após o nascimento da&lt;br /&gt;criança).&lt;br /&gt;A cidade, também ela condenada, suportou pesadas penas que se&lt;br /&gt;traduziram em largos meses de sofrimento, uma vez que, para que ficasse de&lt;br /&gt;exemplo a todos os que ousassem opor-se à vontade de Sebastião José de&lt;br /&gt;Carvalho e Melo, foi ordenado que se expusessem as cabeças decepadas e os&lt;br /&gt;corpos esquartejados dos enforcados por toda a cidade, mas, muito&lt;br /&gt;principalmente, nas ruas onde se julgava ter tido início o “motim”. Algum tempo&lt;br /&gt;depois, e por questões de saúde pública, transferiram-se os mastros para as&lt;br /&gt;entradas da cidade onde ficariam durante todo o inverno. Também durante&lt;br /&gt;cinco longos meses a população mais desfavorecida teve de dar aboletamento&lt;br /&gt;a cerca de 2.300 homens dos batalhões deslocados para a cidade, com todos&lt;br /&gt;os prejuízos que daí advinham.&lt;br /&gt;O motim&lt;br /&gt;Foi, como já referimos, da leitura desta efeméride que Miguel Franco&lt;br /&gt;partiu para a escrita de O motim. O autor encontrou, claramente, paralelismos&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;116&lt;br /&gt;entre a prepotência exercida sobre o povo na centúria de setecentos e a que&lt;br /&gt;subjugava Portugal, na década de 60, em pleno século XX. Procurando uma&lt;br /&gt;certa distanciação temporal, a fim de a peça ultrapassar as apertadas malhas&lt;br /&gt;da censura, Miguel Franco aspirava porém que o público reconhecesse uma&lt;br /&gt;forte analogia presente no enredo: o exercício de um despotismo pela força&lt;br /&gt;das armas e a subjugação de um povo por imposição de um enclausuramento&lt;br /&gt;económico, cultural e ideológico.&lt;br /&gt;Foi este paralelismo entre o poder absolutista de Carvalho e Melo e a&lt;br /&gt;ditadura do Estado Novo que levou a que a peça fosse retirada e proibida.&lt;br /&gt;Mário Castrim, cronista e crítico de teatro, escreveria em 1975 que O motim&lt;br /&gt;teria sido “uma carta com endereço bem legível e que não enganava ninguém”.&lt;br /&gt;Na verdade, partindo dos referentes históricos que suportam as figuras&lt;br /&gt;dramáticas e demais elementos que as contextualizam, Miguel Franco&lt;br /&gt;(re)constrói nesta sua obra dramática os acontecimentos vividos em 1757,&lt;br /&gt;orientando o público para a leitura da sua “parábola”.&lt;br /&gt;Na estrutura externa deste texto dramático deparamos, logo no seu&lt;br /&gt;início, com a transcrição da notícia da efeméride já por nós referida, e lida por&lt;br /&gt;Miguel Franco no jornal Primeiro de Janeiro, bem como uma passagem da&lt;br /&gt;obra Recordações, do viajante e cronista Jacome Ratton, na qual este se&lt;br /&gt;reporta aos acontecimentos de 1757, segundo o que “pessoas de crédito” lhe&lt;br /&gt;teriam narrado no final desse ano, aquando da sua passagem pelo Porto. Uma&lt;br /&gt;marca espácio-temporal, no final da nomeação das personagens, refere:&lt;br /&gt;“CIDADE DO PORTO, Ano de 1757”, anulando qualquer dúvida sobre o&lt;br /&gt;espaço e o tempo que irão iniciar o processo comunicativo.&lt;br /&gt;A peça organiza-se em três atos. Em palco, “uma adega atabernada”,&lt;br /&gt;a taberna do Justino (remetendo para homem justo) que irá servir também de&lt;br /&gt;cenário ao Tribunal da Alçada, remetendo para a importância do comércio do&lt;br /&gt;vinho em todo este processo. A inclusão de figuras significadoras, apoiando as&lt;br /&gt;figuras representadoras (estas de cariz histórico e factual), é fundamental para&lt;br /&gt;o reconhecimento dos factos, do clima que se vivia e da mensagem a passar.&lt;br /&gt;O primeiro personagem a entrar em cena é o Profeta, que, tal como o nome&lt;br /&gt;indica, deixará antever, ao longo das suas falas, a tragédia que se prefigura.&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;117&lt;br /&gt;PROFETA – Então eu vou cantar…às desgraças do Porto!...&lt;br /&gt;VOZES – Acabaram-se as desgraças! […]&lt;br /&gt;PROFETA (olhos tristes) – Acabaram-se?!&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;PROFETA (mais profundo) - …Acabaram-se!&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;TOMÁS PINTO (dando com o Profeta) – Então vossemecê fica por&lt;br /&gt;aí?&lt;br /&gt;PROFETA (levantando lentamente os olhos) – Eu fui o primeiro a&lt;br /&gt;cair!&lt;br /&gt;Os paralelismos presentes na obra comprovavam-se na escolha das&lt;br /&gt;personagens, nas marcas de tempo, de espaço e na própria ação. Atentemos&lt;br /&gt;em alguns:&lt;br /&gt;Personagens d’ O motim Registos na Cópia da Sentença&lt;br /&gt;Estrelada Custódia Maria a Estrelada&lt;br /&gt;Negres António de Sousa de alcunha o Negres&lt;br /&gt;Cheta – “moinante, embrcado” José Ribeiro Oleiro, e Mariheiro, de&lt;br /&gt;alcunha o Cheta.&lt;br /&gt;Maria Pinta, mulher do Negres Maria Pinta, […] casada com […] António&lt;br /&gt;de Sousa o Negres.&lt;br /&gt;Advogado Nicolau Araújo Bacharel Nicolau da Costa Araújo&lt;br /&gt;Luís Beleza de Andrade, Vereador da&lt;br /&gt;Câmara do Porto e Provedor da&lt;br /&gt;Companhia&lt;br /&gt;Provedor […] Luís Beleza de Andrade&lt;br /&gt;José Fernandes da Silva, Juiz do Povo, o&lt;br /&gt;“Lisboa&lt;br /&gt;José Fernandes da Silva de alcunha o&lt;br /&gt;Lisboa&lt;br /&gt;Curioso, e como se de uma homenagem se tratasse, é o facto de&lt;br /&gt;Miguel Franco ter tido a preocupação de lembrar muitos outros nomes dos que&lt;br /&gt;foram sentenciados e que, não participando enquanto personagens, são por&lt;br /&gt;estas nomeados. Mas continuemos com mais alguns paralelismos,&lt;br /&gt;consubstanciados a partir das didascálias explícitas e implícitas (sublinhados&lt;br /&gt;nossos):&lt;br /&gt;Paralelismo de tempo:&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;118&lt;br /&gt;Da Carta do Senado da Câmara do Porto ao Rei: “…dia em que concorre toda a&lt;br /&gt;vizinhança desta cidade a ver a procissão dos Terceiros de S. Francisco…”.&lt;br /&gt;N’ O motim (1.º Ato, p. 34, 35):&lt;br /&gt;JUSTINO – […] Depois da procissão, …&lt;br /&gt;(Ouve-se um sino, concitando os fiéis para a procissão de S. Francisco).&lt;br /&gt;Paralelismo de espaço:&lt;br /&gt;Da Carta do Senado da Câmara do Porto ao Rei de 25 de Fevereiro de 1757: “… à&lt;br /&gt;porta do mesmo Chanceler que serve de Governador fizeram diliga para lha entrarem&lt;br /&gt;nas casas,…”.&lt;br /&gt;N’ O motim (1.º Ato, p. 20):&lt;br /&gt;JUSTINO (indo à porta) – Estes estavam a dizer que está tudo à porta do&lt;br /&gt;Governador…&lt;br /&gt;Paralelismo de factos ou acontecimentos:&lt;br /&gt;Da Carta do Senado da Câmara do Porto ao Rei: “…ele [o Juiz do Povo] se lhes&lt;br /&gt;escusou, com o pretexto de doente, e lhe mandaram buscar uma cadeirinha e&lt;br /&gt;metendo-o nela continuaram com maiores alaridos…”&lt;br /&gt;N’ O motim (1.º Ato, p. 21):&lt;br /&gt;(O povoléu abre alas para deixar passar o grupo que traz numa cadeirinha o Juiz do&lt;br /&gt;Povo, …”)&lt;br /&gt;Da Carta do Senado da Câmara do Porto ao Rei: “…chegados à sua porta […]&lt;br /&gt;romperam no excesso […], fazendo forma para lhes entrarem na mesma casa, e&lt;br /&gt;disparando-se de dentro dois, ou três tiros […]”.&lt;br /&gt;N’ O motim (1.º Ato, p. 31, 32):&lt;br /&gt;CAETANO […] – Já há tiros! Já há tiros!&lt;br /&gt;CAETANO (continuando) - …Estava o povo em frente da Companhia, a clamar e aos&lt;br /&gt;vivas…; de repente abre-se uma janela do Provedor, […] e dois vultos de bacamarte&lt;br /&gt;apontado, dispararam contra a gente!&lt;br /&gt;Na procura de um plasmar da situação que o marcou tão&lt;br /&gt;profundamente, Miguel Franco vai ao ponto de incluir no seu texto a&lt;br /&gt;transcrição de passagens da própria Sentença, tendo escolhido a descrição&lt;br /&gt;das punições aos considerados “cabecilhas”.&lt;br /&gt;A presença de tão grande número de paralelismos factuais leva-nos a&lt;br /&gt;pensar na possibilidade de ter sido Miguel Franco influenciado pelo chamado&lt;br /&gt;“teatro-documento”, uma vez que se apoiou no uso documental da História,&lt;br /&gt;tendo, como atrás dissemos, transcrito para a fala do “Oficial de Justiça”, no 3.º&lt;br /&gt;ato, parte do texto da Sentença sem qualquer modificação.&lt;br /&gt;Estamos pois em presença de um “drama histórico”, uma construção&lt;br /&gt;ficcional apoiada em situações que a memória coletiva registou, e que&lt;br /&gt;compromete, restringe ou limita o que à partida seria essencialmente da esfera&lt;br /&gt;da imaginação. Concordamos com Eugénia Vasques, quando esta refere ser&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;119&lt;br /&gt;teatro histórico o que procura relacionar ”de modo inovadoramente dialéctico,&lt;br /&gt;uma verdade histórica com uma verdade dramática, havendo, neste caso, a&lt;br /&gt;necessidade de uma investigação rigorosamente documentada” (1998:82).&lt;br /&gt;Por outro lado, em Combate por um Teatro de Combate, Luís&lt;br /&gt;Francisco Rebello data de 1963, 1964 e 1965 (ano da representação de O&lt;br /&gt;motim) as primeiras peças alemãs a que se convencionou designar por “teatrodocumento”,&lt;br /&gt;isto é, peças documentais (cf. 1977:112). Weiss, ainda citado por&lt;br /&gt;Rebello, propôs para o teatro-documento, a “capacidade de construir, a partir&lt;br /&gt;de fragmentos da realidade, um exemplo utilizável” (1977:114). Pensamos que&lt;br /&gt;Miguel Franco superou o conceito, indo mais além da própria realidade; utilizou&lt;br /&gt;um documento histórico não como um mero dado documental, mas como&lt;br /&gt;matéria teatral, transformando-o em algo de artisticamente poético.&lt;br /&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;AZEVEDO, Cândido. Mutiladas e Proibidas: para a História da Censura&lt;br /&gt;Literária em Portugal no Tempo do Estado Novo. Lisboa:&lt;br /&gt;Caminho,1997.&lt;br /&gt;Carta da Câmara do Porto ao Rei, de 25 de Fevereiro 1757.&lt;br /&gt;CASTRIM, Mário. O Fascismo não gostou deste motim. Diário de Lisboa.&lt;br /&gt;Lisboa, 16 Setembro 1975, p.15.&lt;br /&gt;FRANCO, Miguel. O motim. Coimbra: edição do autor, 1963.&lt;br /&gt;FRANCO, Miguel. Legenda do cidadão Miguel Lino. Porto: Editorial Nova,&lt;br /&gt;1973.&lt;br /&gt;GAMA, Arnaldo. Um motim há cem anos. Porto: Livraria Tavares Martins,&lt;br /&gt;1935.&lt;br /&gt;REBELLO, Luís Francisco. Combate por um teatro de combate. Lisboa:&lt;br /&gt;Seara Nova, 1977.&lt;br /&gt;Sentença da Alçada, que El Rey Nosso Senhor mandou conhecer da&lt;br /&gt;Rebellião sucedida na Cidade do Porto em 1757. Lisboa: Oficina de António&lt;br /&gt;Rodrigues Galhardo, Impressor da Real Mesa Censória, 1786.&lt;br /&gt;VASCONCELOS, Ana Isabel. O drama histórico: entre Clio e Tália. Actas&lt;br /&gt;Colóquio Literatura e História – para uma prática interdisciplinar. Lisboa:&lt;br /&gt;Todas as Musas ISSN 2175-1277 (on-line) Ano 03 Número 01 Jul-Dez 2011&lt;br /&gt;120&lt;br /&gt;Universidade Aberta, 2002, p. 97.&lt;br /&gt;VASQUES, Eugénia. Jorge de Sena: Uma ideia de Teatro – 1938/1971.&lt;br /&gt;Lisboa: Cosmos, 1998.&lt;br /&gt;Recebido em: 31-mai Aprovado em: 30-jun&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.todasasmusas.org/"&gt;http://www.todasasmusas.org/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ano 03 - Número 01 (Jul - Dez 2011) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-2415161277883840385?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/2415161277883840385/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=2415161277883840385' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/2415161277883840385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/2415161277883840385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2011/08/um-homem-sem-medo-nao-morre-homenagem.html' title='Um homem sem medo não morre: homenagem a Miguel Franco /Todas as Musas _  Prof Dr Flávio Botton e Dra Graça Teixeira'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-V2AqZ6jJ5tA/TkaoeSyTeFI/AAAAAAAAGFo/oIno3iqCyYE/s72-c/musas05-copy.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-2066001397199632452</id><published>2011-04-23T09:52:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T10:03:48.247-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema_manhã submersa'/><title type='text'>Miguel Franco em "Manhã Submersa" de Lauro António</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 168px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598825134810396002" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-v8-zBIaVsQM/TbMFy9fm9WI/AAAAAAAAFkw/YxoS9KHcijQ/s400/untitled.bmp" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; DISPLAY: block; HEIGHT: 315px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598823915112353986" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-zAh8s8MxTKk/TbMEr9w70MI/AAAAAAAAFko/7hNKgCs15AY/s400/miguel%2Bfranco.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/pages/Manh%C3%A3-Submersa-30-Anos/145123355523623"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Manhã Submersa" 30 Anos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nesta foto:&lt;br /&gt;Os actores da "Manhã Submersa" - Miguel FrancoMiguel Franco desenvolveu o teatro na sua cidade natal. Recriou o Grupo de Teatro Miguel Leitão de que era director e encenador. A partir de 1950 com a apresentação, por todo o país, da peça Tá-Mar, de Alfredo Cortez, o Grupo de Teatro Miguel Leitão passa a ter um papel relevante na dinâmica do teatro amador em Portugal, salientando-se outras representações, entre as quais O Duelo de Bernardo Santareno (proibida pelo regime salazarista antes da estreia). Fez também dar a conhecer as obras de Gil Vicente, numa acção pedagógica e cultural por todo o País. Incentivou o teatro ao ar livre em festivais de verão,começando pala cidade de Leiria onde recriou ao modo vicentino A Farsa de Inês Pereira, que apresentou em espaços como o Castelo de Leiria, Claustro do Mosteiro de Alcobaça e Convento de Tomar. Criou no Ateneu Desportivo de Leiria, de que era director, um espaço de conferências a que chamou Sexta-feira à Noite, no qual intervieram entre outros Luiz Francisco Rebello, Bernardo Santareno e Rogério Paulo.Como dramaturgo,é considerado o elemento da dramaturgia histórica mais importante da década de 1970, na História do Teatro em Portugal, de Luiz Francisco Rebello. Da sua obra fazem parte O Motim, A Legenda do Cidadão Miguel Lino, O Capitão de Navios, Visita Muito Breve, tendo deixado várias obras por terminar, de que se destaca Leonor Fonseca Pimentel.Actor de cinema a partir da década de 1960, participou em mais de dez películas cinematográficas, como Crime de Aldeia Velha (1963), O Trigo e o Joio (1964) e Lotação Esgotada (1972) de Manuel de Guimarães, Domingo à Tarde (1966) de António de Macedo, O Cerco (1970) e Vidas (1984) de António da Cunha Telles, A Fuga (1976) de Luís Filipe Rocha, O Rei das Berlengas (1978) de Artur Semedo ou Manhã Submersa (1980) de Lauro António.A sua última entrevista para a TV foi feita por Jorge Listopad, a 19 de Fevereiro de 1988, na RTP1.Foi atribuído o seu nome ao Teatro Miguel Franco, equipamento cultural construído em 2003 na cidade de Leiria.Categorias: Dramaturgos de Portugal Atores de Portugal Naturais de Leiria&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a class="uiLinkSubtle" href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=148608675175091&amp;amp;set=a.146463895389569.24415.145123355523623&amp;amp;type=1"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;21 de Setembro de 2010&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-2066001397199632452?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/2066001397199632452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=2066001397199632452' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/2066001397199632452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/2066001397199632452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2011/04/miguel-franco-em-manha-submersa-de.html' title='Miguel Franco em &quot;Manhã Submersa&quot; de Lauro António'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-v8-zBIaVsQM/TbMFy9fm9WI/AAAAAAAAFkw/YxoS9KHcijQ/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-4906754110653387181</id><published>2011-04-20T03:27:00.000-07:00</published><updated>2011-04-20T09:00:55.644-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Motim'/><title type='text'>Miguel Franco estudado na UniversidadeFederal do Triâgulo Mineiro/Brasil</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-yR1mLd-TAec/Ta63QINvVlI/AAAAAAAAFjU/ZtwFunaRhug/s1600/flavio.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; DISPLAY: block; HEIGHT: 187px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597612874579007058" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-yR1mLd-TAec/Ta63QINvVlI/AAAAAAAAFjU/ZtwFunaRhug/s320/flavio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Flávio Botton&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 302px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597611062266936418" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-wRYl2jyX8EI/Ta61mo03vGI/AAAAAAAAFjM/7WSBKr3JBtg/s400/carta%2Bflavio.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;FLÁVIO BOTTON , professor de Literatura Portuguesa &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;na Universidade do grande ABC,São Paulo,Brasil,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;viu a sua proposta aprovada para o III Simpósio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários (SELL) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vai apresentar uma comunicação sobre o trabalho intitulada&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;"Literatura e História na&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Dramaturgia de Miguel Franco".&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;( O trabalho está a ser feito sob a orientação da Profa. Dra. Flavia Corradin, da Universidade de São Paulo. )&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;_________________________________&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Flávio Botton tem formação nas seguintes universidades:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/pages/UNIABC/108506742513567" hovercard="/ajax/hovercard/page.php?id=108506742513567&amp;amp;container=u550866_1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;UNIABC&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;com &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=1320821226" hovercard="/ajax/hovercard/user.php?id=1320821226"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Roddy Freitas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=1555283036" hovercard="/ajax/hovercard/user.php?id=1555283036"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Paulo Huertas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="uiTooltip" href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1602316749560&amp;amp;set=a.1031099669490.2004743.1585342397&amp;amp;type=1#"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Identificado(a) por Paulo Huertas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/pages/Universidade-do-Grande-ABC/102107213163993" hovercard="/ajax/hovercard/page.php?id=102107213163993&amp;amp;container=u550866_2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Universidade do Grande ABC&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;com &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100001886023360" hovercard="/ajax/hovercard/user.php?id=100001886023360"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Verônica Leme&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="uiTooltip" href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1602316749560&amp;amp;set=a.1031099669490.2004743.1585342397&amp;amp;type=1#"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Identificado(a) por Verônica Leme&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/pages/LetrasUniABC/175819585786301" hovercard="/ajax/hovercard/page.php?id=175819585786301&amp;amp;container=u550867_3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Letras/UniABC&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="uiTooltip" href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1602316749560&amp;amp;set=a.1031099669490.2004743.1585342397&amp;amp;type=1#"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Identificado(a) por Tamiris Fontes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Oficina de Literatura e Analise Literariacom &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100001421636856" hovercard="/ajax/hovercard/user.php?id=100001421636856"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tamiris Fontes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="uiTooltip" href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1602316749560&amp;amp;set=a.1031099669490.2004743.1585342397&amp;amp;type=1#"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Identificado(a) por Tamiris Fontes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/pages/Faenac-Anhanguera/138168222865349" hovercard="/ajax/hovercard/page.php?id=138168222865349&amp;amp;container=u550867_4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Faenac Anhanguera&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="uiTooltip" href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1602316749560&amp;amp;set=a.1031099669490.2004743.1585342397&amp;amp;type=1#"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Identificado(a) por Andre Carvalho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Literatura Portuguesacom &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/oliveiracarvalho" hovercard="/ajax/hovercard/user.php?id=100000547424394"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Andre Carvalho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-4906754110653387181?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/4906754110653387181/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=4906754110653387181' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/4906754110653387181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/4906754110653387181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2011/04/miguel-franco-estudado-na-universidade.html' title='Miguel Franco estudado na UniversidadeFederal do Triâgulo Mineiro/Brasil'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-yR1mLd-TAec/Ta63QINvVlI/AAAAAAAAFjU/ZtwFunaRhug/s72-c/flavio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-6267903458765322258</id><published>2010-06-18T00:58:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T01:00:45.401-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='noticias'/><title type='text'>Miguel Franco _obra</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A obra do dramaturgo português&lt;br /&gt;MIGUEL FRANCO,&lt;br /&gt;vai ser estudada na Universidade de São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito nos congratulamos com este projecto da autoria de&lt;br /&gt;Flavio Felicio Botton&lt;br /&gt;Mestre em Literatura Portuguesa pela&lt;br /&gt;Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas&lt;br /&gt;da Universidade de São Paulo-Brasil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-6267903458765322258?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/6267903458765322258/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=6267903458765322258' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/6267903458765322258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/6267903458765322258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2010/06/miguel-franco-obra.html' title='Miguel Franco _obra'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-584270409379119584</id><published>2009-04-13T07:09:00.000-07:00</published><updated>2009-04-14T08:49:31.272-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homenagem'/><title type='text'>Miguel Franco - 91º aniversário</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324574474051426802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SeSwRfnymfI/AAAAAAAADOo/_vPN6HMMK1M/s400/m+franco.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-584270409379119584?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/584270409379119584/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=584270409379119584' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/584270409379119584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/584270409379119584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2009/04/miguel-franco-91-aniversario.html' title='Miguel Franco - 91º aniversário'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SeSwRfnymfI/AAAAAAAADOo/_vPN6HMMK1M/s72-c/m+franco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-3488156075535560362</id><published>2008-10-21T09:22:00.000-07:00</published><updated>2008-10-21T09:32:00.165-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista com Artur Ramos'/><title type='text'>Miguel Franco,um valor de referência o panorama do Teatro Português</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SP4DRL2_AKI/AAAAAAAADG8/rsyHdSGaFcs/s1600-h/_miguel-franco_tv-doc1_web.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SP4DRL2_AKI/AAAAAAAADG8/rsyHdSGaFcs/s400/_miguel-franco_tv-doc1_web.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259645008591388834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SP4DJDGga4I/AAAAAAAADG0/4K3OUPTll9M/s1600-h/_miguel-franco_tv-doc2_web.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SP4DJDGga4I/AAAAAAAADG0/4K3OUPTll9M/s400/_miguel-franco_tv-doc2_web.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259644868801620866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SP4C_z6xDGI/AAAAAAAADGs/xgB7FgRBh9k/s1600-h/_miguel-franco_tv-doc3_web.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SP4C_z6xDGI/AAAAAAAADGs/xgB7FgRBh9k/s400/_miguel-franco_tv-doc3_web.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259644710107024482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tele Semana set/1975&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-3488156075535560362?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/3488156075535560362/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=3488156075535560362' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/3488156075535560362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/3488156075535560362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2008/10/miguel-francoum-valor-de-referncia-o.html' title='Miguel Franco,um valor de referência o panorama do Teatro Português'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SP4DRL2_AKI/AAAAAAAADG8/rsyHdSGaFcs/s72-c/_miguel-franco_tv-doc1_web.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-3570015514674906441</id><published>2008-10-20T04:57:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T05:10:40.700-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='noticias'/><title type='text'>O Motim vai à TV</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPx0-9ezmfI/AAAAAAAADGg/bpSYGEf89nc/s1600-h/miguel-franco_o-motim-vai-a.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPx0-9ezmfI/AAAAAAAADGg/bpSYGEf89nc/s400/miguel-franco_o-motim-vai-a.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259207089866381810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPx0eJAVyeI/AAAAAAAADGY/fK2xiJuqdvY/s1600-h/miguel-franco_o-motim2_noti.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPx0eJAVyeI/AAAAAAAADGY/fK2xiJuqdvY/s400/miguel-franco_o-motim2_noti.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259206526024141282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPxz6fF08VI/AAAAAAAADGQ/9sxSXAwiRfc/s1600-h/miguel-franco_o-motim3web.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPxz6fF08VI/AAAAAAAADGQ/9sxSXAwiRfc/s400/miguel-franco_o-motim3web.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259205913477443922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPxy75PHTBI/AAAAAAAADGI/ZFCSHLDEbpI/s1600-h/miguel-franco_o-motim4web.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPxy75PHTBI/AAAAAAAADGI/ZFCSHLDEbpI/s400/miguel-franco_o-motim4web.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259204838163958802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;FLAMA-18 de julho de 1975&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-3570015514674906441?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/3570015514674906441/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=3570015514674906441' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/3570015514674906441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/3570015514674906441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2008/10/o-motim-vai-tv.html' title='O Motim vai à TV'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPx0-9ezmfI/AAAAAAAADGg/bpSYGEf89nc/s72-c/miguel-franco_o-motim-vai-a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-7032961985609048011</id><published>2008-10-19T11:14:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T04:55:48.642-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='críticas'/><title type='text'>O MOTIM de Miguel Franco</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPt-a2u026I/AAAAAAAADF4/-W6NLtB1Hus/s1600-h/miguel-franco___o-motim_not.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPt-a2u026I/AAAAAAAADF4/-W6NLtB1Hus/s400/miguel-franco___o-motim_not.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258935989718801314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPt9aFtWQZI/AAAAAAAADFo/Zo2TYNSCpUY/s1600-h/miguel-franco_o-motim_notic.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPt9aFtWQZI/AAAAAAAADFo/Zo2TYNSCpUY/s400/miguel-franco_o-motim_notic.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258934877047636370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPxxk7ZwO6I/AAAAAAAADGA/sIDAfybD0Es/s1600-h/miguel-franco_o-motim_notic.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPxxk7ZwO6I/AAAAAAAADGA/sIDAfybD0Es/s400/miguel-franco_o-motim_notic.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259203344096836514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPt7UfF7fqI/AAAAAAAADFY/sTYSelPCkko/s1600-h/miguel-franco_o-motim_notic.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPt7UfF7fqI/AAAAAAAADFY/sTYSelPCkko/s400/miguel-franco_o-motim_notic.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258932581759155874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-7032961985609048011?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/7032961985609048011/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=7032961985609048011' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/7032961985609048011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/7032961985609048011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2008/10/o-motim-de-miguel-franco.html' title='O MOTIM de Miguel Franco'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPt-a2u026I/AAAAAAAADF4/-W6NLtB1Hus/s72-c/miguel-franco___o-motim_not.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-8544590854587427721</id><published>2008-10-19T09:30:00.000-07:00</published><updated>2008-10-19T10:01:25.406-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='críticas'/><title type='text'>Legenda do cidadão Miguel Lino_crítica por Fernando Luso Soares</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPtn2q5DWbI/AAAAAAAADFQ/xumalYvgluc/s1600-h/miguel-franco_critica_Luso-.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPtn2q5DWbI/AAAAAAAADFQ/xumalYvgluc/s400/miguel-franco_critica_Luso-.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258911178809366962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diário de Lisboa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-8544590854587427721?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/8544590854587427721/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=8544590854587427721' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/8544590854587427721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/8544590854587427721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2008/10/legenda-do-cidado-miguel-linocrtica-por.html' title='Legenda do cidadão Miguel Lino_crítica por Fernando Luso Soares'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SPtn2q5DWbI/AAAAAAAADFQ/xumalYvgluc/s72-c/miguel-franco_critica_Luso-.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-379180323094996591</id><published>2008-08-19T10:39:00.000-07:00</published><updated>2008-08-21T04:06:34.421-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='algumas imagens'/><title type='text'>Homenagem a Miguel Franco na inauguração de Teatro Miguel Franco a 17 de Abril de 2005</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsLek90fmI/AAAAAAAACG8/_Pp7Qrd8IqY/s1600-h/motim+teatro+mfranco.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236291611695283810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsLek90fmI/AAAAAAAACG8/_Pp7Qrd8IqY/s400/motim+teatro+mfranco.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Vista do painel alusivo a &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;"O Motim" &lt;/span&gt;de Miguel Franco,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;da autoria de Maria João Franco,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;inserido no "foyer" do teatro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsGshazc-I/AAAAAAAACGs/Y3Jg3huXF04/s1600-h/homenagem--anos-30_40-Migue.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236286353703138274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsGshazc-I/AAAAAAAACGs/Y3Jg3huXF04/s400/homenagem--anos-30_40-Migue.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Alguns dos paineis da autoria do Arq. Luis Jordão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;que constituiram a exposição biográfica de Miguel Franco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;que figurou durante alguns dias do mês em que foi feita a homenagem&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236285504778892354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsF7G7fdEI/AAAAAAAACGE/3WDyoIxgRKI/s400/Amogos-e-companheiros_web.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;autoria do Arq.Luis Jordão&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236285955146327858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsGVUrdJzI/AAAAAAAACGc/0eRuEdOFBpY/s400/anos-50-60-m-franco_web.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;autoria do Arq.Luis Jordão&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236285804128832242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsGMiGFCvI/AAAAAAAACGU/GwE7X-ZRLhM/s400/crime-de-aldeia-velha2_web.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;"Crime de Aldeia velha"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;filme realizado por Manuel de Guimarães,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;baseado na obra homónima de Bernardo Santareno&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236285684311362514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsGFjvXi9I/AAAAAAAACGM/0j9MWLcHTKE/s400/crime-de-aldeia-velha_web.jpg" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236286155730797874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsGg_6hRTI/AAAAAAAACGk/hbxa2lfV7vI/s400/triangulo-circular_web.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;"Triângulo circular"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Miguel Franco e Laurent Therzief&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="FONT-WEIGHT: bold" href="http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKxbKPd3suI/AAAAAAAACHE/IilqyIuaCg8/s1600-h/domingo-a-tarde_web.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236660698233680610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKxbKPd3suI/AAAAAAAACHE/IilqyIuaCg8/s400/domingo-a-tarde_web.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;"Domingo à Tarde"&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;ao centro Miguel Franco&lt;br /&gt;com Fernanda Borsatti à esq.&lt;br /&gt;e Ruy de Carvalho à direita&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;..................a continuar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-379180323094996591?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/379180323094996591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=379180323094996591' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/379180323094996591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/379180323094996591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2008/08/homenagem-miguel-franco-na-inaugurao-de.html' title='Homenagem a Miguel Franco na inauguração de Teatro Miguel Franco a 17 de Abril de 2005'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5oHWqU2h3K0/SKsLek90fmI/AAAAAAAACG8/_Pp7Qrd8IqY/s72-c/motim+teatro+mfranco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-7828321899171349694</id><published>2008-06-12T00:02:00.000-07:00</published><updated>2008-07-15T01:43:19.509-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>"Os Fantoches do Estroina"</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223155068982064770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SHxf3J109oI/AAAAAAAAB9M/iDcVS4MrYic/s400/lino_WEB.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Maria João Franco/linólio/1985&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era o meu sonho: ir ao Estroina! Um anseio gritante dentre os meus anseios de criança.&lt;br /&gt;“Irás ao Estroina, deixa lá!”&lt;br /&gt;E eu ia ao estroina a sonhar: uma grande cara vermelha, luzidia, toda envolta em clarões de alegria e sonoras gargalhadas, no meio de fantoches, dos robertos que falavam, que corriam, que dançavam em rodas e rodas saltitantes…Inchavam-lhe as enormes bochechas a tocar uma corneta doirada e vermelha, atirada ao alto, estrondeando grandes sons que me enchiam os ouvidos infantis de um prazer vivo e maravilhoso.&lt;br /&gt;Era a obsessão, a perdida paixão dos meus quatro anos: ir ver os fantoches à barraca do Estroina!&lt;br /&gt;E um dia…&lt;br /&gt;A feira voltara.&lt;br /&gt;Só se falava nela e nos bonecos de barro, nas espingardas de lata, nas lindas bolas de cores variadas que desciam e subiam presas ao dedo por um elástico e nos fantoches do Estroina!&lt;br /&gt;A minha mãe disse:”Amanhã vais ao Estroina, eu digo à Julita.”&lt;br /&gt;Todos os minutos os respirei a pensar naquele instante glorioso.&lt;br /&gt;De novo, a fulgurante corneta vermelha saiu de entre as bochechas pasmosas de força com que dotara o estroina do meu sonho e ouvi as vibrantes gargalhadas e alegrias.&lt;br /&gt;Fui com a tal Julita. Era uma “grande” da minha rua.&lt;br /&gt;Como foi longo o caminho! Ruas negras e compridas, com luzes muito brancas e pessoas que falavam; árvores e poças de água, muitas; e mais ruas se enfiavam a tardar-me o meu encontro, o meu encontro com o Estroina.&lt;br /&gt;De mão agarrada à Julita, ia saltando e muito apressado, muito excitado a caminho do sonho.&lt;br /&gt;No meio de um negrume viscoso, com raros pontos de luz, a Julita parou.&lt;br /&gt;Parei ao lado dela. Olhei-a ansioso. A passos lentos, pusemo-nos à volta de uma barraca de madeira, toda fechada, muito escura e muito alta.&lt;br /&gt;Era ali.&lt;br /&gt;Com o punho fechado, a Julita foi bater umas tímidas pancadas nas tábuas negras.&lt;br /&gt;Eu adivinhava, eu pressentia lá dentro grande fogo de alegria.&lt;br /&gt;Sem notar de onde surgira, veio uma velha ao pé de nós, acachapada num xaile.&lt;br /&gt;“Não é aqui a barraca dos fantoches?” – perguntámos.&lt;br /&gt;Era.&lt;br /&gt;Com a alma toda aberta, eu olhava e já estava começando a amar aquela pessoa, primeira aparição do mundo sonhado do meu Estroina, mas ela estava dizendo que não, que a porta se não abria, que não havia fantoches!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meti a barraca negra toda nos meus olhos.&lt;br /&gt;A Julita puxou-me pela mão: “Vamos embora!”.&lt;br /&gt;Fomos deixando a feira para trás. Qualquer coisa ia crescendo dentro de mim.&lt;br /&gt;E a andar nos passos da Julita, perguntei-lhe porque é que não havia fantoches.&lt;br /&gt;-“ Ela disse que o Estroina se enforcou…” respondeu a Julita.&lt;br /&gt;A minha cabeça virou-se a olhar a barraca sumir-se na escuridão.&lt;br /&gt;Julgo que sentia que apenas o Estroina estivesse melhor (qualquer mal lhe tinha acontecido!) lá voltaria eu pela mão da Julita.&lt;br /&gt;Mas não. Cá dentro, muito no fundo do meu coração de criança,uma dor me dizia…que nunca mais veria o Estroina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Franco&lt;br /&gt;Leiria, 25 de Março de 1962 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223157836166245154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SHxiYOZ8qyI/AAAAAAAAB9c/-hiH4CrXnzM/s400/estroia_web.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223157649218248338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SHxiNV-EnpI/AAAAAAAAB9U/lqQQR0UOX9E/s400/Os-fantoches-do-Estroina2_w.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-7828321899171349694?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/7828321899171349694/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=7828321899171349694' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/7828321899171349694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/7828321899171349694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2008/06/os-fantoches-do-estroina.html' title='&quot;Os Fantoches do Estroina&quot;'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SHxf3J109oI/AAAAAAAAB9M/iDcVS4MrYic/s72-c/lino_WEB.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-1497464027432537688</id><published>2008-06-10T01:14:00.000-07:00</published><updated>2008-06-10T01:25:12.227-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&quot;o Motim&quot;_papeis'/><title type='text'>Miguel Franco:a obra</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SE45fN2QogI/AAAAAAAAB5Q/DJaA5HQtdyg/s1600-h/esbo%C3%A7o+trpt_o+mOtim_teatro+Miguel+franco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210165027370213890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SE45fN2QogI/AAAAAAAAB5Q/DJaA5HQtdyg/s400/esbo%C3%A7o+trpt_o+mOtim_teatro+Miguel+franco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;estudo para o painel da autoria de Maria João Franco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;alusivo a "O Motim"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Teatro Miguel Franco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;C.C.Mercado de Santana_Leiria&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SE44u7r3TkI/AAAAAAAAB5I/I8CbVY09AeA/s1600-h/manuscrito_rascunho_O+MOTIM.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210164197861051970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SE44u7r3TkI/AAAAAAAAB5I/I8CbVY09AeA/s400/manuscrito_rascunho_O+MOTIM.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#333333;"&gt;Manuscrito/rascunho para o acto final de "O MOTIM"_Miguel Franco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-1497464027432537688?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/1497464027432537688/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=1497464027432537688' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/1497464027432537688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/1497464027432537688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2008/06/miguel-francoa-obra.html' title='Miguel Franco:a obra'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SE45fN2QogI/AAAAAAAAB5Q/DJaA5HQtdyg/s72-c/esbo%C3%A7o+trpt_o+mOtim_teatro+Miguel+franco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-8161594859795618358</id><published>2007-12-21T01:59:00.000-08:00</published><updated>2008-06-10T07:18:00.335-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Legenda do Cidadão Miguel Lino'/><title type='text'>Miguel Franco_a obra</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R3I6FCCX4xI/AAAAAAAABW0/NENnu7P6VM0/s1600-h/capada-legenda-WEB.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148241182158480146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R3I6FCCX4xI/AAAAAAAABW0/NENnu7P6VM0/s400/capada-legenda-WEB.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148244381909115682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R3I8_SCX4yI/AAAAAAAABW8/ZssKxU7gRh4/s400/cotra-capa-legenda-WEB.jpg" border="0" /&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148246825745507122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R3I_NiCX4zI/AAAAAAAABXE/dMPr1jbt-zg/s400/pagint-legenda-WEB.jpg" border="0" /&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148251279626593106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R3JDQyCX41I/AAAAAAAABXU/ULg7GuIGQaE/s400/pag-1-prefacio-legenda.jpg" border="0" /&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148259066402300770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R3JKWCCX42I/AAAAAAAABXc/2WAZ89r4Fjg/s400/pref-2.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;color:#000000;"&gt;sobre a&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;color:#000000;"&gt;LEGENDA DO CIDADÃO MIGUEL LINO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2uQVCCX4vI/AAAAAAAABWk/FR__3hE4FXk/s1600-h/SOBRE-A-LEGENDA-P-blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146365690199401202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2uQVCCX4vI/AAAAAAAABWk/FR__3hE4FXk/s400/SOBRE-A-LEGENDA-P-blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146372940104196866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2uW7CCX4wI/AAAAAAAABWs/h_JV3sn8P4I/s400/recortes-legenda.jpg" border="0" /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-8161594859795618358?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/8161594859795618358/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=8161594859795618358' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/8161594859795618358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/8161594859795618358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2007/12/miguel-francoa-obra_21.html' title='Miguel Franco_a obra'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R3I6FCCX4xI/AAAAAAAABW0/NENnu7P6VM0/s72-c/capada-legenda-WEB.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-1143806550942912333</id><published>2007-12-20T03:35:00.000-08:00</published><updated>2007-12-20T03:37:51.491-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visita muito breve_teatro'/><title type='text'>Miguel Franco_a obra</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2pTuyCX4oI/AAAAAAAABVs/TCJ6Hb0mZpE/s1600-h/capa+AUTORES_visita+muito+breve.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146017587395027586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2pTuyCX4oI/AAAAAAAABVs/TCJ6Hb0mZpE/s400/capa+AUTORES_visita+muito+breve.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-1143806550942912333?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/1143806550942912333/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=1143806550942912333' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/1143806550942912333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/1143806550942912333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2007/12/miguel-francoa-obra_20.html' title='Miguel Franco_a obra'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2pTuyCX4oI/AAAAAAAABVs/TCJ6Hb0mZpE/s72-c/capa+AUTORES_visita+muito+breve.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-8432947203421376197</id><published>2007-12-16T06:52:00.000-08:00</published><updated>2008-06-12T01:19:22.594-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O MOTIM_entrevista a Miguel Franco por Carlos Benigno da Cruz'/><title type='text'>Miguel Franco_a obra</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2pQlSCX4mI/AAAAAAAABVc/ARFu8sxotAM/s1600-h/MIGUEL+FRANCO.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146014125651386978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2pQlSCX4mI/AAAAAAAABVc/ARFu8sxotAM/s400/MIGUEL+FRANCO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2U8ryCX4cI/AAAAAAAABUM/YChTXka5KJE/s1600-h/postal_O+MOTIM_tela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144584872204427714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2U8ryCX4cI/AAAAAAAABUM/YChTXka5KJE/s400/postal_O+MOTIM_tela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#663300;"&gt;Entrevista por Carlo Benigno da Cruz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#663300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145698754792776226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2kxwSCX4iI/AAAAAAAABU8/F4KB9I6YkSw/s200/%23rascunho+da+cena+final+de+O+MOTIM.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145699725455385138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2kyoyCX4jI/AAAAAAAABVE/zxAF9s3JB-A/s200/rascunho%23.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145700326750806594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2kzLyCX4kI/AAAAAAAABVM/4nx_jS_SYLg/s200/final-motim-blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145702740522426962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2k1YSCX4lI/AAAAAAAABVU/2gOphSBWW6c/s200/nao-morre.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:-&lt;/strong&gt; Das suas peças de teatro, quais estão publicadas- e quais já foram representadas?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;M.Franco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;:- Editadas,duas: "O MOTIM", em 1960 e 1964, e " A LEGENDA DO CIDADÃO MIGUEL LINO", em 1973. Mais dois pequenos trabalhos foram dados ao público: uma peça em um acto "Visita muito breve", que saiu agora em separata na Revista "Autores" da Sociedade Portuguesa de Autores, e "Prólogo para a Farsa de Inês Pereira dito por Gil Vicente à Corte de Dom João III", pequeno trecho teatral que ditribui pelo público de espectáculos de ar livre que representei com a minha companhia ( Grupo de Teatro Miguel Leitão) com aquela farsa vicentina,no Castelo de Leiria,em 1957 e 58 e nos claustros dos Mosteiros de Alcobaça e Tomar, em 1959 e 1961, e no Teatro da Trindade em Lisboa, naquele último ano.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#663300;"&gt;Representada em montagem profisional foi "O MOTIM", pela Companhia do Teatro Nacional, que a estreou no Teatro Avenida, a seguir ao incêndio do seu Teatro do Rossio, com "luzida" assistência oficial, a máxima, e vasto público, e a teve em cena apenas para cinco espectáculos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C&lt;/strong&gt;.:- Só cinco dias porquê?&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;M.Franco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;:- Porque quando os bilheteiros se preparavam para abrir os "guichets" cerca das 14 horas,daquele 5º dia,(um dos espectáculos fora da tarde de Sábado anterior) a PIDE - então ainda não DGS entrou pelo teatro ,intimou os bilheteiros a suspenderem o gesto, rasgou cartazes anunciadores nos "placards" da rua e da entrada, ameaçou e saiu pela direita baixa (demasiado "direita" e demasiado "baixa"!).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#663300;"&gt;A partir daquela hora - de espanto e indignação para os empregados do teatro, para as pessoas que aguardavam a abertura das bilheteiras ( uma amiga minha contou-me a pobre cena...) e para alguns actores que entretanto iam chegando - uma lage de cimento caiu sobre "O MOTIM". Tomei depois conhecimento, por amigos dos jornais, suponho, de que passara a estar rigorosamente proibido pela Censura qualquer alusão ao acontecimento, à peça e ao meu nome.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#663300;"&gt;A empresária do Nacional, siderada, telefonou-me logo naquela tarde , pedindo a minha presença em Lisboa, para tentar obter junto das instâncias oficiais o "remédio" para tal situação ou,pelo menos, uma explicação , que até àquela hora,ninguèm deu em termos decentes (admitindo que a seguir a uma indecência, poderiam ocorrer explicações decentes!...).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#663300;"&gt;A senhora,desolada, lamentava a avalancha que desabara sobre a sua actividade, a sua vida: a destruição do D. Maria e, dois meses depois, a violência sobre "O MOTIM", cortando abruptamente uma carreira que (supunha-o) lhe iria salvar uma boa parte dos prejuízos sofridos...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#663300;"&gt;Tentei em vão,como é óbvio, "passos" em Lisboa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#663300;"&gt;Passar pelo Avenida, a olhar os placards mal rasgados e os guichets de pala caída, enquanto ia consertando os planos da minha próxima actuação.&lt;br /&gt;Comecei por pedir uma audiência ao director da Censura teatral, a cujas pregorrativas escapava o sistema censório do Nacional. A escolha de peças para o Nacional era feita (?) por um Conselho de Leitura, o que, decerto, (calculara eu e o confirmei), enciumava aquele sumo-sacerdote censurador: - Pois lamentava o que havia sucedido…” Defeitos do sistema” – chegou a atirar. Não podia fazer nada. Mas punha-se à minha disposição para uma leitura da peça…e sugerir-me os “retoques”de que a mesma necessitava “para funcionar” e prosseguir a carreira natural de uma peça de teatro…”No Nacional?” perguntou a minha ansiedade.”Não! Isso é lá com eles”. E lamentou a maneira como as coisas estavam organizadas.”Nem compreendo a razão do que se passou, o Senhor Presidente na estreia…Lastimo-o…E não estou de acordo!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;strong&gt;C.B.C&lt;/strong&gt;. – Mas realmente como explica que a peça tivesse subido à cena?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#663300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;M.Franco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: - Por desmazelo. È a explicação que consigo dar. O Conselho de Leitura, que devia funcionar como conselho, não funcionou. Formavam-no uns cinco elementos, dos quais, dois ou três eram realmente homens de teatro (estou a recordar António Pedro, a quem talvez se deva a subida à cena da peça). Esses leram. Para os restantes, devia ser o “tacho” habitual. Não leram. E aceitaram o voto dos que tinham lido. Ou não souberam ler. De qualquer forma, falta de zelo (bem conveniente) no serviço.&lt;br /&gt;Antes de seguir: consta-me que nunca houve Conselho de Leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C&lt;/strong&gt;.: - Foi tudo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;M.Franco&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: - Não. Entretanto um dos bilheteiros do Nacional/Avenida informara-me de que na noite da estreia, quando terminado o espectáculo, o Presidente Tomas e o seu séquito de ministros desciam o estreito escadório dos camarotes, ouvira Marcelo Caetano, então figura lateral do regime, dizer com ironia venenosa a alguém da “corte”. –“ Então o Governo agora subsidia “motins”!? “ (Aludia, claro ao dispêndio governamental com o Teatro do Estado).&lt;br /&gt;Senti barrarem-se-me todos os caminhos. Procurei, então, no outro dia, o director do Teatro, funcionário superior do Ministério da Educação, e tudo se esclareceu “ O Teatro vai para obras! Foi essa a razão por que a peça foi retirada. Questões de segurança. Compreende?”. Compreendi. E fiz a natural pergunta, uma vez mais : - “ Então, depois a peça voltará?...” – ”Não! Esta não!”. E sumiu-se pelo primeiro corredor que achou ali à mão.&lt;br /&gt;Triste como a morte (mas com um secreto sorriso que eu uso cá dentro), não perguntei a mais ninguém pelo meu “MOTIM”. Fiquei a amá-lo em silêncio, por todos estes prazeres-desgostos que me dera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:&lt;/strong&gt; - Teve mais entraves na censura com alguma outra obra sua?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;M.Franco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: - Sim. Escrevi entretanto a “Legenda do Cidadão Miguel Lino”.&lt;br /&gt;È uma meditação com raiva sobre as opções decisivas.&lt;br /&gt;Amélia Rey Colaço pediu-ma (já a peça tinha sido um ou dois anos proibida ao TEP, no Porto).&lt;br /&gt;As tentativas de a levar ao Capitólio (em cujo palco trabalhava então a Companhia do Teatro Nacional, depois do incêndio do Avenida), são uma história pitoresca para outra entrevista se vier a jeito.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:&lt;/strong&gt; - Como sentia “O MOTIM” há semanas e como o sente agora, após o “25 de Abril”?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;M.Franco:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; -Julgo que a minha peça tem “razão” que não se esgotou. Peça de combate, da explosão de vexames recalcados, a cinco segundos de um patíbulo, está viva, porque os seus combatentes não morrem. “O Povo não morre”- dizem eles. Julgo que continuará a viver com esse fogo.&lt;br /&gt;Há dias, alguém, falando-me nela, disse que ficará, pelo menos, como uma “peça didáctica”, a fazer representar de tempos a tempos, para não deixar esquecer os processos de estrangulamento do povo.&lt;br /&gt;Assim seja. Não desejo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.: -&lt;/strong&gt; Qual é, no momento actual, a função que atribui ao Teatro em Portugal?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;M.Franco: - O Grande Teatro, agora, em Portugal é na rua,,no encontro de amigos, nas grandes euforias da nossa vida cívica.&lt;br /&gt;Por isso os Teatros estão vazios.&lt;br /&gt;É na rua, dinâmica, que está agora o espectáculo!&lt;br /&gt;Mas julgo que o criador, o autor, o encenador que conseguir imaginar um espectáculo que seja reflexo da luz forte da vida nacional de agora, fará o Teatro necessário. Reflexo e reajuste, justiça e calor criador, teatro de multidão em marcha. Teatro de massas, procurando os caminhos do futuro. Com a inteligência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:&lt;/strong&gt; - Quando escreve teatro, toma em consideração o espectáculo?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;M.Franco:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;- Eu escrevo o que vejo. Imagino, visualiso. E não só. Imagino.ouço, respondo e disparo. Escrevo a acção teatral, com movimentos, gestos e falas.&lt;br /&gt;Julgo-me sempre a estar a assistir a um espectáculo que me vai nascendo, umas vezes abarcando a cena inteira, outras a pequena cena, o diálogo fugaz, o gesto que os outros (personagens) não vêem. Acho que é uma escrita instintiva. Ou um registo. E gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:&lt;/strong&gt; - O teatro dramático pertence mais à literatura ou ao teatro mesmo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;M.Franco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. – O meu, ao Teatro mesmo. Assim o quero, pelo menos. O que tiver de literário é defeito. Defeito num criador teatral (uma espécie de “reumatismo” que os anos vão carreando e se acrescenta ao “congenital”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:&lt;/strong&gt; - Acha ou não que a publicação em livro de textos de teatro tende a desaparecer?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;M.Franco:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; - Não lhe sei dizer. Talvez não: Quem tiver imaginação teatral pela leitura, assiste dentro de si ao espectáculo. A leitura teatral não tem maus actores. Tem os nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:&lt;/strong&gt; - Quanto ao novo espectáculo de “O MOTIM”?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;M.Franco:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; - Estão em curso os ensaios. Na grande parte dos actores, de reanimação de memória. No entanto, neste momento em que em que escrevo, julgo ter havido uma suspensão, cujas razões ainda estão mal esclarecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:&lt;/strong&gt; - Quando foi contactado e por quem?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;M.Franco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. – Pela Sociedade de Autores, a pedido de Amélia Rey Colaço, como disse na sua notícia ou comunicado aos jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C.:&lt;/strong&gt; - Terá a mesma encenação?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;M.Franco:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; - A mesma. Mas aberta, clara e vigorosa, que o “25 de Abril” irá permitir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C.B.C. :&lt;/strong&gt; - Dará alguma colaboração?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;M.Franco:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; - A que me for pedida – ou a que eu entender dever sugerir. É a minha obrigação de autor e de primeiro espectador da peça. E de primeiro seu encenador, ao imaginá-la. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144980911138791954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2ak4SCX4hI/AAAAAAAABU0/oRej0Ibc0CA/s200/entrevista-a-mfranco4.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;23 de Maio de 1974&lt;br /&gt;Miguel Franco&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146015753443992178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2pSECCX4nI/AAAAAAAABVk/e0TyR1oYCd0/s400/esbo%C3%A7o+trpt_o+mOtim_teatro+Miguel+franco.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;esboço para o painel alusivo a O MOTIM &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;que está inserido no &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;TEATRO MIGUEL FRANCO em Leiria &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;e que foi doado ao teatro por Maria João Franco,pintora,filha do dramaturgo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146361090289427170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2uMJSCX4uI/AAAAAAAABWc/tK969ejnyfw/s400/recorte+motim%23.jpg" border="0" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-8432947203421376197?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/8432947203421376197/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=8432947203421376197' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/8432947203421376197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/8432947203421376197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2007/12/miguel-francoa-obra.html' title='Miguel Franco_a obra'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/R2pQlSCX4mI/AAAAAAAABVc/ARFu8sxotAM/s72-c/MIGUEL+FRANCO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5009000628494620014.post-5028354575808095285</id><published>2007-07-19T02:09:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T06:24:51.211-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miguel franco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='actor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Miguel Franco - Actor e Dramaturgo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/Rp8vUjEpiOI/AAAAAAAAAT0/pkLZIkQVjtw/s1600-h/avÃ´-Miguel.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5088838134010579170" border="0" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/Rp8vUjEpiOI/AAAAAAAAAT0/pkLZIkQVjtw/s320/av%C3%B4-Miguel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-size:130%;" &gt;…de Miguel Lino a Miguel Franco&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223930777750678514" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SH8hXWMPK_I/AAAAAAAAB9s/TzRQXcnUIt0/s400/MIGUEL-FRANCO%233_web.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Miguel Franco 1938&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223930324428246386" border="0" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SH8g89bvzXI/AAAAAAAAB9k/GT_i57ho6NU/s400/MIGUEL-FRANCO%234.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Miguel Carlos Franco&lt;/strong&gt; nasceu em Leiria a 14 de Abril de 1918.&lt;br /&gt;Infância e adolescência &lt;span class="grame"&gt;passa-as&lt;/span&gt; entre a escola, o trabalho e o “ Terreiro”.&lt;br /&gt;Nos seus contos-memória, sobretudo em “O Estroina” revive-se o ambiente da época: &lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;- “ &lt;span class="grame"&gt;criançada&lt;/span&gt; “ à solta &lt;span class="grame"&gt;brincando&lt;/span&gt; aos circos &lt;span class="grame"&gt;na&lt;/span&gt; imitação da vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O &lt;span class="spelle"&gt;Estroina-herói*&lt;/span&gt; vem alegrar as ingénuas corridas, as richas, os sonhos das crianças a quem foram negados os colos tão cedo ainda!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Miguel Lino&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; é o sonhador dos circos. E as garotas, de olhos tímidos: o medo dos rapazes espreita em cada pedra, em cada esquina. Mas ousam partilhar as brincadeiras, as cantigas tão pudicas de então… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;E os miúdos educados pelas mães soltam as diabruras, crescendo numa vida&lt;br /&gt;De apostas sucessivas, fazendo-se Homens apenas sobre os seus próprios pés.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Da criança de 1918 sai este homem sempre à espera do dia seguinte.&lt;br /&gt;Do circo e dos teatros de rua passa para o teatro amador, actividade em que se inicia em 1942.&lt;br /&gt;Em 1950 funda o Grupo de Teatro Miguel Leitão de que é o principal dinamizador. Para a acção deste grupo amador pôde contar com o carinho e colaboração de amigos que a ele se chegaram numa vontade comum de levar teatro a todos os pontos do País.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Depois de &lt;span class="spelle"&gt;Tá-Mar&lt;/span&gt; de Alfredo &lt;span class="spelle"&gt;Cortêz&lt;/span&gt; e depois de conquistados vários êxitos, Miguel Franco repensa o teatro amador como modo de cultura e faz representar Gil Vicente com a Farsa de Inês Pereira em ambientes adaptados no Castelo de Leiria, Convento de Tomar e Mosteiro de Alcobaça.&lt;br /&gt;È um intento de fazer coabitar os espaços e o teatro históricos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/RsgL8cNW1yI/AAAAAAAAAhw/nGgriWaxu-Y/s1600-h/pai+1.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100339710989358882" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/RsgL8cNW1yI/AAAAAAAAAhw/nGgriWaxu-Y/s320/pai+1.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Nesta linha e em substituição do Grupo de Teatro Miguel Leitão anteriormente extinto (1964) por “provincianas guerrilhas de opinião” Miguel Franco organiza, em conjunto com a Liga dos Amigos do Castelo de Leiria os “Festivais de Arte de Leiria” em 1972. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Falhado o projecto envereda definitivamente pela actividade cinematográfica, acedendo a convites formulados por Cunha Telles &lt;span class="grame"&gt;( &lt;/span&gt;“O Cerco”) , por Manuel Guimarães (“ O Crime de Aldeia Velha” , Trigo e o Joio”, “Lotação Esgotada”), por António Vitorino de Almeida (“A Culpa”) por &lt;span class="spelle"&gt;Lauro&lt;/span&gt; António (“ Manhã Submersa”) por António Macedo (“Domingo à Tarde”), etc.…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Como autor publica em 1964 &lt;strong&gt;“O Motim”&lt;/strong&gt; &lt;span class="grame"&gt;( do&lt;/span&gt; qual vem a desempenhar o seu último papel em 1986 como “juiz do povo” aquando da homenagem que lhe é prestada por “A Tela” de Carlos Fragateiro)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mais tarde publica &lt;strong&gt;“ A Legenda do Cidadão Miguel Lino”&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;**&lt;/strong&gt;à qual é atribuído o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Prémio Almeida Garrett”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; pelo Ateneu Comercial do Porto, &lt;strong&gt;“O Capitão de&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Navios”.&lt;/strong&gt; Prepara entretanto “&lt;/span&gt;&lt;span class="spelle"  style="font-family:verdana;"&gt;Leanor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; da Fonseca Pimentel”, nunca terminada e recolhe projectos vários… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em 1987, Jorge &lt;/span&gt;&lt;span class="spelle"  style="font-family:verdana;"&gt;Listopad&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; entrevista-o já doente na sua casa em Queluz já afastado da terra onde &lt;/span&gt;&lt;span class="grame"  style="font-family:verdana;"&gt;nasceu, a que&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; tanto deu e que tanto o amargurou… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Morre em 19 de Fevereiro de 1988.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Miguel Franco,na sua alma de poeta e humanista, presta nesta peça homenagem a uma das figuras da sua infância que povoam o seu imaginário.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224376090643868402" border="0" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/SIC2X9_fKvI/AAAAAAAAB-E/0UkI5G_Lrj4/s400/cecilio_web.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;**&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Cecílio Flor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era menino, havia o Cecílio Flor.&lt;br /&gt;Toda a cidade, ruas e casas, gentes e coisas, e as ervas esquecidas das valetas, exalavam perfume, quando lá vinha o Cecílio Flor.&lt;br /&gt;Era grande, era enorme para os meus olhos de menino, e eu ficava-me parado e pasmado quando ele atravessava a Praça dos Arcos, numa nuvem de música, e os lojistas, senhores do balcão, saíam e ficavam parados às portas, porque lá vinha o Cecílio Flor a tocar ocarina.&lt;br /&gt;Tinha um som de prata, de flauta e de búzio, a ocarina do Cecílio Flor, e a Praça dos Arcos ficava cheia daquele som, agudo e redondo, quando ele lá vinha, cego e descalço, numa&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#cccccc;"&gt;nuvem de música.&lt;br /&gt;Ele não era realmente Cecílio Flor. Era só Cecílio, mas eu acrescento-lhe a flor, para dar nome àquele som fresco e aveludado.&lt;br /&gt;O rapazio seguia-o e provocava-o, porque ele era cego, e o Cecílio Flor, tão grande e tão forte, chorava num choro rouco e muito fundo, e tão pisado como uma flor amachucada.&lt;br /&gt;No outro dia, lá vinha o Cecílio Flor, e as músicas e os sons longos, finos e graves, soltavam as asas, enquanto ele, cego e descalço, atravessava a Praça dos Arcos a tocar ocarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Franco&lt;br /&gt;(contos inéditos não datados)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5009000628494620014-5028354575808095285?l=miguel-lino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://miguel-lino.blogspot.com/feeds/5028354575808095285/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5009000628494620014&amp;postID=5028354575808095285' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/5028354575808095285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5009000628494620014/posts/default/5028354575808095285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://miguel-lino.blogspot.com/2007/07/miguel-franco-actor-e-dramaturgo.html' title='Miguel Franco - Actor e Dramaturgo'/><author><name>MJF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04060609019051473109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='7' src='http://2.bp.blogspot.com/-mOJGh9mA9qk/TeUArZ3BuMI/AAAAAAAAFvU/86c7V3EMpRM/s220/etiqueta%2Bpara%2Bpastas.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_5oHWqU2h3K0/Rp8vUjEpiOI/AAAAAAAAAT0/pkLZIkQVjtw/s72-c/av%C3%B4-Miguel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
